Sintonia primeira temporada netflix

CRÍTICA | Sintonia (Netflix) – Temporada 01 – Que p#ta série!

Que série F**A!

Sintonia é a nova produção original da Netflix que marca a estreia de KondZilla como diretor de série 

Mordemos nossa língua! Quando Sintonia foi anunciada e o primeiro trailer revelado, logo imaginamos que o KondZilla, criador e diretor geral dessa nova produção original da Netflix, entregaria um roteiro cheio de clichés sobre periferia e funk e uma premissa superficial sobre garotos de favela que sonham com o estrelato no Funk. Bem, os primeiros episódios até caminham para isso, mas em um determinado momento a crítica social ganha a tela e o resultado desta primeira temporada é um tapão na cara com os dedos abertos.

Sintonia, a série

Três melhores amigos que cresceram juntos na periferia de São Paulo chegam em uma fase da vida onde as decisões de serem adultos ou meliantes começam a pesar.

Doni (MC JottaPê) é um jovem estudante, filho de comerciantes evangélicos, que sonha em ser cantor de Funk. Ele tem o que falar, acredita no seu potencial, mas lhe falta oportunidade.

Nando (Christian Malheiros) é um pai de família que já tá envolvido no crime e precisa, se possível, se afastar dessa vida para garantir seu sustento.

E Rita (Bruna Mascarenhas) é uma ambulante que apanha da mãe de sua melhor amiga pois a mesma foi pra cadeia após as duas serem pegas pelo rapa. Nessas, Rita encontra acolhimento em uma Igreja Evangélica.

A base dos três personagens parece comum, ou até simplista quando pensamos em favela, mas o desenrolar desses três personagens nos levam a uma imersão realista da dura vida de quem não tem tanta oportunidade.

Sintonia e a criminalidade

Doni é um menino ambicioso, bem apessoado e até tem o apoio de sua mãe. Já seu pai, mais casca grossa, quer que ele estude e “seja alguém da vida”, leia-se: qualquer coisa menos funkeiro. O preconceito da profissão pode estar dentro da casa desses jovens e as consequências de você “peitar” quem te botou no mundo para seguir o que você escolheu, pode não ter um final feliz. Além do clima que Doni enfrenta dentro de casa, ele vai para a rua atrás do sucesso. É aí que se depara com sua música sendo “roubada” pela MC Dondoka (Leila Moreno) e para conseguir respeito com a produtora da já famosa cantora, ele está disposto a fazer qualquer coisa.

Doni quer ser respeitado, receber os devidos créditos pela música e não depender de esmola. Principalmente: ele não quer ser explorado pelo mercado da música como muitos são. Surge como sua grande aliada a periferia e suas “facilidades”. Já que chegar ao sucesso é tão difícil, ele vai bancar para alcançar, custe o que custar.

Já Rita se vê entre a vida e a morte e passa a questionar as decisões previamente tomadas. Com um péssimo relacionamento com a mãe e, aparentemente, abandonada pelo seu pai, é na igreja que ela encontra conforto, palavras de carinho e respeito. Três coisas jamais vivenciadas por ela. Será que ela resolve trilhar o caminho do Senhor ou voltar para as ruas para não se afastar de Doni e Nando. Ou pior: como seguir as palavras de Deus ainda sendo amiga dos dois?

Já Nando…Bem, se preparem. Por que certamente é uma história que vai te cativar. Ele já está na crime. Ele depende da biqueira para sustentar sua família. Ele é o sistema. A forma como Sintonia conta sua história e o leva de traficante para chefe da boca é de arrepiar. Sim, já vimos isso antes. Mas o retrato aqui é frio e cruel, resultando em uma história cheia de impasses e críticas, e envolvente.

Vale a pena? 

Porra se vale. Uma grata surpresa entre os lançamentos originais da plataforma. Sintonia é uma aula sobre preconceito e falta de oportunidade. A série não tem medo de entrar na marginalização existente na favela e no backstage podre daqueles que sonham em sair de lá pra ser funkeiro. Você entende o por que da ostentação, as letras e a forma como os artistas são lançados no mercado. Você entende porque o KondZilla é o que é hoje e, melhor: certamente aguardará ansioso por uma segunda temporada.

Sintonia não vangloria o Funk ostentação e mostra parte da realidade desses artistas e o que eles estão dispostos a abrir mão, ou até mesmo o que enfrentam, até seus vídeos baterem milhões de visualizações. Além disso, entendemos suas possíveis motivações por meio do personagem Doni e torcemos por ele.

Como dissemos, a série é um tapão na cara com os dedos abertos, pois não esperávamos que o roteiro fosse, de fato, entrar no crime, nas drogas, no poder da Igreja dentro da comunidade e no íntimo de uma parcela da população por serem estereotipados como marginais sem nem mesmo sabermos suas verdadeiras histórias.

Sintonia deveria se chamar “Respeito”.

Küsses,


Confira nossas entrevistas com a galera de Sintonia da Netflix:

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Nota:
9.2
Nota:
O bom
  • Direção é sensacional. Digna de um KondZilla
  • Os diálogos são realistas
  • As atuações são fantásticas, principalmente dos três principais.
O ruim
  • Demora um pouco pra engrenar, mas tem voz e personalidade.
  • Direção
    10
  • Produção / Fotografia
    10
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    10
  • Enredo
    8
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