Confira nossa crítica de Obsessão, filme dirigido por Neil Jordan com Chloë Grace Moretz, Maika Monroe e Isabelle Huppert no elenco. Crítica sem spoilers

CRÍTICA | Obsessão - um thriller cheio de surpresas e tensão

Confira nossa crítica de Obsessão, filme dirigido por Neil Jordan com Chloë Grace Moretz, Maika Monroe e Isabelle Huppert no elenco. Crítica sem spoilers...

Obsessão traz Neil Jordan de volta ao cinema

Fazia tempo que o irlandês Neil Jordan não brindava o cinema com sua visão de relacionamentos fantásticos e bizarros. Seu ultimo filme antes de começar a trabalhar com projetos para a telinha como Os Bórgias e Riviera, foi o filme de vampiros Byzantium – Uma Vida Eterna em 2012. Até aparecer uma ideia interessante como Obsessão (Greta) que ele também ajudou a escrever ao lado de Ray Wright.

Obsessão

De vampiros modernos, Jordan decide mergulhar numa narrativa conhecida da obsessão que as pessoas tem por outras pessoas, especialmente quando elas tem em comum a solidão. É o que acontece com Frances (Chloë Grace Moretz, de A Invenção de Hugo Cabret), que divaga a caminho do trabalho num restaurante em Nova York, a dor que sente pela morte da mãe no ano anterior.

Sua distração é atraída por uma bolsa deixada no acento do vagão do metro. Ao levar para o apartamento que divide com a amiga Erica (Maika Monroe, de A Quinta Onda), Frances descobre que a bolsa pertence a Greta Hideg (Isabelle Huppert, de A Professora de Piano), uma senhora que também é uma pessoa solitária que sofre pela perda do marido.

Ao devolver a bolsa, Frances sente algo diferente em relação a Greta, algo próximo ao sentimento de uma pura amizade, algo que ela tinha com a falecida mãe. As duas tornam-se amigas, até que numa bela tarde, ao procurar velas para adornar a mesa de jantar de Greta, Frances faz uma descoberta assustadora: o armário está cheia de bolsas similares à que achou no metrô. Qual o próximo passo em relação a essa assustadora verdade?

Ao acompanhar o desenvolvimento da trama, há uma sensível divisão dos sentimentos em relação à Greta. Ela, afinal, é uma pessoa solitária e tenta usando o recurso da bolsa perdida um meio de encontrar uma amizade nova que aplaque a solidão que sente todos os dias. Frances, por sua vez, se sente traída e se afasta radicalmente do convívio de Greta, o que deixa a mulher ainda mais obcecada em ficar ao lado da garota.

Obsessão não é um simples filmes de abuso e abusadores. Jordan usa essa complicada relação para mostrar que mesmo os sentimentos mais nobres podem ser deturpados e até mesmo, violentos, como Frances vai descobrir da forma mais assustadora. A triste ingenuidade da personagem, muito bem trabalhada por uma Chloë que será num futuro bem próximo, com certeza, uma tremenda atriz, muda radicalmente quando tem que confrontar seus sentimentos de decepção e medo, reunidos na estranha relação que tem com Greta.

Isabella Ruppert por sua vez, não faz caras e bocas para interpretar essa personagem que tem problemas de relacionamento ao mesmo tempo que busca um jeito de resolvê-los. É claro que isso significa revelar ao mais denso e sombrio que a personagem traz para a tela, algo que é demonstrado em cada momento em que essa talentosa veterana do cinema francês está em cena.

Obsessão nas mãos de alguém que gosta da dualidade de sentimentos como Neil Jordan já mostrou no passado, é um delicioso suspense, que tem seus pequenos defeitos, mas que não comprometem o resultado final. Fica a lição sobre achar objetos em lugares públicos: entregue para uma autoridade antes de ter sua vida virada de ponta cabeça por um agradecimento exagerado.

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Nota
9.3
Nota
O bom
  • Como é bom ver que a criança talentosa está se transformando numa mulher talentosa: Chloë Grace Moretz.
  • O toque europeu com Isabelle Ruppert dá um charme especial ao filme.
  • Sim, tem uma virada na meia hora final do filme e é muito bem vida.
  • Direção
    9
  • Roteiro
    9
  • Elenco
    10
  • Enredo
    9
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CriticasFilmes

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