[CRÍTICA] Quando As Luzes Se Apagam: o melhor terror de 2016! Com certeza!

Baseado em um curta, este terror arrasa e entrega bom roteiro, bom elenco e, sim, um bom final! Falar sobre filme de terror não é uma tarefa fácil. Não senhores....

Baseado em um curta, este terror arrasa e entrega bom roteiro,
bom elenco e, sim, um bom final!

Falar sobre filme de terror não é uma tarefa fácil. Não senhores. As pessoas gostam de criticar e de arrasar com as produções. É como um prazer mórbido, um fetiche, um ápice catártico de apontar o dedo, encontrar pelinhos, falhas e criar teorias da conspiração. Pois é, a maioria dos filmes deste ano (e do ano passado, btw) abriram muita margem, muita brecha e foram torturados e massacrados. Mas há uma luz no fim do túnel e – desculpe a coincidência estranha – essa luz se chama Quando As Luzes Se Apagam. Amém! Merece o título de melhor terror de 2016, até agora.

Antes de mais nada, assista o curta que deu origem ao longa metragem:

quando-as-luzes-se-apagam-warner-bros-critica-1Agora sim! Rebecca (Teresa Palmer) é uma mulher complicada que precisa voltar para casa para ajudar seu meio-irmão Martin (Gabriel Bateman), um menino que acaba de perder o pai e tem que conviver com a mãe de ambos, meio louca. Onde todo mundo chamaria a criança de doida, Rebecca compartilha do mesmo medo do pequeno garoto e, junto ao namorado, resolve dar um jeito nessa situação.

A situação? Uma aparição que assombra a família, mas apenas quando as luzes se apagam. E o que mais é interessante: ela aparece logo na primeira sequência do filme. Não tem aquela conhecida alçada ao pico do terror, a apresentação de personagens, suas rotinas para, depois, realmente introduzir o elemento de terror e as consequências, leia-se: mortes. As primeiras cenas já mostram Paul – o padrasto, vivido por Billy Burke (também conhecido no mundo pantanoso das atuações questionáveis como o pai da Bela, em Crepúsculo) enfrentando a sombra de olhos brilhantes e perdendo, claro.

As informações fazem sentido, nada aparece do nada na equação (um recurso preguiçoso que acomete vários gêneros): tudo é fruto de uma investigação feita por Paul para ajudar sua esposa, uma depressiva mulher às raias da esquizofrenia. Portanto, Rebecca começa a desvendar o mistério com base em uns arquivos encontrados no antigo escritório do padrasto, enquanto luta contra o ressentimento que sente pela mãe, o desejo de poupar Martin de seus próprios pesadelos e dar um fim em Diana.

E quem é Diana? Good question. Como nossa política é sem spoilers, tentaremos dar uma de Mestre Yoda e explicar sem entregar demais o roteiro, que é simples, bem amarrado e desenrola em um esquema similar ao de Babadook (2014), mas com um viés próprio e intrigante. Diana é a entidade que mora nas sombras e não suporta a luz, ou seja, para se manter em segurança tenha sempre uma fonte de luz próxima. Só que ela entende das coisas e está longe de ser uma vilã idiota: espere muitas oscilações de lâmpadas, apagões e demais justificativas para tornar o local sombrio e assustador.

Com uma pitada de Samara, de O Chamado (2002), o já citado Babadook, um fundinho de Poltergeist – O Fenômeno (1982) e a genialidade de James Wan que, apesar de não assinar a direção com certeza deu seus pitacos, Quando As Luzes Se Apagam tem começo, meio e fim, sem deixar margem para uma continuação. É nisso também que mora a beleza de assistir a este terror: uma conclusão. E uma satisfatória, nada daqueles finais questionáveis e sem sentido. Pode ser até clichê e esperado, mas isso não tira o mérito da execução final.

Maria Bello é a mãe – Sophie – que luta contra seus próprios demônios, começa como a louca que se recusa a tomar os remédios e revela uma mulher em pleno sofrimento, com um passado sofrido, casamentos sofridos e ainda perde para a depressão, uma doença complicada e que devora a pessoa da mente para o resto do corpo. Sua atuação é simples, nada espetacular, mas ei! Quem disse que para ser competente tem que ser über dramática? E mais: Sophie é mais do que a mãe doente e, possivelmente, negligente de Rebecca e Martin. Para descobrir o papel dela nisso tudo só assistindo ao longa.

O único porém envolve as cicatrizes de Rebecca. Deixa no ar, parece que serão exploradas com algum flashback, uma ligação com o bicho-papão, só que deixam isso para lá e não explicam nadecas. Não altera o ritmo do filme, não estraga nada, mas bem que poderia ter algo ali.

Preparem-se para manter as luzes acesas por um tempo. Se não tinha medo do escuro antes, bom… Pode passar a ter!

Quando As Luzes Se Apagam estreia dia 18 de agosto.

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