CRÍTICA | Paterson – Uma análise sensível sobre a alma do poeta

Em Paterson, Jim Jarmusch explora a alma do artista  Paterson (Adam Driver) é um pacato motorista de ônibus na sua cidade natal também chamada Paterson. Sua rotina diária é...

Em Paterson, Jim Jarmusch explora a alma do artista 

paterson-01Paterson (Adam Driver) é um pacato motorista de ônibus na sua cidade natal também chamada Paterson. Sua rotina diária é bastante repetitiva e sem grandes surpresas. Ele acorda, prepara seu café da manhã, vai para o trabalho, volta para casa, janta, leva seu cachorro para passear, toma uma única cerveja no seu bar favorito e volta para dormir. Sua única “excentricidade” é um caderno, onde ele escreve poemas durante suas horas vagas e intervalos. Ao longo do filme, acompanhamos cada dia de uma semana na vida do simpático rapaz.

Tanto Paterson, a pessoa, quanto a cidade não possuem características marcantes. A cenografia, bastante restrita, busca explorar apenas o mundo das ruas e trajetos que o protagonista segue diariamente. Eis a grande sacada do diretor Jim Jarmusch, que foge dos clichês de filmes que exploram grandes artistas como almas perturbadas, submissas à vícios e com uma grande necessidade de autodestruição. Paterson cria belos versos a partir do mundano, seu mundo, para leigos, não há nada de especial, e exatamente por isso, seus poemas são tão belos e raros – sua inspiração vem de objetos e vistas do cotidiano e conversas com seus amigos e vizinhos. A beleza está no olho de quem vê, e para este motorista de ônibus, tudo é belo.

Mesmo assim, ele não almeja ser um grande autor. Sua esposa Laura (Golshifteh Farahani) raramente sai de casa e dedica todo seu tempo pintando, costurando, cozinhando e investindo em diversas empreitadas criativas com o sonho de um dia se tornar uma grande artista. Ela impulsiona seu marido a pelo menos tirar fotocópias do seu caderno para preservar suas poesias, mesmo assim, ele insiste em se autodenominar como um simples motorista de ônibus.

A obra de Jarmusch busca explorar a arte em sua forma mais fundamental, como um exercício de reflexão do criador para ele próprio. Paterson não tem interesse em ter sua obra reconhecida e sua vida jamais será digna de uma grande biografia inspiradora repleta de drama. Talvez por isso ele se torne um protagonista tão cativante, mostrando que para criar algo belo, basta apenas querer.

O longa estreia dia 20 de abril em 13 cidades do país: Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Santos, Batatais, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, João Pessoa, Fortaleza, Recife e Salvador.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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