CRÍTICA | Seis Vezes Confusão - Marlon Wayans em mais um filme da Netflix

CRÍTICA | Seis Vezes Confusão – Marlon Wayans em mais um filme da Netflix

A primeira pergunta que Seis Vezes Confusão traz é: ofendemos algum Deus sombrio para que tamanho sofrimento chegasse à Terra? Em 1996, Eddie Murphy lançou O Professor Aloprado, o...

A primeira pergunta que Seis Vezes Confusão traz é: ofendemos algum Deus sombrio para que tamanho sofrimento chegasse à Terra?

Em 1996, Eddie Murphy lançou O Professor Aloprado, o longa colocava o antes lendário comediante em praticamente todos os papéis do filme, interpretando a família Klump, além das fat suits, o ator interpretou a mãe do personagem principal, uma mulher negra, gorda e extrovertida. Em 2000, Martin Lawrence fez algo parecido também em Vovó…Zona, onde o comediante usando uma fat suit interpretou uma mulher negra, gorda e extrovertida. Em 2007, Eddie Murphy lança Norbit, onde de novo, interpreta uma mulher negra, gorda e extrovertida. Tyler Perry praticamente criou um universo cinematográfico com Medea, sua personagem que de novo, é uma mulher negra, gorda e extrovertida. Ah este ponto, já vimos que o clichê do comediante que se fantasia de mulher gorda para criar uma versão estereotipada de uma mulher negra já é tão batido que vira motivo de piada em 30 Rock e Trovão Tropical.

E cá estamos, em 2019, onde Marlon Wayans lança um filme onde ele interpreta diversos personagens, entre eles, sim, o que descrevemos acima.

Seis Vezes Confusão

Alan (Wayans) é um homem feliz, casado e prestes a ter seu primeiro filho. Ele nunca conheceu sua família e decide descobrir de onde veio. Ele rastreia um irmão e descobre que ambos são parte de um grupo de sêxtuplos que foram separados no nascimento. Assim Alan e Russel (Wayans) vão atrás de seus irmãos perdidos. Entre eles, sim, uma irmã que bom, você já consegue imaginar a descrição dela.

Bizarramente antigo

Entre a premissa cansada, a jogada de ter o mesmo comediante interpretar vários personagens (limitado pelos esteriótipos esperados, é claro) e até mesmo as referências de séries dos anos 70 como Arquivo Confidencial e Mork & Mindy, a sensação é que Seis Vezes Confusão foi produzido em 1993 e guardado em um cofre até ser libertado pela divisão de arqueologia da Netflix.

As piadas são fracas, o tipo de humor de mínimo denominador comum que os irmãos Wayans apostam há anos que atrai críticas negativas, mas que se tornam inexplicavelmente populares com certos nichos (alguém consegue explicar cientificamente o sucesso de As Branquelas no Brasil? Diga-se de passagem, outro filme com atores negros se travestindo?).

Não existe necessariamente comédia no filme, mas sim Wayans gritando e gesticulando de forma selvagem. Isso é o que o filme chama de piada. Considere uma cena onde Alan é protegido por sua irmã que fica 10 minutos pulando e berrando para afugentar alguns caminhoneiros. O clichê da “negona atrevida” é bastante comum em filmes americanos, mas a personagem deste filme parece ter severos distúrbios mentais, e não só a audácia esperada.

Vale a pena? Não. Absolutamente não. Talvez o único uso de Seis Vezes Confusão seja uma forma de documentar tendências de comédia que se tornaram irrelevantes nos últimos 10 anos. Uma espécie de cápsula do tempo para que futuras gerações mais evoluídas e esclarecidas elaborem suas próprias teorias sobre o por que dos irmãos Wayans nunca terem repetido a criatividade e competência de seus tempos de In Living Color.

Até a próxima!

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Nota:
2.5
Nota:
O bom
  • Anos atrás, Marlon Wayans protagonizou Requiem para um Sonho. Isto não tem nada a ver com Seis Vezes Confusão, mas queria acrescentar um pouco à tristeza de ver isso.
O ruim
  • É mais fácil tentar listar algo de bom do que listar tudo de ruim.
  • Direção
    4
  • Roteiro
    3
  • Elenco
    1
  • Enredo
    2
Categorias
CriticasFilmes

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