CRÍTICA | O Rei - A coroa pesa tanto que cai

CRÍTICA | O Rei – A coroa pesa tanto que cai

Ixi, deu "ruim"....

A Netflix está se preparando para a maior guerra de streamings de todos os tempos. Para os que acharam que o trono ia ser disputado entre ela e a Amazon Prime, não contava com o exército do Disney+ entrando em campo.

Na primeira manobra de ataque, a plataforma milionária de Reed Hastings e Marc Randolph, selecionou O Rei, novo drama de David Michôd, diretor de Máquina de Guerra.

Mesclando as peças Henrique IV: Parte I e II e Henrique V, de ninguém mais do que William Shakespeare, o longa retrata a ascensão de Hal (Timothée Chalamet), um príncipe que se interessava mais em farrear, do que de fato ser o próximo líder da Inglaterra. Além de herdar a coroa, ele também “ganha de presente” uma série de conflitos entre a Casa Real dos Plantageneta e mais tarde a Casa de Lencastre, governantes ingleses, contra a Casa de Valois, da França, pela sucessão do trono francês, a chamada Guerra dos Cem Anos (1337 a 1453).

Bem, O Rei vale a pena?

Para quem espera aprender um pouco sobre história da Idade Média, clique no botão “voltar” do controle. O filme é uma adaptação das peças, que por sua vez, já eram bem diferentes do que realmente aconteceu. Ou seja, se você também quer um drama shakespeariano, não vai se ver por satisfeito.

Aliás, o roteiro peca pela falta uma contextualização sobre a importância do momento histórico que a Europa vivia. Sem contar que as falas lindas e bem estruturadas de Shakespeare não aparecem nem pra dar um oizinho.

Algumas das principais mudanças é quanto a grande participação de Falstaff (Joel Edgerton), que originalmente tinha um papel bem menor e menos significativo na história. Talvez essa alteração venha pelo fato de que Edgerton foi um dos roteiristas e resolveu colocar seu personagem como um interessante contraponto moral para Hal.

A junção das peças também não contribui com o crescimento de Henrique V. Ele passa de garoto festeiro em rei responsável em um segundo, enquanto na literatura ele tem três livros para isso, ou seja, uma evolução muito mais humana e orgânica. Chalamet, o novo queridinho de Hollywood, tenta trazer uma seriedade ao personagem, mas ele não se desenvolve.

Aliás, a própria escalação do ator foi uma diferença em relação as diversas adaptações já feitas da história, já que o personagem tem uns 30 anos quando assume o reino. Kenneth Branagh e Tom Hiddleston (#VemLoki), para você ter uma comparação, encararam o papel em 1989 e 2012, respectivamente. Mas foi uma escolha interessante para trazer a inexperiência e juventude de Hal.

Algo positivo nesse reinado?

Por outro lado, vale destacar positivamente algumas coisas, como a participação de Robert Pattinson e Lily-Rose Deep. O primeiro arrasa como o príncipe sarcástico da França, mas o seu sotaque é capaz de arrancar uns risos do público. No papel de Catarina de Valois, Deep (sim, ela é filha do Johnny Deep), merecia mais tempo na tela.

A sequência da lamacenta Batalha de Azincourt é bem filmada e deixa o espectador agoniado durante o confronto, com soldados sendo afogados na lama, gente escorregando e não conseguindo se levantar.

O Rei deixa a desejar e não faz jus as expectativas dadas pelas notas recebidas no IMDB e no Rotten Tomatoes. Mas que tal vocês conferirem o filme na Netflix e contar o que acharam?

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Nota:
7.1
Nota:
O bom
  • Atuações de Robert Pattinson e Lily-Rose Deep
  • Sequência da batalha
O ruim
  • Não é fiel as obras de Shakespeare
  • Roteiro sem contextualização
  • Desenvolvimento ruim do personagem Henrique V
  • Direção
    7
  • Roteiro
    7
  • Elenco
    7.5
  • Produção/fotografia
    7
Categorias
CriticasFilmes

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