Special temporada 1 Netflix

CRÍTICA | Special (Netflix) – Temporada 01

Aquela série delicinha pra maratonar

Prepare-se para ficar encantado por Ryan O’Connell em Special na Netflix

Ryan O’Connell é um ator, produtor e roteirista americano com paralisia cerebral. Em 2015, ele lançou um livro chamado “I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves” (Eu Sou Especial: E Outras Mentiras que Contamos Para Nós Mesmos – tradução literal pois a obra não foi lançada no Brasil) que inspirou a Netflix em lançar uma série baseada em sua obra chamada Special.

A história é simples: Ryan Hayes, interpretado por O’Connell,  é um jovem de 30 anos que não aguenta mais ficar em casa sendo cuidado pela sua mãe. Os dois têm uma boa relação, mas Ryan acha que pode ser mais útil e independente. Com isso em mente, ele arruma um emprego de colunista estagiário em um blog de matérias virais e absurdas.

Ao ingressar na descolada Eggwoke, ele descobre um mundo online onde as pessoas não são o que elas realmente são. A ilusão de “eu me orgulho de ser o que sou”, “eu me amo”, “eu sou linda(o)”, “eu sou foda” é que encabeça o comportamento de todos que ali trabalham, mas que vivem um teatrinho para manter seus empregos. Sabemos que os “influencers” da vida não são assim na realidade.

Ryan consegue sua primeira matéria, pois ao ser questionado do por que ele anda torto e fala diferente, ele conta que foi atropelado por um carro e que ficou assim. É criada uma máscara para a sua doença e isso o permite experimentar um pouco da “vida real”. O desenrolar disso não será nada fácil, mas com bom humor e determinação Ryan consegue tudo o que mais quer: o primeiro amor, sexo, se sentir admirado e, finalmente, morar sozinho.

O preço da máscara aparece e ele precisará de muito jogo de cintura para se recompor na vida e no trabalho sendo o que ele realmente é: um rapaz que vive bem com as condições deixadas pela paralisia cerebral, e que é “gente como a gente”. A série dá um tapão na cara da audiência sem o colocar como vitima e deixa uma mensagem bem clara sobre “minorias” e o quão deturpado o significado desse grupo está instaurado hoje em dia na cabeça das pessoas.

O roteiro que, de novo, é escrito por uma pessoal que tem paralisia e atua em sua própria história, traz uma reflexão incrível sobre falso emponderamento, aceitação, falsidade entre “grupinho”, a necessidade das pessoas de agirem num determinado protocolo dentro de um grupo específico e etc. A cada episódio, que são curtos, ele consegue sucintamente fazer criticas bem construtivas sobre a falta de personalidade própria e a constante necessidade das pessoas de aceitação.

Special é uma aposta certeira da Netflix e que, certamente, será criticada por aqueles que sentirem seus egos feridos. Para vocês, só lamentamos, mas fica aqui o convite para assistir essa produção e fazer uma reflexão sobre si e sobre as pessoas. Principalmente no mundo virtual.

Küsses,

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Nota:
9.3
Nota:
O bom
  • Que elenco maravilhoso!
  • Ryan O'Connell é muito talentoso!
  • Queremos segunda temporada!
O ruim
  • Não há!
  • Direção
    8.5
  • Produção / Fotografia
    8.5
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    10
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