Ruth Bader Ginsburg, Suprema filme

CRÍTICA | Suprema - Felicity Jones vive juíza revolucionária

Tenho certeza que o trabalho de Ruth Bader Ginsburg vai te conquistar...

Suprema conta a história da juíza Ruth Bader Ginsburg e sua luta contra a descriminação sexual nas leis americanas

Antes de tudo, acho devo pedir desculpas por texto ter ficado um pouco pessoal. Não é todo dia que vejo um filme mostrando gente que faz a diferença, ainda mais uma pessoa que, pessoalmente, me inspira.

O lançamento da vez é Suprema, da diretora Mili Leder, que narra a juventude da juíza Ruth Bader Ginsburg (Felicity Jones) uma mulher que, contrariando a sociedade, foi uma das nove mulheres (entre 500 alunos) a entrar na Universidade de Direito de Harvard em 1956, mesmo sendo mãe e esposa, e processou o governo dos EUA por diversas leis discriminatórias, para criar precedentes que pudessem fazer elas mudarem.

Figura pouco conhecida aqui no Brasil, Ginsburg é um exemplo a ser seguido por não só entrar em uma faculdade de ponta, como em duas (ela terminou seus estudos na Faculdade de Direito de Columbia) em um tempo que a presença feminina no curso era escassa e cheia de discussão, como também, ao tornar a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Suprema Corte norte-americana em 1993. Viu, ela não é fraca não!

Até hoje, aos 86 anos, ela luta através de sua profissão contra a desigualdade de gênero a ponto de se tornar uma personalidade símbolo da cultura pop, estampando camisetas, imãs (tenho que admitir que tenho um) e até uma boneca. Em alta, sua história também foi retratada no aclamado documentário RBG (2018), que concorreu ao Oscar.

Mas ao contrário da obra de Betsy West e Julie Cohen, invés de fazer uma varredura geral na carreira da juíza, Leder escolheu focar no caso em que ela o marido e também advogado, Martin (Armie Hammer) defenderam juntos um homem solteiro, que contratou uma cuidadora para sua mãe doente, que teve o direto de dedução de impostos negado, já que por lei isso só era dado à mulheres, homens viúvos, divorciados ou nos quais as esposas estão incapacitadas ou internadas.

Como aprendi na faculdade de jornalismo que “o que acha mais atenção: o cachorro mordendo o homem ou o homem mordendo o cachorro?”, para mim, essa foi uma escolha muito inteligente do roteirista Daniel Stiepleman para diferenciar o filme, uma vez que o senso comum infelizmente está acostumado a discriminação sexual contra as mulheres, e o estranhamento com os papéis invertidos chama a atenção do público.

Aliás, sabe as frases “por trás de um grande homem sempre tem uma grande mulher” ou “por trás de uma grande mulher sempre tem um grande homem”? No filme nenhuma dessas duas podem ser usadas, aqui ninguém está atrás de ninguém, Ruth e Martin caminham lado a lado na relação, o que simboliza o real objetivo de toda a luta dela de tornar homens e mulheres iguais perante a lei e na vida.

O relacionamento entre Ruth e a filha Jane (Cailee Spaeny), que mais tarde seguiu os passos dos pais, também é interessante. Ambas são feministas, mas procuram expressar isso através de diferentes abordagens, enquanto uma é mais reservada, a outra participa ativamente de protestos nas ruas, mostrando o conflito entre as gerações.

No quesito fotografia nada realmente se destaca. Aquelas cenas com a personagem subindo as escadas do tribunal, ou mostrando o tamanho da pessoa em relação a magnitude que o prédio representa, ou uma mulher andando sozinha entre uma multidão de homens… Tudo isso foi usado, então zero de inovação.

Outro ponto decepcionante fica a cargo dos diálogos, que não parecem muito naturais, quase como se todas as cenas precisassem passar algum aprendizado, quando na verdade, isso deveria vir com o conjunto da obra.

Suprema pode não ser uma obra prima (o fato de estar em cartaz em pouquíssimas salas de cinema mostra isso) mas cumpre muito bem a função de inspirar as pessoas e encorajar mulheres, homens, futuros advogadas ou já formados a fazerem juntos a diferença. Ruth pode ser uma exceção, mas não significa que ela será a única.

“Mulheres pertencem a todos lugares onde as decisões estejam sendo feitas.” – Ruth Bader Ginsburg

 

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Nota:
7.5
Nota:
O bom
  • Boa premissa
  • Ruth Bader Gisburg deve ser conhecida
  • Boa atuação de Felicity Jones
O ruim
  • Fotografia nada inovadora
  • Narrativa um pouco previsível
  • Direção
    7
  • Roteiro
    7.5
  • Elenco
    7.5
  • Enredo
    8
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