[CRÍTICA] Peter Pan – A Terra do Nunca não é a Terra da Originalidade

Peter Pan é o novo longa do diretor Joe Wright Muito se discute sobre os problemas atuais do cinema: os orçamentos gigantescos, o abuso da computação gráfica, a obsessão...

Peter Pan é o novo longa do diretor Joe Wright

peter-pan-joe-wright-hugh-jackman-garret-hedlund-rooney-mara-levi-millerMuito se discute sobre os problemas atuais do cinema: os orçamentos gigantescos, o abuso da computação gráfica, a obsessão por criar filmes de olho em continuações, o uso de profecias e destino para facilitar o roteiro, criar origens exageradas para premissas simples, enfim, muitas reclamações para uma época onde mais longas decepcionam do que empolgam. Peter Pan é o tipo de filme que funciona como um guia sobre como NÃO fazer um filme. Uma espécie de anti-Mad Max por assim dizer.

“Inspirado” na peça de teatro e livro de J.M. Barrie, este longa busca criar uma origem mais elaborada para o personagem. Na trama, Peter (Levi Miller) vive em um orfanato plagiado de Oliver Twist em Londres durante a Segunda Guerra Mundial. Em meio às suas traquinagens, descobre que a Freira Malvada Que Controla o Orfanato™ ganha moedas de ouro para cada órfão que é entregue a piratas que voam em navios. As crianças são raptadas e levadas para a Terra do Nunca, onde são forçadas a trabalhar para o Capitão Barba Negra (Hugh Jackman). Naturalmente, por ser 2015, Peter não é um protagonista comum, e sim, o herói de uma profecia (zzz….), destinado a derrotar Barba Negra e libertar a Terra do Nunca de sua tirania (zzz….). Em sua jornada, vira amigo do jovem James Hook (Garrett Hedlund – em sua melhor tentativa de mesclar Han Solo com Leonard McCoy) e da Princesa Tigrinho (Rooney Mara), que em típica regra de cinema moderno, precisa ser uma mistura de ninja-líder-guerreira, só que sem personalidade.

Evidentemente, o projeto do filme seria estabelecer este universo para criar uma nova franquia no cinema, e como quase sempre é o caso, Peter Pan terminou com uma narrativa desastrosa. Apesar do uso e abuso de computação gráfica, não há nenhum momento particularmente inovador ou sinceramente, bem feito, com cenas renderizadas parecendo cortes de Playstation2, tudo isso com um roteiro sem substância ou surpresas. Hugh Jackman se esforça para entregar uma boa atuação, mas seu personagem simplesmente não funciona, sua motivação é fraca, sua caracterização é rasa e sua presença no filme é esquecível. Os três protagonistas têm pouquíssima química entre si, e por mais que Hedlund se esforce para marcar presença no longa, fica abafado em meio às incontáveis cenas exageradas e efeitos especiais forçados para esbanjar o orçamento astronômico filme.

Peter Pan tem na cadeira de diretor, Joe Wright, que conta com um currículo invejável de filmes aclamados (Orgulho & Preconceito, Desejo e Reparação, Anna Karenina), mas nenhum projeto que indica que ele estaria apto a trabalhar com um orçamento de 150 milhões de dólares. Hollywood esqueceu dos filmes de médio porte, rapidamente escalando diretores pequenos para projetos imensos, talvez seja a hora de repensar um pouco essa fórmula? Precisamos mesmo de mais um episódio a la Quarteto Fantástico? Nossos cérebros agradecem.

Peter Pan estreia dia 8 de Outubro nos cinemas.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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