Netflix Perdidos no Espaço Temporada 1

CRÍTICA | Perdidos no Espaço - Primeira Temporada na Netflix

Danger, Will Robinson!

Perdidos no Espaço na Netflix reinventa a icônica série dos anos 60

Não sei se existe uma lógica em refazer séries conhecidas e clássicas de outras décadas para o século 21, sem bater de frente com a ideia de falta de criatividade ou da perspectiva de que, se der certo, tudo bem. Gosto de pensar que trazer uma série clássica para os dias é dar a oportunidade das novas gerações de conhecer algo que foi cativante na época, mas com parâmetros modernos. Este é o caso de Perdidos no Espaço da Netflix.

Antigas ideias, novos conceitos

É o que aconteceu, por exemplo, com a nova série Star Trek Discovery, na Netflix. A história se passa poucos anos antes da tripulação clássica da USS Enterprise, mas a tecnologia que vemos dentro das naves são modernas como a dos novos filmes feitos por JJ Abrams. Tudo se resume a uma simples palavra: conceito.

Pegue-se o conceito original da série e coloque-o hoje, e veja o que acontece. Foi assim que nasceu a nova versão de Perdidos no Espaço. O conceito não é novo: começa com Robison Crusoé, passa pela Família Robinson Suiça e chega aos Anos 60 com a produção assinada por Irwin Allen, Perdidos no Espaço.

A ideia da série inicialmente era mostrar como a primeira família de exploradores do espaço se desviava de sua rota original para Alpha Centauro, onde começaria a primeira colônia terrestre, ficando à deriva no espaço. Eles enfrentariam os mais complicados problemas de sobrevivência e viveriam as aventuras episódio a episódio. Durou três anos e Perdidos no Espaço virou cult. Durante sua exibição original, a série frequentemente batia Jornada nas Estrelas em termos de audiência.

A nova primeira temporada de Perdidos no Espaço

A nova produção o conceito de ficar perdido no espaço ganha um contorno maior pela ideia original. Depois que um meteoro cai na Terra ameaçando a sobrevivência no planeta, ir para Alpha Centauro é uma prioridade. Todas as nações ajudam a construir uma enorme nave batizada de Resolute, que abrigará várias outras naves chamadas de Jupiter, construídas para levar as famílias de colonos para o novo lar espacial.

Mas no meio do caminho, e isso sim foi a grande sacada da série, acontece um acidente com a Resolute que libera varias Jupiter para pousarem num planeta próximo. Uma delas é a Jupiter 2, que leva a família Robinson: John (Toby Stephens), Maureen (Molly Parker), e os filhos Judy (Taylor Russell), Penny (Mina Sundwall) e Will (Maxwell Jenkins). E claro, chegam ao planeta causando.

Nova familia

Outra coisa boa da nova série é que os Robinson não são a família certinha dos anos 60. Quem lidera a expedição é Maureen, cientista chefe que ajudou no projeto Resolute. John, ex-militar, volta pra casa para ajudar nessa mudança radical de planeta, mas tem problemas de se relacionar com seus filhos, especialmente o pequeno Will, o único que está desconfortável com sair da Terra.

Toda essa tensão inicial é apenas o preludio do que está para acontecer, quando Will salva um robô alienígena, tornando-se seu guarda costas e amigo. A ligação entre eles será a chave para o segredo básico do que está por trás do projeto Resolute. Algo nunca imaginado para a série anterior.

‘Nada tema, com Smith não há problema’

Ah sim, vamos falar do vilão, melhor dizendo, da vilã da série. A dra. Smith (Parker Posey) é tudo o que se pode imaginar de um bom vilão de seriado, covarde, medrosa, mas ao mesmo tempo manipuladora ao extremo para conseguir sobreviver, mesmo que tenha que conviver com pessoas que detesta.

A receita de uma boa série está aí. Com dez episódios, Perdidos no Espaço soube respeitar a série Clássica, tirando a poeira do conceito original e levando a família Robinson para um lugar onde nenhum homem jamais esteve…

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Autor de dois livros, um sobre Série e outro sobre Desenhos Animados, Paulo Gustavo Pereira é jornalista há 34 anos, tem uma vasta experiência em reportagens, é editor-chefe do site BesTV e fã de carteirinha de Jornada nas Estrelas. Aqui na Freakpop, Gus – para os mais íntimos – dará muitas dicas bacanas sobre séries.

Nota
10
Nota
The Good
  • Parker Posey como Dra. Smith é brilhante, assustadora e manipuladora, melhor impossível.
  • A família disfuncional e miscigenada é um dos grandes pontos positivos da série.
  • Maxwell Jenkins que interpreta Will Robinson está perfeito em sua insegurança, um estranho num lugar estranho.
  • Direção
    10
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    10
  • Enredo
    10
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