Veja nossa crítica de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco, a nova série/atrocidade da Netflix que garante destruir sua infância! 100% sem qualidade!

CRÍTICA | Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco (2019) – FUJAM! CORRAM! EVITEM!

Se você quer fazer elevar o cosmo do seu coração, fique longe de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco.

Netflix lança uma nova adaptação de Cavaleiros do Zodíaco, e rapaz… O negócio é feio.

Existem duas coisas que toda vez que norte-americanos chegam perto terminam em desastre: países do Oriente Médio com petróleo e regimes políticos não favoráveis ao ocidente, e Cavaleiros do Zodíaco. A última tentativa de se meter com a obra de Masami Kurumada pelas forças criativas do Tio Sam terminou nisso aqui:

Cavaleiros do Zodíaco, apesar de ser um dos maiores fenômenos da cultura pop em boa parte do mundo, nunca fez muito sucesso nos EUA. O país demorou bastante para popularizar animes, e quando finalmente recebeu no Toonami do Cartoon Network, “Knights of the Zodiac” sofreu de uma dublagem atroz e inúmeras mudanças deixando a série praticamente irreconhecível.

Algo que aparentemente, a Netflix quis repetir em Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco.

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco (2019)

Precisamos entrar na premissa básica? Porque na nova versão, claramente feita apenas para apelar para fãs, a série mal perde tempo explicando o que está acontecendo. Os Cavaleiros agora manifestam seus poderes como se fossem X-Men. Mitsumasa Kido (rebatizado de “Alman Kido” em inglês) e seu amigo Vander Graad encontram o Cavaleiro de Sagitário em uma cratera segurando um bebê. Ele revela que esta criança é a reencarnação da Deus Athena na Terra e que em breve mais uma Guerra Santa irá começar.

Mitsumasa cria uma fundação que procura por jovens que manifestam os poderes de um cavaleiro do zodíaco para recruta-los e envia-los para regiões do mundo onde possam ser treinados e obter suas armaduras. Vander Graad decide criar um exército para se tornar um Deus. Seiya, o único personagem que por motivos inexplicados tem um nome em japonês, junto com sua irmã “Patricia” (Argh) foram protegidos em sua infância pelo cavaleiro de ouro de Leão. Ele derrota alguns soldados genéricos de Vander e sequestra Patricia. Anos depois, Seiya vai para a Grécia, treina com Marin de Águia, ganha a armadura de Pégaso e volta para “Sienna” Kido (por favor, me mate).

Por motivos que nunca ficam muito claros, “Sienna” reúne os diferentes cavaleiros de bronze em uma base subterrânea no meio do deserto para lutarem entre si para ver quem é digno da armadura de Ouro de Sagitário. No torneio, Seiya conhece “Long” de Dragão, “Magnus” de Cisne e “Shaun”, a cavaleira de Andrômeda. Eles lutam entre si até a chegada de “Nero” de Fênix, um cavaleiro de bronze super poderoso que trabalha para Vander Graad e ataca os cavaleiros com seus Cavaleiros Negros, guerreiros rejeitados que foram aprimorados com bio-tecnologia. Os cavaleiros de bronze viram amigos por nenhum motivo específico, brigam com “Nero” e terminam 6 tortuosos episódios.

Mudanças desnecessárias, mas não é só isso

Claramente, o time de roteiristas americanos tentaram criar algo mais palatável para audiências americanas. Como se o gigantesco catálogo de animes da Netflix, ou plataformas de streaming como CrunchyRoll já não acostumaram o público com as diferenças de narrativas de projetos oriundos do Japão. No lugar da complexa mitologia da série e tempo suficiente para estabelecer cada personagem, elementos narrativo preguiçosos de video game como soldados anônimos, um vilão superficial e militarizado e uma forma simplista de explicar os poderes dos cavaleiros criam uma versão extremamente banal de Cavaleiros do Zodíaco.

A animação também não ajuda. A computação gráfica lembra as sequencias animadas de um jogo da série na era do Playstation 2. Muitos fãs reclamaram de Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário pelas mudanças na série (não é meu caso, adorei), mas pelo menos a animação era rica e detalhada. Aqui os personagens se mexem como humanos em uma propaganda da Dolly, os cabelos não se mexem, a textura é borrachuda, os visuais são pobres. Boa parte da ação se passa em um deserto ou em outros ambientes áridos e sem graça.

Inexplicavelmente, esta primeira temporada só tem 6 episódios e mal servem para estabelecer um arco de trama. Apesar da abertura da série mostrar o Mestre do Santuário como um grande antagonista, ele sequer aparece com exceção de uma pequena cena. O novo antagonista, Vander Graad, é raso e agrega praticamente nada à trama. Não faltam vilões ricos e fascinantes em Cavaleiros do Zodíaco, não faz sentido criar um novo personagem cujas motivações não fazem o menor sentido e fogem totalmente da premissa central da obra.

No fim

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco é um exercício desastroso de arrogância. Faz total sentido uma Netflix investir em uma nova versão de uma obra tão popular mundialmente, mas escolheu uma equipe que claramente não entende o apelo da obra nem sequer para traduzi-la e torna-la mais aceitável para o público norte-americano. Não é possível que ao considerar os milhões de fãs espalhados pelo mundo que uma obra desta não ia ser rechaçada pela crítica e público. Até mesmo Shun, um exemplo de personagem bishōnen teve que ser transformado em mulher para reduzir a complexidade de explicar algo que foge do conhecimento do público.

Vale a pena? Não, definitivamente não. Seria fenomenal revisitar Cavaleiros do Zodíaco em um remake que atualiza as técnicas de animação e dá uma lapidada no roteiro (“O Mestre do Mal?” “Sim, Seiya. O Mestre do Mal.” “O que você está dizendo? O Mestre do Mal?” “Sim, o Mestre do Mal”), mas não é o caso aqui.

Se você quer fazer elevar o cosmo do seu coração, fique longe de Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco.

Até a próxima!

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Nota
2
Nota
O bom
  • A abertura até que é legalzinha.
O ruim
  • É bizarro ver algo tão familiar ser adaptado de forma tão preguiçosa.
  • Direção
    3
  • Roteiro
    2
  • Elenco
    2
  • Enredo
    1
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