CRÍTICA | Santa Clarita Diet: um novo passo para a comédia mórbida

Drew Barrymore e Timothy Olyphant encarnam perigosos – e desastrados – corretores de imóveis em Santa Clarita Diet E se o surto de mortos-vivos fosse encarado de uma maneira...

Drew Barrymore e Timothy Olyphant encarnam perigosos – e desastrados – corretores de imóveis em Santa Clarita Diet

santa clarita dietE se o surto de mortos-vivos fosse encarado de uma maneira mais normal e menos apocalíptica do que já vimos em TWD, Guerra Mundial Z, Invasão Zumbi ou até mesmo Resident Evil? E se os zumbis pudessem levar uma vida normal, apenas com algumas mudanças estratégicas na dieta?

Santa Clarita Diet é o resultado suburbano classe média americana feat zumbie ~ brainsss ~ quando, misteriosamente Sheila, uma corretora de imóveis certinha e meio sem sal, interpretada por Drew Barrymore, passa por uma crise pior que da meia idade: se torna uma morta-viva.

Olyphant é Joel, o marido alívio cômico de uma série já de comédia, que quer a todo custo apoiar a esposa-zumbi (e isso está na divulgação da série, ninguém pode chamar de spoiler) enquanto tenta levar uma vida normal com a filha de ambos, Abby (Liv Hewson), uma jovem de 16 anos meio vida loca.

Ao longo de 10 episódios acompanhamos os desastres de Sheila e Joel, a amizade inusitada com o filho da vizinha, o adolescente apaixonado por Abby, único que sabe o que tem no freezer da família Hammond – e uma enciclopédia no quesito zumbis. Com um toque “Dexter” (2006-2013), chantagens e o dilema: o que daremos para Sheila jantar, contamos com a participação especial de Castle, ops, Nathan Fillion, que tem um destino bem diferente do escritor… Bem mesmo.

Bom, lá em cima citamos que Sheila era certinha, certo? Pois após morrer e voltar como comedora de gente a coisa muda de figura. Explorando o comportamento humano e o morto-vivo, com teorias sobre o id,  ser governado pelas vontades, impulsividade e nem aí para as consequências, Santa Clarita Diet é quase que um experimento sobre a natureza humana, o capitalismo, como nós reagimos a situações novas com o viés zumbi. E muita comédia. Que não funciona em vários momentos.

Fazer uma maratona de Santa Clarita Diet tem que ter paciência para as situações absurdas em tela, estômago para uma Barrymore comendo pedaços de pessoas a torto e a direito (se é um fã de filmes de zumbis talvez não seja tão nojento), um Olyphant de olhos arregalados e quase surtando e a busca para uma possível cura. A série não tem tanto fôlego para durar 10 episódios, podia ser menos, já que o final da temporada fica um pouco apressado e sem uma conclusão satisfatória. Uma edição e alguns cortes para dar mais dinâmica seria ótimo.

Mais para o final descobrimos que Sheila não é a primeira zumbi em solo americano (e isso é tratado como um daqueles documentários sensacionalistas da década de 60/70, com efeitos exagerados, narração dramática e experimentos meio The Rocky Horror Picture Show – na tentativa de “zoar” e “homenagear” o gênero. E funciona, fica bacana) e a forma como esse problema é encarado é bem estapafúrdio, relembrando o começo desta crítica: e se não víssemos o “zumbisismo” como uma pane geral? Ou melhor: será que é assim que o apocalipse começaria, antes do mundo dar tilti e mudar o cenário para TWD? Zumbis vendendo casas normalmente, com uma libido mais acentuada, criando os filhos, dando conselhos para as vizinhas, enquanto na calada da noite mata pessoas para sobreviver?

Quer saber mais sobre Santa Clarita Diet? Já para a Netflix assistir essa comédia da vida normal americana, com algumas tiradas mórbidas e uma quantidade palatar de sangue e vísceras!

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