[CRÍTICA] Steve Jobs – Por trás da mente do megalomaníaco “criador”

Steve Jobs explora o backstage da equipe Apple e a vida pessoal de um dos maiores nomes da tecnologia Steve Jobs é uma persona que dispensa apresentações. O falecido...

Steve Jobs explora o backstage da equipe Apple
e a vida pessoal de um dos maiores nomes da tecnologia

steve-jobs-michael-fassbender-universal-pictures-movie-foto-06Steve Jobs é uma persona que dispensa apresentações. O falecido CEO da Apple é tema de um novo longa com roteiro maçante e depreciativo que tenta levar a audiência a conhecer um lado nada amigável de Jobs. Contextualizado nas décadas de 1980, 1990 e 2000, o filme percorre os três “auges” de sua carreira: sua queda e afastamento da empresa ao lançar o Macintosh, em 1984, o lançamento de sua empresa NeXT, em 1989, e seu retorno à Apple Inc., em 1997, com o novo sistema operacional por meio do iMac. Como sustento da trama, conhecemos seu relacionamento complicado com sua filha Lisa, que demorou anos para ser reconhecida como legítima pelo pai. Seus dramas pessoais ganham palco na visão do diretor Danny Boyle em um roteiro confuso e zero inovador. 

Quando falamos em Apple os adjetivos que surgem em volta da marca estão estritamente conectados à inovação, design e tecnologia, o que é falho por ser comprovado que outras empresas como IBM e Microsoft estão anos luz à frente no ramo. Mas o que a Apple tinha de diferente era Steve Jobs. Um homem apaixonado por seus ideais, megalomaníaco e capaz de fazer qualquer coisa por aquilo que ele julgava… Inovador. É comprovado sua ausência de conhecimentos em design e engenharia, mas Jobs sabia falar. Sua voz ao povo e capacidade de atrair fãs era sua principal arma em meio à revolução tecnológica dos últimos 30 anos. É neste tom de endeusamento que Boyle cria um cenário teatral para apresentar uma personalidade fria, determinada e pouco conhecida, de fato. 

Michael Fassbender dá vida a Jobs ao lado de Kate Winslet como a diretora de marketing Joanna Hoffman, Seth Rogen como Steve Wozniak – o verdadeiro engenheiro e criador dos computadores Apple – e Jeff Daniels como o meticuloso CEO John Sculley. Os três formam um núcleo de desavenças pessoais e profissionais e mostram ao longo dos três atos do longa que Jobs não era uma pessoa fácil de lidar, de compreender, e acima de tudo, de manipular. Em paralelo, Lisa cresce neste meio como a filha renegada, aflorando em seu pai uma possível redenção por meio de suas insistências joviais e tentativas de fazê-lo suprir suas necessidades como primogênita. 

A trama “gênio indomável” que vimos em A Rede Social retorna sob similar estrutura pelo mesmo roteirista Aaron Sorkin e oferta uma receita de bolo já conhecida pela audiência, por seus inúmeros detalhes pessoais que não levam o expectador a se importar com a história. Em Steve Jobs temos o mesmo efeito do filme sobre Mark Zuckerberg de 2003: não interessa como ele fez, mas sim quem ele é. O endeusamento de nomes que estão por trás de suas “criações” resulta em uma reação quase religiosa dos consumidores sem embasamentos e ignorantes sobre a verdade. Por mais que ambos os filmes, Steve Jobs e A Rede Social, tentem mostrar o lado negro dos protagonistas, os longas servem como um leve chute no saco dos defensores que tem preguiça de pesquisar. O problema neste longa em questão é ausência de consistência e desenvolvimento do protagonista para estabelecer tal faceta que deveria ser atrativa. 

A primorosa direção de Danny Boyle não é suficiente para segurar a trama. Mesmo com inúmeros takes onde o segundo plano complementa os longos diálogos e estridentes discussões de Jobs com sei lá quem ele tenta persuadir com suas loucas ideias e ideais, o roteiro é pouco envolvente para tamanha teatricalidade ofertada pelo diretor. Fassbender, por sua vez, infelizmente não entrega uma boa atuação e tem muita dificuldade para esconder seu sotaque irlandês e em muitos momentos vemos o ator e não o personagem. Winslet por sua vez carrega boa parte das cenas, só confirmando sua capacidade de atuação apesar de não ficar claro se ela é uma diretora de marketing ou a psicóloga de Jobs. E Seth Rogen faz um personagem, aparentemente, de única fala, já que em quase todas as suas aparições ele solta meia dúzia de frases sobre tecnologia e em seguida insiste em um ponto específico com Jobs. Vale ressaltar que ele é o engenheiro responsável pelos principais lançamentos de sucesso da Apple, neste longa Steve Wozniak é só um cara amargurado.

Steve Jobs sugestiona uma nova e mais fidedigna versão sobre a vida do dono da Apple após o desastroso longa de 2013, protagonizado por Ashton Kutcher, mas as semelhanças de narrativas e as inconsistências de roteiro aqui citadas desiludem a expectativa quando um dos foco é de recriar os momentos de tensão nos bastidores dos lançamentos da Apple e usar Lisa como pivô para os problemas pessoais do pai. A tentativa de mostrar que Jobs era um homem irredutível – por mais que suas biografias afirmem isso – falha, e falha feio.  

Steve Jobs estreia dia 14 de Janeiro nos cinemas. 

Küsses, 

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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