[CRÍTICA] Perfeita é A Mãe! – Vem cá, mamãe: vamos bater um papo bem sério?

Em Perfeita é A Mãe! expectativa e realidade duelam de forma divertida Perfeita é A Mãe! é um filme particularmente único. O que poderia ser um tremendo fracasso, por lidar...

Em Perfeita é A Mãe! expectativa e realidade duelam de forma divertida

perfeita-e-a-mae-critica-freakpop-3Perfeita é A Mãe! é um filme particularmente único. O que poderia ser um tremendo fracasso, por lidar com maternidade, resulta em um filme original e extremamente divertido. Bem, para começar, o longa reúne um time de atrizes que não brincam em serviço, ou talvez sim.

Mila Kunis, nossa protagonista, é uma mãe, esposa e empresária de 32 anos que tem dois filhos, uma jovem CDF de 12 anos e um meninão de 10 anos mimado ao extremo. Amy Mitchell está sempre atrasada. A trama começa com ela, e a audiência, cansados com a sua correria desde o café da manhã até as diversas atividades extracurriculares de seus filhos, enquanto seu marido… Tira uma soneca porque teve um dia pesado como corretor de imóveis. Somado aos olhares críticos das outras mães que a julgam por estar sempre atrasada é que o filme estabelece sua problemática.

Arrasada de sempre chegar tardiamente aos compromissos pessoais, dos filhos, do trabalho e da vida pseudossocial, Amy percebe que seu dia a dia requer mudanças, a começar pelo casamento. O maridão dá um bom e realístico motivo para tomar um belo pé na bunda e é neste momento que Amy fica muito amiga de Kiki (Kristen Bell), uma mãe submissa ao marido – bela, recatada e do lar – de quatro filhos, e Carla Dunkler (Kathryn Hahn), uma mãe solteira depravada assanhada.

Após uma das melhores cenas de bebedeira – que começa em um bar e termina em um supermercado – entendemos que essas mães não estão cansadas de serem mães, e sim da falta de tempo para cumprir com todas as atividades que a vida moderna de seus filhos exige. O peso de uma sociedade conectada, saudável, fitness, inteligente e diferenciada pesa nessas mães mais do que em suas próprias crias. Não são só as pressões de um bom colégio para, futuramente, render uma excelente faculdade, mas sim o que eles fazem nas horas livres, idiomas que dominam, livros que são lidos, atividades físicas exercidas, o que come, o que bebe, o que engorda, o que emagrece e etc. Além disso, graças a mente mais aberta da nossa sociedade, a mãe de hoje ganhou seu espaço por quem ela é, e ainda precisa viver no coletivo – ao lado de seus filhos – para serem respeitadas por suas classes sociais, gênero, sexualidade e  posição política. É leitor: o tal mundo globalizado faz qualquer mamãe por aí surtar! Em nenhum momento o filme critica ou zomba da ideia de ser mãe ou mulher, apenas oferece um gostoso escape para mães que as vezes gostariam de uma folga das milhares de exigências que acompanham a maternidade. O roteiro toma um cuidado particular para não posicionar Amy como uma mãe negligente, mesmo quando decide curtir um pouco mais a vida.

Como antagonista dessas três mulheres temos Gwendolyn James (Christina Applegate) como a típica madame rica que se importa mais com a sua aparência e influência do que com o seu filho. Algo como uma versão mais atualizada da personagem Sra. X (Laura Linney) em O Dário de uma Babá (2006). Durona, metida e casca-grossa, ela é a presidente da Associação de Pais e Professores da escola. Manipuladora e detentora de uma capacidade irritante de fazer um discurso de duas horas sobre receitas de bolinhos, Amy e suas amigas provocam aversão na magnata que acaba sendo desafiada na próxima eleição e está prestes a perder o seu cargo.

Kiki e Carla, enquanto aprendem a lidar com o tipo de mães que elas são, ajudam Amy a voltar “pra pista”, leia-se: transar com um gostosão e curtir a vida, enquanto se prepara para ser a líder das mães. Com excelentes piadas e ritmo frenético, Perfeita é A Mãe! se estabelece como um aliviante respiro para a audiência e finca a bandeira de: Você não é uma péssima mãe, talvez precise, apenas, saber ser mãe e mulher!”.

Perfeita é A Mãe! pode ser um chute no saco dos pais e dos homens. O longa é 90% focado na mulher, mas pincela importantes pontos sobre o papel do pai nessa bagunça toda. Ajudar a esposa, ver o quanto ela está sobrecarregada, ser um pai divorciado presente, ser amigo, amante ou parceiro, são diferentes posturas apontadas nos diálogos das personagens. Uma boa sacada para não precisar enfiar um monte de ator para dividir a atenção com os músculos torneados de Jessie (Jay Hernandez). Sim, ele é suficiente. E para público macho, fica aqui um singelo convite para curtir, compreender e, porque não, aprender um pouco sobre o universo da mulher enquanto mãe. Machismo tá bem fora de moda.

No final das contas, essa deliciosa comédia faz qualquer um dar risada. É impossível não se identificar com as personagens: elas são realmente cativantes e, de novo, realísticas. Não espere o drama da mulher recém-divorciada, da dona de casa, da solteirona, da mal comida, da superficial e da rica ou da empresária, Perfeita é A Mãe! melhora esses cansados clichês das comédias românticas para mostrar que antes de mãe elas são humanas e suas reviravoltas surgem como uma brisa fresca em um gênero fadado da maldita receita de bolo onde a mulher é a vitima e, da foma mais superficial possível, ela alcança o “final feliz”.

O longa estreia dia 11 de agosto. Roteirizado e dirigido por Jon Lucas e Scott Moore (responsáveis pela trilogia Se Beber, Não Case!), deixe as crianças e seus respectivos pares em casa e leve as amigas para o cinema!

Küsses

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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