[CRÍTICA] Supergirl – 1ª temporada chega ao fim na Warner Channel

Supergirl é uma justa homenagem ao legado de seu primo mais famoso A história todo mundo já conhece. Nos dias finais de Krypton, Jor-El envia um foguete com seu...

Supergirl é uma justa homenagem ao legado de seu primo mais famoso

A história todo mundo já conhece. Nos dias finais de Krypton, Jor-El envia um foguete com seu filho Kal-El rumo a um distante e azulado planeta conhecido como “Terra” pela população local. Exposto ao Sol amarelo, o alienígena ganha super força, invulnerabilidade, voo, rajadas óticas, sopro congelante, entre outras habilidades. Alguns não sabem que, antes da destruição total do planeta, sua prima Kara também foge e, em trajetória semelhante a Kal, se torna a Supergirl (Melissa Benoist).

Criada por um casal com experiência em alienígenas, “Kara Danvers” cresce com sua irmã adotiva Alex (Chyler Leigh) e seus pais Eliza e Jeremiah (Helen Slater que interpretou a Supergirl em 1984, e Dean Cain que interpretou o Superman em Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman). Já adulta, leva uma vida pacata em National City como assistente de Cat Grant (Calista Flockhart), a poderosa proprietária de um conglomerado de mídia. Um avião em queda com Alex a bordo força Kara a usar seus poderes para evitar uma catástrofe maior e, consequentemente, coloca-la no início de uma jornada para se tornar a guardiã de National City.

A dinâmica dos personagens já é bem conhecida para que acompanha outras séries da DC. Uma prisão kryptoniana que caiu na Terra serve como desculpa para introduzir novos vilões sem muito esforço. Um amigo de Kara é expert em computação e consegue praticamente fazer magia em qualquer máquina. Surgem figuras maternas, famílias adotivas e triângulos amorosos. Por sorte, ao contrário de Arrow que levou uma temporada inteira para encaixar o elenco de apoio de forma confortável na narrativa, muito dos aliados da Supergirl logo de cara já começam a contribuir para as aventuras.

Alex, sua irmã, faz parte do DEO, uma agência governamental que monitora atividades extraterrestres no planeta. A organização é liderada por Hank Henshaw (David Harewood) que, apesar de compartilhar o nome com um vilão do Superman, na verdade é J’onn J’onnzO Caçador de Marte – último sobrevivente da sua espécie que vive infiltrado no planeta. Kara se torna uma agente e os ajuda a caçar os alienígenas fugitivos da prisão kryptoniana. Gradualmente, Hank / J’onn se torna uma figura paterna suplente para ambas.

Em outra face, na sua identidade “civil”, Danvers é ajudada por seus amigos Jimmy Olsen (Mehcad Brooks) e Winn Schott (Jeremy Jordan) e resolve crimes por conta própria. Olsen, o melhor amigo do Superman, já tem certa experiência e ajuda Supergirl a desvendar seus limites e poderes. Winn é o gênio da tecnologia obrigatório para séries de super-heróis do Greg Berlanti.

A série peca um pouco pelo excesso de personagens que exercem a mesma função. Cat e Hank essencialmente funcionam como o mentor da heroína, assim como o DEO e Winn/Olsen são o apoio de campo quando ela enfrenta algum inimigo. Isso deixa a trama pesada em alguns momentos, mas Melissa Benoist é a protagonista mais competente destas séries. Carismática, consegue alternar perfeitamente entre a tímida e atrapalhada Kara Danvers e a confiante, as vezes até ameaçadora Supergirl.

Em meio as premissas absurdas, cenas de ação bem feitas e uma trama divertida, temos uma Supergirl humana, versátil e que não deixa de ser poderosa quando demonstra incerteza e vulnerabilidade. A personagem foi criada para servir de contraste ao seu eternamente infalível primo mais velho. Kara erra, aprende com seus erros, tenta se superar e está sempre disposta a fazer o seu melhor. Apesar da personalidade escoteira – marca registrada de todo mundo que usa o “S” no peito – Danvers ainda é jovem e vítima de suas próprias frustrações. Apesar da presença meiga, Benoist consegue oferecer um vislumbre do verdadeiro perigo se Supergirl decidir se tornar uma vilã. Não se preocupem, a série explora o potencial sombrio da personagem, mas não deixa de celebrar sua bondade inerente.

Supergirl foi criada como uma versão contrastante de seu sempre infalível primo mais velho. Ela, por ser mais jovem, era mais humana, capaz de cometer erros, passar por inseguranças e se esforçar para ser cada vez melhor. Um estilo de criar personagens que depois virou uma das marcas registradas de um certo aracnídeo amigão da vizinhança.

Apesar do tom leve e até “bobinho” as vezes, a série tem densidade emocional e cria momentos marcantes entre seus personagens. Existe tensão e drama, mas sem custar o tom leve e divertido, além das claras homenagens a era de prata.

Apesar da qualidade, Supergirl peca na hora de introduzir os vilões. Os alienígenas aprisionados e outros meta-humanos que surgem ao longo da temporada são muito limitados aos confinamentos narrativos do “vilão da semana”. Como nas demais séries, existe um arco que gradualmente caminha para o grande desfecho final – neste caso, kryptonianos renegados – que buscam vingança. Isso acaba morno, com atuações que deixam a desejar e poucos personagens de fato memoráveis.

Vale a pena? Semelhante em tom a The Flash com leves pinceladas sombrias de Arrow, Supergirl se mostra como a irmã madura da família DC na televisão e digna de sua atenção. A segunda temporada já está confirmada, mas sem previsão de data de estreia no Brasil.

Assista Supergirl na Warner Channel.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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