[CRÍTICA] Presságios de Um Crime – Diretor brasileiro e elenco internacional

Afonso Poyart dirige Anthony Hopkins no suspense Presságios de Um Crime Conferimos o novo longa dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart (Dois Coelhos), Presságios de um Crime. Roteirizado por Sean...

Afonso Poyart dirige Anthony Hopkins
no suspense Presságios de Um Crime

presságios-de-um-crime-01Conferimos o novo longa dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart (Dois Coelhos), Presságios de um Crime. Roteirizado por Sean Bailey (série Enemies) e Ted Griffin (Onze Homens e Um Segredo), acompanhamos dois policiais que investigam um serial killer que mata suas vitimas furando suas nucas e nunca deixa vestígios nas cenas dos crimes. Neste tom policial, Joe Merriwether (Jeffrey Dean Morgan) e Katherine Cowles (Abbie Cornish) enfrentam um enigmático caso que necessita de uma ajuda sobrenatural. Surge o Doutor John Clancy (Anthony Hopkins), um viúvo nada sociável que já ajudou em outras inquirições do FBI com o uso de seu poder de vidência. Uma premissa simples que é atordoada pela presença do assassino Charles Ambrose (Colin Farrell) que também tem a mesma habilidade de John, porém, mais evoluído.

Com um elenco de peso, Poyart consegue entregar uma direção rica em detalhes nas composições de cenas, um elenco bem entrosado e o bom uso da câmera lenta, assinatura presente em seu projeto de sucesso Dois Coelhos (2012). O que não torna Presságios de Um Crime uma película marcante é seu roteiro, que patina em uma resolução criminalística pouco empolgante e que depende muito das atuações do mocinho (Hopkins) e do vilão (Ferrell). O filme, apesar de bem produzido e com o foco dramático na vida pessoal de Joe, ainda transparece a liderança de Hopkins em seu personagem que não oferece uma caracterização diferente do que já vimos em outros projetos do ator. Já Jeffrey Dean Morgan (O Comediante em Watchmen) consegue equilibrar sua personalidade de agente do FBI e pai de família, contribuindo, e muito para a trama, em especial em uma cena bem emocionante onde compreendemos a relação quase paternal entre Joe e John.

Confira um vídeo exclusivo aqui na Freakpop onde Dean Morgan comenta sobre seu personagem e relação com Hopkins durante as filmagens:

Presságios de Um Crime entra para o hall dos filmes de policial que pincela semelhanças no quesito mentor e aprendiz visto em longas como O Colecionador de Ossos (1999). Mesmo John sendo o detentor da vidência, Joe ainda é o ponto chave para o desenrolar da investigação que também requer sua inteligência humana. Outro ponto bem interessante do filme é a forma como os flashes do futuro, vindos de Joe e de Charles, entram em cronologia ao desenrolar da trama. É este elemento visual, muito bem apresentado, que segura a atenção da audiência de forma eficaz. Mesmo que o final não seja lá essas coisas.

No dia em que conferimos o filme, o diretor Afonso Poyart conversou com a Freakpop e abriu detalhes do longa. Entre os destaques dados por ele estão as dificuldades de trabalhar com uma equipe 100% americana e acostumada com a indústria cinematográfica de Hollywood. Outro ponto levantado foi sobre os atores Anthony Hopkins e Jeffrey Dean Morgan que, apesar de aceitarem suas responsabilidades neste projeto, também comandaram suas atuações conforme instinto e bagagens profissionais. Descobrimos, inclusive, que Hopkins gosta de ser chamado de Tony durante as filmagens. Poyart comentou que este roteiro chegou em suas mãos após Dois Coelhos ter chamado a atenção de um produtor americano e que ele entrou de cabeça no projeto para, inclusive, ter mais espaço, orçamento e poder mostrar sua assinatura como diretor. Mesmo muito “tímido” em relação ao seu envolvimento com projetos internacionais é notório o “sangue nos olhos” de Poyart em conquistar um pedacinho de Hollywood ao lado de José Padilha (Robocop), Hector Babenco (O Passado), Bruno Barreto (Voando Alto), Walter Salles (Água Negra) e Fernando Meirelles (Ensaio Sobre a Cegueira). E sim, ele tem cacife e talento para isso. Presságios de Um Crime poderia ser facilmente dirigido por um diretor mais experiente de Hollywood, mas não teria o mesmo charme dos cenários de Poyart e suas câmeras bem posicionadas que de forma sutil ainda carregam um pouquinho do estilo brasileiro de filmar, principalmente nas cenas de perseguição quando a polícia aparece.

Presságios de Um Crime é uma obra que merece ser vista e admirada no cinema, não só para apoiar o reconhecimento de um brasileiro por trás das câmeras internacionais, mas porque oferece quase duas horas de tensão e excelentes atuações em busca de um serial killer louco e descontrolado, que sim, foi muito bem interpretado por Farrell. Ainda achamos que ele seja assim na vida real.

O longa chega nos cinemas nacionais dia 25 de fevereiro e é uma ótima opção para dar uma respirada das enxurradas dramáticas de lançamentos do Oscar 2016.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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