CRÍTICA |Ouija – A Origem do Mal: sutileza e bons efeitos marcam este terror

Um terror leve, impactante, que faz o que se propõe:  Ouija – A Origem do Mal vai contra a maré sanguinolenta e mostra uma “pegada” mais vanguardista Ouija – A...

Um terror leve, impactante, que faz o que se propõe:  Ouija – A Origem do Mal vai contra a maré sanguinolenta e mostra uma “pegada” mais vanguardista

Ouija – A Origem do Mal está chegando aos cinemas e já conferimos o material para palpitar. E o diagnóstico é positivo! Não tem nada de banhos de sangue, de mortes a rodo, sustos para dar e vender. O roteiro toma seu tempo para apresentar as personagens, quem são e introduzem o sobrenatural de maneira fluída, leve e natural.

Estamos nos anos 60, em um território conhecido: a casa que vimos em Ouija – O Jogo dos Espíritos (2014), mas originalmente posse da família Zander: Alice (Elizabeth Reaser) – ou Madame Zander-, Paulina (Annalise Basso) e Dóris (Lulu Wilson). As duas últimas já tivemos o prazer da companhia em 2014 (ou nem tanto assim…). Para pagar as contas, Alice assume a persona de Madame Zander, uma ocultista, leitora de mãos, médium em sessões espíritas, charlatã. Lina e Dóris ajudam a mãe, que acredita que proporciona a chance de parentes se despedirem de seus entes queridos, uma chance que nem ela e nem as filhas tiveram com o pai, Roger.

Lina descobre um jogo que pode ajudar a deixar as sessões mais interessantes e chamar mais atenção da clientela. Sim, senhoras e senhores, o tabuleiro Ouija. Antes de “brincar” com ele devemos prestar atenção em três regrinhas básicas:

– Nunca jogue sozinho

– Nunca jogue em um cemitério

– Sempre se despeça no final, “good bye

Alice começa a incorporar esse jogo em suas sessões sem acreditar em nada. Afinal, é só um jogo, certo? Só que Dóris acredita e resolve brincar sozinha… Lá se vai a regra número 1. Quem viu o primeiro filme já sabia, mas Dóris e Alice acabam despertando algo na casa… E a menina é usada como receptáculo para as diferentes vozes aprisionadas por lá.

Você, como mãe, o que faria?

A-) Proibiria a menina de brincar com o tabuleiro

B-) Chamaria um padre para benzer a casa

C-) Tentaria um exorcismo

D-) Exploraria esse “dom” e usaria a menina para atender clientes

Se respondeu A, B ou C, parabéns! Você é uma mãe/pai normal. Claro que Alice escolheu a D, né? E assim, seja lá o que for que está usando a menina se fortalece e é aí que a porca começa a torcer o rabo!

De novo, quem viu o filme de 2014, já sabe o babado que acontece. O legal é ver como a família chegou a esse ponto e nisso o roteiro acerta em cheio, respeitando o que já vimos antes (achamos um pequeno “furo”, que muda um pouco como as coisas deveriam acontecer no futuro, em 2014) e a sequência de fatos e elementos são bem bacanas.

– Usam o mesmo tabuleiro no Ouija – O Jogo dos Espíritos e em A Origem do Mal;

– É bacana que mantiveram as mesmas palavras para começar o jogo;

– O espírito se apresenta da mesma forma nos dois filmes: “Hi, Friend“, fazendo com que …

– … O comportamento da entidade se mantenha fiel neste filme, também quando ele ordena que a pessoa faça algo, que envolve cordas…;

– Tem um elemento clássico no primeiro filme: queimar o raio do tabuleiro e ele aparecer do nada de novo. Isso faz parte da mitologia do Ouija, sendo explorado em outros filmes com essa temática, mas é bacana enfatizarem isso no prólogo também;

– Respeitaram os efeitos que demonstram quando a pessoa está “assombrada”…;

– Os planos que mostram a fachada da casa são similares, fazendo com que ambos os filmes acompanhem uma linearidade cinematográfica – os dois estão no mesmo universo e isso fica claro pelo estilo de filmagem;

– O local preferido dos personagens para jogar no tabuleiro é o mesmo, seja em 2014, seja na década de 1960.

E, em ambos os filmes, temos personagens femininas fortes que lidam com o mesmo problema: a morte de alguém amado e querer a oportunidade de se despedir. Ok, seria bacana um viés diferente, mas é para isso que normalmente o tabuleiro é usado: falar com ente querido que foi dessa para melhor (ou não). Isso traz um certo sentimentalismo que enrique a trama, torna os personagens mais humanos. E marca quando eles não são mais.

Dóris começa como uma criança doce, que não entende muito bem o que a mãe faz, mas acredita que é real. Ela é afetada pela casa, pelos espíritos, pelo jogo e seu comportamento muda de tal forma que não vemos mais a criança. Lulu está de parabéns, vamos confessar.

Apesar de achar que 2016, é o ano de usar crianças como receptáculos do mal, pelo menos a qualidade do roteiro e da linearidade compensam o fato de termos que ver, mais uma vez, uma criança ser usada em tal papel. A falta de um “final feliz” (já sabemos disso desde 2014, pelamor) também é legal, um revés ao estilo A Chave Mestra (2005) e tendência do terror.

Ouija – A Origem do Mal chega dia 20 de outubro nos cinemas com muita qualidade e terror estilo 1970. Alguém quer brincar?

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