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CRÍTICA | Sharp Objetcs avança em sua trama mórbida

Chegou a hora de conhecer um lado mais sombrio de Camille

No segundo episódio de Sharp Objects a série caminha para algo ainda mais sombrio

Mórbido! Eis um status que há muito tempo não atribuíamos para uma produção da HBO. O segundo episódio de Sharp Objects (Objetos Cortantes), intitulado Dirt – ‘sujeira’ em português – avança a trama com detalhes mais sórdidos do passado de Camille e com muita morbidez sobre a nova vítima.

Mais um funeral

Uma coisa é certa: nada e nem ninguém na cidade de Wind Gap estão normais. Durante o funeral da nova vítima, nos aprofundamos ainda mais no clima mórbido que plaina na cidade. Com um suposto serial killer a solta, as crianças tem toque de recolher e o clima é suspeito em todos os lugares.

Camille (Amy Adams) segue com a sua investigação. Durante o funeral, antigas recordações do dia que ela enterrou sua irmã retornam em sua mente, firmando que Adora (Patricia Clarkson) não é uma mulher fácil de se lidar. A morte de Natalie, a terceira vítima, intensificou os traumas na matriarca dessa família, a levando a ser mais controladora e exigente com suas filhas.

Esse relacionamento quase abusivo, espreita em Camille sentimentos de raiva. O problema é o efeito de Adora nela. Conhecemos então lado frágil da jornalista, marcada por um passado de culpa em um presente que ela está nitidamente perdendo o controle e sendo profundamente afetada pela mãe.


Vamos costurar? 

Camille, quando jovem, marcou seu corpo com riscos e palavras usando uma agulha. Agora entendemos o por que de seu vestuário fechado e constante olhar de vergonha quando precisa confrontar alguém. Por mais que a pessoa não saiba este detalhe, ela ainda assim se sente incomodada de estar na cidade, investigando esses casos e sendo pressionada por seu chefe pra estabelecer um relacionamento pessoal com a criminalidade.

O fato de termos uma protagonista flagelada pela adolescência, traumatizada pela perda da irmã e constante manipulada por uma mãe rígida, começam a surgir possíveis conexões com a forma brutal como essas adolescentes estão sendo assassinadas.

Adora não quer ouvir falar sobre as mortes das meninas dentro de casa, mas cada assassinato a faz projetar em Amma (Eliza Scanlen) – filha do segundo casamento de Adora – todos os sentimentos de culpa de uma mãe descontrolada. E quando Camille vê a forma como a mãe trata a jovem, a tentação de pegar uma agulha para marcar seu corpo é ainda maior.

Um fantasma

Camille rastreia uma pista que a leva às crianças que afirmam que as jovens assassinadas foram levadas por uma mulher de branco. A policia tratou os depoimentos como algo da imaginação dos meninos, mas Camille tem uma visão que a perturba ainda mais. Enquanto isso, o detetive Richard Willis (Chris Messina) descobre que Natalie teve seus dentes arrancados com alicate, e uma cabeça de porco surge na tela para testar o estômago da audiência.

Adora é a vilã?

Com toda certeza não! Existe uma relação de obsessão de Adora com suas filhas, mesmo que Camille seja mantida distante do dia a dia familiar. Todo consumo de álcool e auto flagelação de Camille estão ligados às frustrações da perda de uma zelosa irmã e de um relacionamento frio com a mãe. Começamos a crer que Adora e toda sua bagagem de vida e pessoas conectadas à ela é o que tiram Camille da realidade. E a realidade está deturpada pelos olhos de Camille por ter que enfrentar os tais assassinados. Já perdemos a noção do real / irreal em Sharp Objects, e isso é extremamente envolvente.

Reflexões sobre o que vem por aí…

O segundo episódio é muito perturbador. A forma como as cenas retratam o falecimento dessas jovens, e até da irmã de Camille, beira o tom fúnebre de A Sete Palmos, outra produção do canal. Não existe delicadeza ao mostrar os detalhes de cenas violentas. Além disso, sobre a forma como Camille está se envolvendo com a cidade, e momento que esses moradores vivem, dá vontade – quanto audiência – de gritar para ela ir embora de lá.

O mais tétrico é ver que Camille tem uma certa atração pelo o que está acontecendo na cidade e por isso Sharp Objects não é uma produção fácil de assistir. Não sabemos como é o livro, mas a produção da HBO está bem pesada.

Querem saber de um suspeito que devemos ficar de olho? O delegado da cidade. Aliás, quem é o primeiro marido de Adora? Quem é o pai das meninas?

Sharp Objects é sobre obsessão em suas mais inúmeras formas. Sim, isso chega a dar nojo.

A série vai ao ar todo domingo, às 22h, na HBO. Disponível também na HBOGo.

Küsses,


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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

9.2
O bom
  • Amy Adams dá um show de atuação!
  • Amma não é uma irmã santinha.
  • Já podemos odiar a Adora?
O ruim
  • Agulhas? Sério?
  • O realismo dá muita aflição
  • Direção
    10
  • Roteiro
    9
  • Elenco
    10
  • Enredo
    8
  • Produção/ Fotografia
    9
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