[CRÍTICA] Perdido em Marte – Uma ficção científica que poderia ser real

Perdido em Marte Ridley Scott deixa o drama de lado e investe em realismo Perdido em Marte é o novo longa do diretor Ridley Scott (Blade Runner, o Caçador...

Perdido em Marte
Ridley Scott deixa o drama de lado e investe em realismo

perdido-em-marte-ridley-scott-critica-freakpop-matt-damon-03Perdido em Marte é o novo longa do diretor Ridley Scott (Blade Runner, o Caçador de Andróides, Gladiador, Prometheus, Êxodo: Deuses e Reis) baseado no livro de mesmo nome do autor Andy Weir, com adaptado de Drew Goddard (Guerra Mundial Z). Estrelado por Matt Damon e grande elenco, o filme retrata a história do astronauta Mark Watney (Damon) que é deixado para trás após um acidente espacial durante uma missão de exploração da NASA em Marte. Sozinho, sem suprimentos e meios de comunicação com sua equipe e base, o biólogo Damon inicia uma interessante jornada de sobrevivência em Marte. Com um tom de documentário informal, Perdido em Marte consegue sustentar a ideia de como seria uma extensa experiência no planeta vermelho de forma primorosa.

Enquanto acompanhamos a engenhosa e dinâmica adaptação de Mark no planeta, o contraste do filme fica por conta das decisões da diretoria da NASA e da equipe de Mark, que já está a caminho da Terra há dois meses. Incertos sobre a eficiência plano de resgate, e receosos pela reputação da NASA em resolver o dilema, a trama se equilibra muito bem em uma manobra arriscada, detalhista e de altíssimo impacto social na Terra. De forma muito natural e sem ser pedante, questões culturais, religiosas e econômicas surgem para compor os núcleos de personagens até a aflitiva espera de resolução sobre a vida de Watney. Perdido em Marte foi adaptado de forma simplista, realista e de bom gosto.

Com uma intrigante história, a direção de Ridley Scott deixa de lado sua recorrente assinatura dramática para trabalhar humor, diálogos irreverentes e reviravoltas dignas de perder o fôlego. Porém, o resultado do filme como um todo deixa um gostinho amargo pela ausência de intensidade e empatia com as personagens que a audiência está acostumada a sentir nos longas do diretor. Seria este elemento proposital? Independentemente da sensibilidade do telespectador quanto a isso, o filme consegue prender a atenção e estabelecer  uma linha concreta entre o científico e o imaginário que outros filmes, como Interestelar, Armageddon e Impacto Profundo, sofrem para equilibrar.

Jessica Chastain é um dos grandes destaques do filme. Como comandante da equipe de Watney, sua personalidade fria, determinada e inspiradora, assume as principais e polêmicas decisões que envolvem a vida do pobre astronauta. É reconfortante Scott novamente trazer às telas uma heroína espacial durona e marcante. Bem, depois de Alien – O Oitavo Passageiro, o diretor sabe muito bem como criar uma personagem assim. O ano é das mulheres! Melissa Lewis (Chastain), Beth Johanssen (Kate Mara), Rick Martinez (Michael Peña), Alex Vogel (Aksel Hennie) e  Chris Beck (Sebastian Stan), formam una sólida e integrada equipe espacial que sustenta a trama minuciosamente retratada por Ridley Scott.

Já em solos terráqueos, Teddy Sanders (Jeff Deniels) é o diretor que teme em transformar o resgate em uma catástrofe ainda maior. Mitch Henderson (Sean Bean) assume riscos mortais colocando a própria carreira na mira de Plutão, enquanto isso, Venkat Kapoor (Chiwetel Ejiofor), Rich Purnell (Donald Glover), Annie Montrose (Kristen Wiig), Mindy Park (Mackenzie Davis) e Brendan Hatch (Jonathan Aris) seguram as pressões políticas internacionais e públicas sobre o resgate de Watney. O conflito desde núcleo é crucial para o sucesso da missão.

Perdidos em Marte poderia ser mais emocionante? Sim, mas o filme é justo e honesto em sua adaptação bibliográfica e passa longe de clichês teatrais que forçam os telespectadores a se importar. O visual do filme é impecável e proporciona uma imersão em Marte muito além da expectativa. A ausência de uma trilha sonora instrumental marcante penaliza algumas boas cenas de ação e tensão, mas nada que uma boa e conhecida disco music não resolva para quebrar o ritmo e embalar os momentos cômicos. Vale se atentar à reação da imprensa e como a problemática se torna uma manifestação mundial em prol do resgate de Mark e o quanto isso se assemelha a acontecimentos reais que o mundo tem acompanhado. Mais um ponto positivo para o roteirista e o diretor.

Vale a pena assistir Perdidos em Marte nos cinemas? Com toda certeza! O filme em 3D amplia a experiência e torna o longa um dos melhores blockbusters de 2015. O filme estreia dia 1 de Outubro no Brasil.






Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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