[CRÍTICA] Porta dos Fundos: Contrato Vitalício…que já pode ser desfeito!

Porta dos Fundos: Contrato Vitalício Do sucesso da web para um desastre cinematográfico Depois de anos de sucesso, com seus esquetes curtos, ácidos, engraçados e altamente críticos, o grupo...

Porta dos Fundos: Contrato Vitalício
Do sucesso da web para um desastre cinematográfico

porta-dos-fundos-contrato-vitalicio-critica-freakpop-1Depois de anos de sucesso, com seus esquetes curtos, ácidos, engraçados e altamente críticos, o grupo Porta dos Fundos invade os cinemas nacionais com um grande desafio: um filme de 100 minutos. Logo de cara, estender o tempo em tela e sustentar o humor do grupo são os dois elementos que ampliam a expectativa de quem é fã. Será que dá certo? Será que eles têm fôlego? A resposta, caro leitor, é não. Não só não tem fôlego, como a criatividade foi água abaixo.

O canal Porta dos Fundos é reconhecido, por seus mais de 12 milhões de seguidores, como um canal que não tem medo de falar de politica, homossexualidade, jornalismo e celebridades. Desde um dos primeiros vídeos do canal, onde um executivo trabalha como travesti para comprar bolachas para os seus filhos, aos clássicos “macaco de bola azul é que manda nessa porra toda” e famosa”Judith, sua puta!”, o grupo foi alvo de elogios e xingamentos, aliás, ainda são. Em sua versão para o cinema, as críticas talvez são mais negativas do que… bem, são negativas.

Porta dos Fundos: Contrato Vitalício conta a história de um diretor, Miguel (Gregório Duvivier) e seu astro de cinema, Rodrigo (Fábio Porchat), que durante uma bebedeira em Cannes assina um contrato vitalício com o Miguel. O diretor, por sua vez, é abduzido e some do planeta Terra por 10 anos. Ao retornar, ele quer gravar um filme sobre sua experiência com extraterrestres. Rodrigo, que está curtindo um certo sucesso e almejando investir em teatro, se vê preso ao diretor e suas ideias loucas que, certamente, os levarão à ruína.

Ao longo dos 100 minutos, acompanhamos um grupo de produtores, staff e elenco altamente envolvidos com o roteiro megalomaníaco do Miguel e um ator, o protagonista, completamente desesperado. De mendigos auxiliares, a absurda preparadora de elenco, o longa pincela crítica ao meio cinematográfico com piadas pejorativas, transfóbicas e preconceituosas. Uma enxurrada de piadas com arquétipos específicos – gordo, gay, deficiente e etc. –  “sustentam” a narrativa, a cada minuto, e forçam a reflexão que o longa tenta propor: de que só os filmes mais independentes, cults e diferentes são os que fazem sucesso nas grandes premiações.

Miguel, aos poucos, tem sua aparência alterada com características típicos de um judeu ortodoxo. Travestis entram em tela para serem o ponto cômico e alvo da crítica cinematográfica com um pé na prostituição. Mendigos são usados como personagens burros e lesados. A preparadora de elenco é a típica macho alfa dominadora que só sabe gritar e humilhar. A estrela feminina do filme é uma vloger que só se preocupa com a aparência e seus fãs e o empresário do Rodrigo só está interessado em aparecer na mídia e nos famosos “5 minutos de fama”. Um desastre atrás do outro.

Usando elementos que já assistimos em seus esquetes na web, Porta dos Fundos: Contrato Vitalício reutiliza partes de alguns personagens já conhecidos, deixando aplicar um ar fresco para o longa. Talvez tenham tentado apostar nos personagens que deram na web, mas que na versão estendida, se perdem e ficam repetitivos.

Porchat, que já firmou ser um bom ator fora do Porta dos Fundos, passa metade do longa gritando e desesperado, quase como a audiência que tenta compreender onde eles querem chegar com tudo aquilo. Antonio Tabet, o Kibe Loco, talvez seja o único que não se distanciou de seu formato humorístico mais seguro: se apresenta munido de deduções rápidas e erráticas ao dar vida a um investigador particular que também é assassino de aluguel. Ele, talvez, seja o único personagem do longa que, de fato, até tira alguns sorridos dos expectadores.

Porta dos Fundos: Contrato Vitalício é um grande “passo para trás” no cinema nacional. Ofensivo, desnecessário e cansativo, o longa estereotipa figuras públicas, faz mal uso das citações à celebridades reais e foge, completamente, de seu humor inteligente apresentado na Web. Uma grande pena. Para piorar: a direção de Ian SBF é preguiçosa, os erros de continuísmo gritam em tela e “trilha sonora” é algo que foi totalmente esquecido pela produção. Cinematograficamente falado, o filme é ruim.

Esperamos que esse Contrato Vitalício seja encerrado e que, em tempos onde a internet é um grande muro das lamentações e opiniões sobre o politicamente correto, a audiência enxergue que esse tipo de tentativa de crítica só fomenta as diferenças e potencializa a intolerância.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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