CRÍTICA | Silêncio – Um filme complexo de Martin Scorsese

Silêncio explora de forma íntima a complexidade por trás da fé Não há como negar o impacto do catolicismo na obra de Martin Scorsese. Seu longa mais complexo e...

Silêncio explora de forma íntima a
complexidade por trás da fé

Não há como negar o impacto do catolicismo na obra de Martin Scorsese. Seu longa mais complexo e polêmico é A Última Tentação de Cristo (1988). Após sua conclusão, o diretor passou 27 anos dedicado a adaptar a obra Silêncio de  Shūsaku Endō para os cinemas.

A era dos Kakure Kirishtan (Cristãos Ocultos)

Silêncio narra a história de dois padres jesuítas portugueses no século 17. Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garupe (Adam Driver) recebem notícias que seu mentor, o Padre Cristóvão Ferreira (Liam Neeson) abandonou sua fé enquanto pregava no Japão. Consternados com a notícia e incapazes de acreditar que uma figura tão importante em sua formação na fé teria abandonado os ensinamentos de Cristo, embarcam rumo ao Japão para investigar.

A Era Tokugawa foi marcada pela perseguição violenta de Cristãos no Japão. Rodrigues e Garupe decidem pregar e oferecer serviços da sacristia em total segredo na calada da noite para suprir o desespero que assola a alma deste rebanho sem pastor.

Eventualmente, Rodrigues deve confrontar a complexidade da Fé e a forma como a cultura japonesa influencia na interpretação da liturgia e da crença. De forma orgulhosa, começa a comparar seu sofrimento com o martírio sofrido pelos santos da igreja até ser obrigado a confrontar a inevitabilidade do fracasso das missões cristãs no país.

E só resta Silêncio…

O longa oferece um contraste gritante entre os longas mais recentes de Scorsese. Silêncio é um filme contemplativo com um ritmo extremamente lento e uma fotografia belíssima. O interesse do diretor aqui é calmamente explorar as diferentes facetas da Fé e como estas se manifestam frente às adversidades. Com cenas inspiradas em Akira Kurosawa, trata-se de um filme um pouco difícil de processar e para poucos. Apesar do tema complicado, vale a pena mergulhar em uma profunda análise sobre o papel da Fé na humanidade, sob a ótica de um dos poucos diretores que transporta esta faceta de si mesmo para seus filmes.

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categorias
Criticas

Ver também