Rambo: Até o Fim, Rambo 5, Sylvester Stallone

CRÍTICA | Rambo: Até o Fim - Stallone revisita um de seus maiores personagens

Rambo: Até o Fim, quinto filme da franquia, traz o soldado de volta ao campo de batalha Para a molecada mais jovem pode não parecer muita coisa, mas o...

Rambo: Até o Fim, quinto filme da franquia, traz o soldado de volta ao campo de batalha

Para a molecada mais jovem pode não parecer muita coisa, mas o Rambo foi uma verdadeira febre aqui no Brasil. O veterano do Vietnam traumatizado não só era sucesso entre os jovens, mas chegou até a rolar um concurso do Rambo Brasileiro no programa do Gugu.

Imagem ilustrando o concurso Rambo Brasileiro apresentado por Gugu Liberato na década de 80

A TV Brasileira sempre foi… questionável…

E agora, em pleno 2019, chega o quinto longa daquela saga que começou em 1982, portanto, senhoras e senhores, vamos falar de Rambo: Até o Fim.

Rambo: Até o Fim

Após os eventos de Rambo 4, John (Sylvester Stallone) volta para o rancho de seu pai no Arizona onde tem vivido desde então. Para tentar esquecer seus traumas do passado, ele passa seus dias cuidando e adestrando os cavalos da fazenda, cuidando de sua sobrinha adotiva e tomando remédios. Ele não consegue dormir dentro da casa e criou uma espécie de bunker embaixo da fazenda onde reconstruiu réplicas dos túneis Củ Chi usados pelos Viet Congs na guerra. É lá onde ele passa boa parte de seu tempo, dormindo e trabalhando na forja fabricando facas.

Sua sobrinha vai atrás de seu pai que a abandonou anos atrás no Mexico. Lá, acaba raptada por membros de um cartel mexicano. Rambo vai atrás dela e bom… já sabem né?

Se Michael Myers fosse o herói

John Rambo está velho e os inimigos são em força maior. O herói usa não só sua icônica faca, mas sua experiência como soldado das forças especiais para ludibriar os vilões com armadilhas e táticas de pânico. Efetivamente, quando chega a hora que todos esperamos, ele se torna praticamente um slasher em papel de mocinho.

A violência é tão visceral e brutal quanto Rambo 4, sangues, mutilações e pedaços sendo arrancados deixam o tom sério do filme quase cômico. Rambo nunca foi uma série conhecida por sutileza ou realismo, mas ainda existia um apego ao procedimento já que o personagem ainda havia nascido de uma raiz militar realista (e crítica à Guerra do Vietnam!). É um pouco bizarro que ao chegar na terceira idade, o icônico soldado começaria a derrotar seus inimigos via golpes que fazem mais sentido em Mortal Kombat.

Mesmo assim…

Existe algo sobre Rambo que o torna acima de críticas. O primeiro filme foi um longa de ação bastante intenso e crítico do trauma de sobreviventes do conflito no Vietnam. A única entrada na série que de fato tinha algo a dizer, mostrando que o ex-boina verde era um homem traumatizado e destruído pelas experiências durante a guerra. Mesmo assim, ele se tornou o modelo padrão para todos os heróis de ação da década. A ponto dele se tornar mais parecido com os personagens que ele inspirou do que a criação inicial.

No segundo filme, os traumas do Vietnam foram deixados de lado e Rambo estava caindo de paraquedas nas selvas do país em busca de prisioneiros de guerra. Pronto para vencer sozinho o conflito que humilhou os EUA. No terceiro, foi para o Afeganistão, onde junto com o Taliban (sim, aquele Taliban), enfrentou a invasão Soviética (Sylvester Stallone passou a década vencendo a Guerra Fria sozinho).

Anos depois, a elite Hollywoodiana cultivava em Birmânia uma causa social da moda, pelo menos até ser suplantada por Darfur. Em pleno 2008, lá foi Rambo degolar soldados do país e esfregar na cara da elite progressista hollywoodiana que no fim do dia tiro, porrada e bomba resolve mais que um show cafona do U2.

E mesmo assim, em plenos 2019, com uma polarização política que beira a insanidade, com discussões sobre o que é politicamente correto cada vez mais difíceis para leigos, temos aqui, um símbolo da supremacia republicana americana literalmente degolando com táticas de Jogos Mortais os mesmos inimigos que Donald Trump usou em sua retórica rumo à vitória na eleição à presidência.

E mesmo assim ninguém, absolutamente ninguém, vai criticar isso. Porque Rambo está acima de críticas, Rambo está acima de pífios críticos de cinema que vão questionar o mérito da obra porque ela pode ser considerada regressiva ou (em tom anasalado) “violenta e desnecessária”. Catzo, Rambo é a presença reconfortante que nos mantém seguros à noite dos homens malvados do mundo, independente de quão sombrio são as ações que nos mantém seguros.

Você não vai aos cinemas ver Rambo porque você é fã do personagem. Você vai nos cinemas ver Rambo porque é seu dever como cidadão do mundo. Você vai nos cinemas porque é Rambo. Ponto final.

Rambo: Até o Fim estreia dia 19 de setembro.

Até a próxima!

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Nota:
6.8
Nota:
O bom
  • Aparentemente, soldados do cartel mexicano seguem a mesma regra de ninjas. Um conjunto é descartável, um individual é perigoso, e quanto mais ridículo o look, mais perigoso ele é.
O ruim
  • A história dos túneis força um pouco a barra....
  • Direção
    7
  • Elenco
    7
  • Enredo
    6
  • Roteiro
    7
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CriticasFilmes

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