CRÍTICA | Era assim que vocês queriam que terminasse Sense8?

Sério mesmo que os fãs queriam isso?

SENSE8 ganha filme, ou episódio final, para encerrar sua trama problemática

Chegamos ao final de Sense8, aquela série da Netflix de sucesso que foi cancelada e que os fãs foram para internet suplicar um final decente. O que nasce do declínio, fica no declínio.

O Cluster

Wolfgang (Max Riemelt) foi capturado no final da segunda temporada. Não descobrimos os segredos do Sussuros (Terrence Mann) e segue a dúvida sobre Angelica (Daryl Hannah) e Jonas (Naveen Andrews) serem vilões ou não. O episódio final, ou filme, que encerra essa trama confusa por trás dos oito humanos conectados, não se aprofunda e fica ainda mais desconexa.

E daí?

Pois é…claramente os fãs não queriam saber da complexidade existente por trás da mega empresa bilionária que queria acabar com o cluster. O desejo da audiência era outro e, nessa parte final, Sense8 cagou pro elemento de ficção interessante para entregar um fan service sem limites.

Quando Wolfgang iria encontrar Kala (Tina Desai)? Será que Daniela (Eréndira Ibarra) vai ter um relacionamento a três com Hernando (Alfonso Herrera) e Lito (Miguel Ángel Silvestre)? Nomi (Jamie Clayton) vai se casar com Amanita (Freema Agyeman)? Quantas vezes ainda veremos Capheus (Toby Onwumere) lutando que nem o Van Damme graças à Sun (Bae Doona)?

São estas questões que carregam o roteiro mal escrito pelas irmãs Wachowski. Fincado no lema “o amor salva tudo” e totalmente pró-diversidade, Sense8 deixa de ser uma série que branda, com orgulho, a bandeira de inclusão para porrar na tecla do preconceito e aceitação sem criatividade alguma.

Não que isso seja ruim…calma!

Defendemos qualquer obra que tenha uma abordagem construtiva sobre temáticas polêmicas. O mundo, generalizando, está sim passando por uma fase delicada de inclusão de minorias, e as poucas conquistas são e devem ser celebradas.

Quando uma série mescla personagens trans, bissexuais, héteros e homossexuais, esperamos sim que a bandeira colorida do respeito seja levantada. Nas duas primeiras temporadas de Sense8, a audiência da série tomou um intenso tapa na cara com diálogos ricos sobre estes pontos. A série foi um sucesso mundial nas comunidades LGBTS e sim, tem seu valor como obra ficcional e mídia de grande escala capaz de incomodar os tradicionais e arrancar lágrimas dos que estão nas lutas sociais.

Esta parte, o tão aguardado final, é exatamente o que os fãs queriam ver: uma intensa mensagem sobre “o amor salva, inclui e muda o próximo”. Sem dúvida o desenrolar de cada personagem era o que queríamos ver, mas pela Netflix ter autorizado apenas um filme, a ficção científica foi fortemente abalada para focar no drama.

Vale a pena?

O último episódio de Sense8 não é totalmente ruim, mas decepciona ao relembrarmos os 20 episódios anteriores que apresentaram um enredo complexo e perturbador sobre oito pessoas que nasceram no mesmo dia e horário e que têm suas consciências conectadas.

Pensando por este lado, sim a série ficou com um final singelo, não digno de tudo o que vinha construindo e terminou em clima de comédia romântica.

Para fechar essa trama, temos belas cenas de luta, sexo, música e resgates. Mas nada mais. O aguardado casamento acontece, é absurdo, vai além do que a série poderia sustentar se ainda estivesse na “mesma pegada”, mas emociona pelo poder da mensagem.

Alguns personagens ganham finais banais mas, de novo, era o que audiência queria. E quando entramos neste ponto – da audiência – já temos casos comprovados de que as produções perdem qualidade. Se isso não fosse verdade, o hype pelo final de Sense8 teria sido maior e não morno como vimos nas redes sociais. Pediram tanto, que ganharam algo abaixo do satisfatório.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

7
O bom
  • Direção está impecável, mas isso as irmãs já vinham entregando...
  • Gostamos do final de Kala e Wolfgang, apesar do pouco tempo em tela pra sustentar o que rola...
O ruim
  • O final da trama com o Sussuros é absurdamente previsível
  • Muito confuso...tudo muito confuso...
  • Sexo, romance e diálogos açucarados..... E só.
  • Direção
    8
  • Roteiro
    5
  • Elenco
    7
  • Produção/ Fotografia
    8
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