[CRÍTICA] Sicario: uma realidade dentro de outra realidade

Indicado ao Oscar 2016, Sicario entrega a realidade do mundo das drogas e da fronteira norte americana O filme logo esclarece: Sicario, no México, quer dizer franco atirador. E...

Indicado ao Oscar 2016, Sicario entrega a realidade do
mundo das drogas e da fronteira norte americana

sicario_oscar-2016-critica-freakpopO filme logo esclarece: Sicario, no México, quer dizer franco atirador. E é em meio a tiros e mortes viscerais que percorremos com Kate Macy (Emily Blunt) a fronteira México – Estados Unidos, perseguimos um cartel de drogas e tentamos prender um chefão do crime, intocável até agora. Com direção de Denis Villeneuve, responsável pelos tensos Os Suspeitos (2012) e Incêndios (2010), Sicario entrega um enredo sem criatividade, mas impactante.

Mocinho (a) quer acabar com o crime. Criminoso é mais escorregadio que sabão e precisam ir pelo lado B das operações para pegá-lo. Personagem mocinho – ou vilão – que deixa todo mundo em expectativa. Final. Pronto. Sem spoilers, Sicario está aí. O que o fez ser indicado ao Oscar, pode perguntar? Bom, temos que ir mais fundo na discussão.

Kate é uma agente do FBI, que aparenta ser bad ass, competente e com boa mira. Ao descobrir uma casa cheia de corpos, é escalada pela CIA (mas que não parece ser CIA, mas é a CIA) para ajudar a capturar um chefão do tráfico mexicano, cujo segundo em comando é dono da tal casa dos mortos. Na hora de escolher quem vai ajudar, Kate ou seu parceiro Reggie (Daniel Kaluuya), Matt (Josh Brolin) escolhe a moça em uma determinação: nada de advogados – o que Reggie é. Naquele momento já sabemos que vai rolar muita ação por debaixo dos panos da lei…

Junto com Alejandro (Benício Del Toro), rumam para Juarez, no México, para transportar um prisioneiro para os States e interrogá-lo. Uma cidade com corpos pendurados em pontes, pessoas mutiladas e totalmente dominada pelos traficantes de drogas – e até coisa pior. Tensão, tiros e mortes sem enfeitar, sem esconder o sangue jorrando dos ferimentos, permeiam o primeiro ato do filme. E a pergunta: o que diabos a Blunt está fazendo lá? A personagem parecia que seria relevante para a trama, mas atua sempre com olhos assustados e só sabe questionar. Serve mais como um termômetro que vai medindo as escalas de bom e mau. Até onde a moral e a ética vão em uma situação dessa? É matar ou morrer: você mata ou você morre? Sendo que se matar pode virar aquilo que caça e se morrer, bem… Morreu e não pode mais fazer nada para ajudar o mundo.

Sicario mostra que os mocinhos precisam de princípios bem elásticos e que não dá para vencer uma guerra com beijos e abraços. Mas com porradas, manipulação, mortes e torturas, sim. E que “mocinhos” não é exatamente a expressão correta para nomeá-los: na realidade não existem mocinhos. Existem pessoas que lutam e reagem de acordo com o que recebem. Umas estão do lado da lei, outras do crime e outras ainda estão do seu próprio lado.

Del Toro está fantástico no filme, com uma atuação ora sentimental, ora f****, interpreta um homem determinado a conseguir justiça a qualquer custo. Mas justiça para quem? Brolin manda tão bem no papel de Matt que dá vontade de pegar a cara dele e estapear, de tanta realidade que transparece – e sim, o personagem é enervante. Já Blunt, fica com a ingrata tarefa de servir como apoio feminino à película, mais perdida que cego em tiroteio (desculpe o trocadilho), e mostra que Macy é o cordeirinho da equipe tática.

Sicario revela a tão batida e explorada realidade humana: pessoas boas podem fazer coisas ruins. E assim, deixam de ser boas? E têm pessoas boas que se mantêm em sua bondade… E só se lascam. O que define quem é bom e quem é mau? Sicario não responde. Mas deixa a reflexão.

O roteiro e a fotografia, o direcionamento das cenas de ação de qualidade são intercaladas com cenas longas e paradas, às raias da monotonia. Não é um filme que você saia do cinema ou desligue a televisão e pense: nossa, que filme demais! Super bom! Vou assistir de novo! Sicario precisa ser digerido. Pensado. Ou não. Talvez seja daqueles ou ame ou odeie.

Disputa a estatueta com fortes concorrentes e as chances de levá-la para casa são bem pequenas. A menos que a Academia considere repetir a façanha de A Hora Mais Escura (2012), Guerra ao Terror (2008) e Argo (2012) e enalteça a luta americana contra os bandidos.

Até a próxima.

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