[CRÍTICA] Pixels – A versão cinematográfica de um aterro sanitário

Pixels, o filme que seria estúpido em 1995, mas é totalmente irrelevante em 2015 Pixels, o novo crime contra a humanidade de Adam Sandler, mostra o mundo dos games...

Pixels, o filme que seria estúpido em 1995,
mas é totalmente irrelevante em 2015

Pixels, o novo crime contra a humanidade de Adam Sandler, mostra o mundo dos games na visão de uma vítima de traumatismo craniano. O que deveria ser um plágio preguiçoso de um episódio de Futurama, acaba sendo um exercício de paciência e tolerância. Neste câncer em celulóide, Sandler interpreta um vice-campeão de Donkey Kong que junto com seus amigos perdedores nerds se tornam a última linha de defesa da Terra contra alienígenas, que interpretaram um vídeo enviado para o espaço – mostrando games antigos – como uma declaração de guerra. Como retaliação, os alienígenas enviam armas e personagens baseados em games de fliperama da década de 80 para destruir o planeta em uma competição com regras completamente sem nexo.

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Primeiramente, vamos falar da temática central. Boa parte do “humor” do filme se sustenta em explorar como os perdedores são a última esperança dos soldados machões atléticos. Essa dinâmica entre nerds e valentões é tão relevante para os dias de hoje quanto um rebobinador de DVD. Boa parte do primeiro ato gira em torno de mostrar para audiência que ser bom em vídeo games é um talento completamente inútil. Fica claro que ter conhecimentos aprofundados sobre uma indústria multi-bilionária, que já tem aplicações até mesmo nas áreas de motivação corporativa e educação, é completamente irrelevante. É como se Pixels fosse feito exclusivamente para animais silvestres e para a audiência da RedeTV!.

Pixels não consegue se sustentar nem pela sua própria lógica interna. Cada “batalha” é baseada em um game diferente, em algumas os humanos fazem o papel do herói, em outras o papel do vilão, e as vezes, só porque o ódio deste filme pela sua audiência beira o sobre-humano, alguém consegue usar códigos de trapaça (sem nenhuma explicação). Personagens dos games entram para o lado dos heróis simplesmente porque, no meio do festival de arremesso de fezes que foi a elaboração do roteiro, alguém achou que seria divertido colocar Q*Bert como um mascote e alívio cômico.

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© 2015 Sony Pictures Releasing GmbH

Sabe todas aquelas discussões sobre garotas gamers e falta sua falta de representação no meio? Que tal um personagem ser completamente apaixonado por uma mascote virtual de um game fictício, ele se declarar para ela e esta se tornar completa e totalmente apaixonada por ele? E pior: sem dizer uma única palavra?!? E só para mostrar o quanto este filme pretende regredir qualquer causa social moderna, ela deixa de ser Pixelada só para todos verem como a atriz é gostosa. Sabia que esta personagem é a terceira personagem feminina do longa inteiro? Pois é… Ah, e aqui vai um spoiler, Q*Bert só entra em cena porque é um troféu da vitória de uma batalha, pelas regras, cada vitória leva uma pessoa do lado perdedor como troféu. No final do longa, ele se transforma na personagem paixão de um dos personagens para ficar com ele. Sim, o filme tem literalmente, uma “mulher troféu”.

© 2015 Sony Pictures Releasing GmbH

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Pixels é o tipo de filme que não é só ruim, é ruim para a sua saúde. Adam Sandler mal consegue esboçar uma reação, você acharia que seu salário astronômico seria o suficiente para tirá-lo da apatia, mas ele atua o filme inteiro como se consumisse exclusivamente morfina. A direção, que aqui teria algo a dizer, considerando que é um longa do Chris Columbus, poderia ser interessante, mas até o diretor de Gremlins e Esqueceram de Mim preferiu produzir essa atrocidade com todo o interesse de um sonâmbulo dopado de Naldecon Noite. Até o mesmo o sensacional Peter Dinklage, de longe, o único brilho de talento nesta perda de tempo inteira, parece mal utilizado.

© 2015 Sony Pictures Releasing GmbH

© 2015 Sony Pictures Releasing GmbH

A grande verdade é que este Scott Pilgrim para imbecis não tem nem um público. Fã de games não se identificarão com os protagonistas perdedores e a premissa cretina.  O público que ainda acha graça em Adam Sandler não vai ver graça em referências de games que hoje já são obscuros. A audiência, cujo QI só permite que se divirtam com cores e barulho, vai ficar incomodada com cenas onde a narrativa tenta desesperadamente ser coerente e não tem nenhum tipo de diarreia visual para animar.

Sinceramente? Este filme faz Detona Ralph parecer Divertida Mente. Pixels estreia dia 23 de Julho nos cinemas nacionais.

Até a próxima.

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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