She-Ra e as Princesas do Poder

CRÍTICA | She-Ra e as Princesas do Poder - vale a pena assistir

S2

She-Ra e as Princesas do Poder vai muito além de ser um simples remake

Resumindo da forma mais rápida possível. Uns tempos atrás a Netflix anunciou que havia contratado Noelle Stevenson para criar um remake de She-Ra, a animação sobre a irmã do He-Man. Como já era já tragicamente esperado, as primeiras reações sobre a notícia foram completamente histéricas. Afinal, nunca veremos senso crítico e nostalgia fanática dormindo na mesma cama.

De qualquer forma, antes de começarmos a falar da nova série, vale lembrar que se você era fã da She-Ra original, hoje você deve ter entre 30 e 40 anos e não, estúdios de animação não estão fazendo desenhos para você ou sequer se importam com a sua infância, este é um produto para a criançada de hoje.

Enfim…

She-Ra e as Princesas do Poder

Adora é uma cadete no exército de Hordak, uma força militar que aos poucos tem conquistado os territórios do planeta Ethéria. Criada desde a infância pela misteriosa Sombria, ela foi criada para acreditar que os habitantes inimigos da Horda são criminosos perigosos liderados pelas Princesas, uma raça mortífera de mulheres super poderosas que só pensam em destruição.

Um dia, decide dar uma volta escondida com sua amiga Felina e encontra uma espada misteriosa. Atordoada pelas energias da espada, ela é capturada pelos rebeldes Arqueiro e Cintilante. Aos poucos, Adora descobre que foi doutrinada por um regime tirânico e que ela tem a capacidade de se transformar em She-Ra, uma princesa do poder, através da espada. Agora, aliada à rebelião, Adora viaja com seus novos amigos para recrutar as demais Princesas do Poder e derrotar Hordak.

Princesas

Ao contrário da Princesa do Poder, desta vez diversas personagens da série original foram adaptadas como monarcas com poderes especiais de outros reinos de Ethéria. Apesar da premissa semelhante à She-Ra dos anos 80 (Adora também era uma agente de Hordak antes de descobrir a espada), ainda é uma série de streaming, então temos aqui uma narrativa com continuidade. Mesmo assim, segue um formato “princesa da semana”, onde cada episódio traz uma nova personagem e um novo reino para os personagens centrais explorarem.

Esta primeira temporada serve muito mais para estabelecer uma origem sólida e um estudo dos personagens do que de fato levar as duas facções para o confronto. Como Stevenson já mostrou em seus quadrinhos, ela possui um talento único para elevar personagens bobinhos para muito além de heróis e vilões.

Os heróis não são completamente bonzinhos, alguns se envolvem na rebelião por motivos egoístas ou até mesmo julgam seus colegas. Os vilões não são necessariamente malvados, sendo que alguns nunca tiveram escolha e outros se juntam a Hordak por terem sido afastados das Princesas e seus reinos. Ninguém é completamente perfeito, o que torna as interações entre os personagens fascinantes.

Série feminina

A sensibilidade da criadora traz uma abordagem bastante feminina para She-Ra e as Princesas do Poder. O conflito é visto como um último e duro recurso, existe uma energia de conciliação que permeia toda a obra e o que mais a série grita é “talvez se todo mundo se esforçasse para entender o próximo, não estaríamos nessa situação.”

É uma série que também aborda de forma sutil a narrativa queer. Nenhum personagem tem sua orientação sexual explicitada, mas a forma como os personagens interagem entre si, com muita naturalidade, é um exemplo deste tipo de narrativa feita de um jeito bacana, educativo e sem ser exageradamente político a ponto de cortar a trama para apenas fazer discurso – como o caso de alguns dos piores episódios de Supergirl, por exemplo.

Porém

O diálogo é excelente, e as caracterizações dos personagens são sensíveis e diversas, mas ainda assim as poucas cenas de ação poderiam ser um pouco mais bem animadas. Tem momentos que parece que o orçamento da série despenca toda vez que She-Ra precisa fazer algo que vá além de andar e falar. Não necessariamente precisam ser mais longas ou violentas, mas apenas fazer usos mais criativos dos impressionantes poderes da protagonista.

Mesmo assim, é uma série que vai dar o que falar. Tanto a criançada que vai se encantar com as novas aventuras da personagem clássica quanto o pessoal mais velho que sente falta de uma animação no estilão de Hora da Aventura para passar o tempo.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Nota
8
Nota
O bom
  • As vilãs são mais interessantes que as heroínas.
O ruim
  • Falta um pouco de ação na trama.
  • Direção
    7
  • Roteiro
    9
  • Elenco
    8
  • Enredo
    8
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