Shaft (2019) estreia na Netflix, será que a continuação com Samuel L. Jackson no papel principal vale a pena? Veja aqui nossa crítica do longa metragem.

CRÍTICA | Shaft (2019) - Samuel L. Jackson e Richard Roundtree estão de volta no papel

Shaft (2019) estreia na Netflix, será que a continuação com Samuel L. Jackson no papel principal vale a pena? Veja aqui nossa crítica do longa metragem....

Apesar do elenco, Shaft é uma continuação desnecessária

Em 1971, Richard Roundtree estreou em Shaft, o terceiro filme blaxploitation a entrar em produção. A história do detetive durão do Harlem foi um sucesso de público e provavelmente é o longa metragem mais famoso do gênero. A música tema, criada por Isaac Hayes, conquistou o Grammy e John Shaft se tornou um ícone do cinema rendendo mais dois longas, O Grande Golpe de Shaft (1972) e Shaft na África (1973).

Em 2000, a franquia ganhou mais uma continuação / reboot com Samuel L. Jackson dirigido por John Singleton. Aqui, o protagonista é John Shaft II, sobrinho do detetive original. Agora, inexplicavelmente e 19 anos depois, surge mais uma continuação / reboot da franquia. Desta vez com roteiro assinado por Kenya Barris, criador da série Black-ish. Funciona?

Nope, mas vamos por partes

Em 1989, John Shaft II (Samuel L. Jackson) tem uma esposa, Maya (Regina Babanikos) e um filho. Por levar uma vida onde toda hora pode rolar um tiroteio, Maya leva seu filho para ser criado longe do pai. Nos dias de hoje,  JJ Shaft (Jessie T. Usher) é um garoto moderno e sensível que trabalha como analista do FBI. Seu melhor amigo Karim (Avan Jogia) morre de circunstâncias suspeitas e JJ reconecta com seu pai para ajuda-lo a resolver o mistério.

O Shaft original explorava a masculinidade do homem negro durante a ascensão do movimento Black Power nos EUA. Em 2000, o vilão era racismo institucional, mostrando que Shaft jamais conseguiria ajudar os outros estando dentro de um sistema feito para proteger os poucos privilegiados. Este novo filme basicamente serve para contrastar o politicamente Shaft II com seu filho mais progressista. Seria interessante, se o roteiro inteiro não batesse nas mesmas teclas pra tentar ser engraçado.

Em termos de ação, a qualidade gira em torno de qualquer ação comédia de meados de 2000 feito com todo o carinho e atenção de um diretor contratado apenas para finalizar o projeto e sem voz própria. Não se surpreenda ao descobrir que o diretor Tim Story é a mente por trás de Quarteto Fantástico e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.

A agressividade sexual de John Shaft II até funcionaria se o filme realmente estivesse se esforçando para ser uma comédia politicamente incorreta, mas as piadas e o comportamento do personagem são tão datados quanto a tentativa de mostrar que o bairro do Harlem em Nova York ainda é um antro de violência desenfreada. Chega a ser engraçado, em uma cena, o quarteirão tem a cenografia de uma zona de guerra, mas rapidamente, o filme abre mão disso e nos fundos é possível ver as butiques e cafeterias hipsters que hoje habitam o local.

Vale a pena?

Se você é muito fã da franquia Shaft, vale a pena revisitar para ver Richard Roundtree novamente em ação. Assim como no longa de 2000, ele volta neste e participa da ação. Mesmo que seja nítido na montagem quando é ele e quando é o dublê (sério, o nível de empenho deste filme é atroz). Fora isso? Audiências mais leigas devem estar bem confusas sobre porque um filme de ação de 2000, que hoje em dia está totalmente esquecido, ganhou uma continuação.

Talvez fizesse mais sentido ir para a rota do reboot completo e não este híbrido bizarro de sequencia?

Enfim, Shaft (2019) já está disponível na Netflix.

Até a próxima!

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Nota
5
Nota
O bom
  • Agora Shaft II é filho do Shaft original.
O ruim
  • Piadas fracas, ação sem graça e personagens esquecíveis.
  • Direção
    5
  • Roteiro
    4
  • Enredo
    5
  • Elenco
    6
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