CRÍTICA | Sherlock – T04E02 – “The Lying Detective”

Um vento maligno assopra em Sherlock No conto “Seu Último Adeus”, Sherlock Holmes está nas vésperas da Primeira Guerra Mundial e conclui a trama da seguinte forma: “Meu velho...

Um vento maligno assopra em Sherlock

No conto “Seu Último Adeus”, Sherlock Holmes está nas vésperas da Primeira Guerra Mundial e conclui a trama da seguinte forma:

“Meu velho Watson! Você é o único ponto imutável numa era de transformação. De qualquer maneira, levanta-se um vendaval no leste, vendaval como nunca soprou sobre a Inglaterra. Será gélido e pungente, e muitos de nós poderemos perecer sob a sua rajada.”

E em Sherlock da BBC:

Os criadores incorporaram a ideia de um vento devastador vindo Leste há um certo tempo. No final da terceira temporada, Mycroft diz que ele não é propenso a ataques de compaixão fraternal, falando sobre algo que aconteceu com um terceiro/a Holmes desconhecido. O episódio, que também marcou o suposto retorno de Moriarty, termina com o irmão mais velho de Sherlock dizendo que, caso ele realmente tenha retornado dos mortos, que ele deveria “se agasalhar. Um Vento do Leste está a caminho.”

A alusão ao Vento do Leste como uma presença ameaçadora serve para a introduzir Eurus Holmes, a irmã perdida dos irmãos. Ela marcou presença desde o primeiro episódio da quarta temporada, apesar de ter sido impossível de notar até a revelação.

Mas por ser Sherlock, vamos com calma.

A história começa alguns meses após a morte de Mary. John busca ajuda com uma terapeuta e deixou para trás seus dias como parceiro do famoso detetive consultor. Sherlock se afundou em heroína e passa boa parte do tempo ignorando casos.

Um belo dia, surge no flat em Baker Street uma jovem mulher chamada Faith. Ela é filha de Culverton Smith, um homem rico, carismático e com forte presença na mídia que supostamente cometeu um assassinato. Sua filha não consegue se lembrar da confissão porque Culverton injeta em seus conhecidos com uma droga que causa amnésia antes de discutir certas informações. Sherlock publicamente o acusa de ser um serial killer.

Por tramoias do destino e uma boa dose de manipulação dos irmãos Holmes, Sherlock e John novamente estão juntos para resolver o caso. A trama flerta com a ideia se de fato Culverton realmente é um serial killer. E até a derradeira conclusão da investigação, Sherlock quase perde a sua vida.

[alert type=red ]SPOILERS ABAIXO![/alert]

Tudo parte do jogo.

Descobrimos que o uso de drogas, o comportamento errático e se arriscar com Smith faziam parte de um jogo longo elaborado por Sherlock a pedido de Mary. No ato de sua morte, Sherlock recebeu um vídeo testamento dela onde ela pede a ajuda de Holmes para deixar Watson “salva-lo”. Sabendo que seu marido precisará disso para não se afundar em comiseração. Para honrar seu último desejo, Sherlock se afundou até ser “resgatado” por Watson.

Mas isso não é tudo.

Apesar da vitória, o Vento do Leste continua a bufar. É revelado que a simpática moça do ônibus que começou um “caso” com Watson no episódio anterior, a terapeuta e Faith Smith são e mesma pessoa: Eurus Holmes. Assim como seus irmãos, ela também goza de uma inteligência invejável e doses cavalares de sociopatia. Ao contrário deles, ela é completamente maléfica. Explicando também o por quê de Mycroft sempre monitorar seu irmão, com medo dele também se tornar um vilão.

Seu nome faz referência ao deus grego do vento do leste. Suas motivações ainda não são claras e tudo indica que nem mesmo Sherlock chegou a conhecer sua irmã (afinal, passaram a noite inteira conversando e ele nem sequer notou).

Como já se tornou praxe nas temporadas mais recentes da série, este episódio de Sherlock desafia a audiência a resgatar pequenos detalhes, frases e imagens apresentados em episódios anteriores para tentar conectar as peças do grande jogo. É um verdadeiro mérito que Steven Moffat e Mark Gattis conseguiram criar um roteiro com complexidade o suficiente onde até nós podemos brincar de “detetive consultor”.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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