CRÍTICA | Power Rangers – Go Go ou No No?

Power Rangers: o que era para ser bom não é tão bom, e o que era para ser ruim não é tão ruim De todas as propriedades que, inexplicavelmente,...

Power Rangers: o que era para ser bom não é tão bom,
e o que era para ser ruim não é tão ruim

Power RangersDe todas as propriedades que, inexplicavelmente, são ressuscitadas pelo infindável poder da nostalgia, Power Rangers certamente é um estranho no ninho. A saga de cinco adolescentes Com Atitudes® que ganham collants coloridos para lutar com muitas faíscas e acrobacias contra monstros japoneses estreou em 1993, ainda está firme e forte nos dias de hoje e mesmo os olhares mais carinhosos para o passado conseguem enxergar que a série original não envelheceu exatamente bem.

Hora de morfar

O novo Power Rangers recria a história de origem dos cinco adolescentes Com Atitudes® originais e até mesmo reintroduz a Alameda dos Anjos, a cidade que é atacada por monstros semanalmente e seus moradores são inexplicavelmente pouco afetados psicologicamente. Longe da cidade costeira e ensolarada da série original, a Alameda é uma pequena cidade de mineração no meio dos EUA rural. Cinco adolescentes Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Billy (RJ Cyler), Trini (Becky G) e Zack (Ludi Lin) acabam se encontrando na pedreira da cidade e encontrando cinco moedas misteriosas, que os tornam super fortes, e uma nave espacial aparentemente abandonada.

Na nave, encontram Zordon (Bryan Cranston), o antigo líder de uma ordem de guerreiros estrelares chamados Power Rangers. Milhões de anos atrás o time foi traído por Rita Repulsa (Elizabeth Banks), uma Ranger renegada que tentou destruir o planeta Terra para conseguir o cristal Zeo, um artefato que cria vida em planetas. O time é destruído e Zordon é obrigado a sobreviver como uma inteligência artificial sob o cuidado do robô Alfa 5 (Bill Hader). Escolhidos pelo destino, os cinco adolescentes Com Atitudes® precisam superar suas diferenças e seus dramas teen irrelevantes para conseguirem morfar e derrotar Rita.

Uma história de origem desnecessária

A esta altura do campeonato, boa parte da platéia que provavelmente se interessaria por Power Rangers sabe básico de uma série Super Sentai (a série japonesa que deu origem aos Flashman e Changeman). Cinco heróis coloridos se juntam, brigam com soldados, derrotam o monstro, monstro fica gigante, chamam o robô, derrotam o robô e fim. Este longa decide escolher a rota Quarteto Fant4stico para criar uma história de origem densa, arrastada e repleta de sofrimento adolescente para criar uma tentativa de profundidade narrativa desnecessária. Até mesmo os trajes coloridos só aparecem no final do longa, após muitos diálogos pseudo-existenciais sobre como é difícil ser um adolescente Com Atitudes®.

Cadê a cor, Jesus?

Os Zords, os robôs dinossauros que se juntam para formar o Megazord demoram para aparecer e quando aparecem, bom… decepciona um pouco. É difícil criar um clímax em seu filme sobre adolescentes com atitude quando na cena mais cara a falta de verba grita. Os visuais são pouco inspirados e até mesmo a transformação em robô gigante é deixada de lado. Aliás, que robôzinho meio desnutrido que é esse Megazord não?

O tom meio cinzento, que reflete a vida em uma cidade pequena rural americana, choca muito com o elemento mais marcante dos Power Rangers que são os exageros visuais e cores. Tudo isso apenas para justificar a existência da presença constante em todos os seriados japoneses: a pedreira.

E no final?

Como dito no começo. O que era para ser péssimo não é tão ruim, porém o que deveria ser legal, não chega a tanto. Power Rangers consegue existir em uma mediocridade funcional que arranca alguns divertimentos aqui e acolá, cutuca vagamente os nervos da nostalgia em raros momentos e sofre de uma trama que se arrasta por querer ser mais sério do que o material permite.

O longa estreou nos cinemas dias no dia 23 de março.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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