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CRÍTICA | Drama ou comédia? Tal Pai, Tal Filha é interessante

Você seria capaz de viver para o trabalho?

Tal Pai, Tal Filha rema contra a maré de comédias românticas e investe em premissa mais sensível

Kristen Bell é Rachel, uma jovem que é deixada pelo noivo no altar. O motivo? Bem, ela não é workaholic, ela é workaholic ao extremo. Rachel liga para um cliente faltando minutos para se casar e atrasa a cerimônia porque precisa fechar um contrato antes da lua-de-mel. O noivo se irrita, percebe que o futuro com ela será complicado e Rachel é abandonada. Para piorar, seu pai aparece no casamento depois de 25 anos sem dar notícias. E mesmo sendo totalmente estranhos, aos poucos eles percebem o quanto são Tal Pai, Tal Filha.

Qualquer semelhança é mera coincidência

Após 25 anos separados, Rachel e Harry (Kelsey Grammer) são mais parecidos do que eles imaginam. Após a separação, Harry foi tentar uma vida nova. Acabou transformando uma amizade em uma excelente parceria de trabalho e se focou nisso até o falecimento do sócio. Enquanto isso, Rachel transformou todo e qualquer sentimento de abandono em se transformar em uma profissional de sucesso.

Com o impacto do reencontro, eles amarram um porre juntos e acabam na lua de mel de Rachel….Em um cruzeiro. Chegando lá, sem bagagem alguma, Harry se motiva para tentar reconquistar a filha e lavar roupa suja. Mas Rachel está mais preocupada em enfiar a cabeça no trabalho e esquecer a recém-separação.

Por um outro lado, os motivos por Harry ter perdido o contato com a filha, são como espelhos que Rachel não quer encarar. Pelo jeito, eles são mais parecidos do que parece.

Mais problemáticas

Rachel é grossa, péssima em relacionamento interpessoal – em ambiente social – e não demonstra interesse algum por Harry. Ao longo dos dias, o pai toma coragem de enfrentar as mimadas atitudes de sua cria, tentando trazê-la para o mundo real. E Rachel pouco se importa, se mostrando intolerante e extremamente artificial.

Premissa que nada contra a maré

O que todos esperam de Tal Pai, Tal Filha é um enredo onde ambos se encontram, se odeiam, passam a se amar, algo os separa e no fim eles ficam juntos. Receita básica de comédia romântica. Mas o que difere no roteiro de  Lauren Miller Rogen (que também assina a direção) é que existe o arco de reaproximação, mas ele é assegurado pelo clima do cruzeiro. Quando as “férias” acabam, Rachel volta a ser a pessoa de  sempre: workaholic.

Ao mesmo tempo que ela se permite ser confrontada, ela não se abre totalmente para o seu pai. Apenas relaxa um pouco e se diverte como qualquer humano normal faria se estivesse em um cruzeiro. Beber, fazer sexo sem compromisso, curtir amizades temporárias, tudo isso leva a audiência a crer em sua redenção, mas não é bem o que acontece.

Harry também precisa superar certos traumas. O falecimento de seu sócio e amigo o abalou demais, e procurar Rachel era um dos desejos do falecido. Ele também está ferrado de grana e precisa se reinventar na costa leste e recomeçar a vida quase que do zero. Inclusive quando Rachel percebe que seja, talvez, a única esperança do pai para muitas questões, nos surpreendemos com seus duros e factíveis argumentos e um debate sobre relacionamento de pai e filha perturbador.

Vale a pena?

Sim. Tal Pai, Tal Filha tem seus momentos cômicos mas, em geral, é mais dramático. Talvez o clima do cruzeiro “quebre o clima” de reconciliação em alguns momentos, mas a trama como um todo funciona neste cenário inesperado onde pai e filha viagem juntos depois de 25 anos sem se ver.

Kristen Bell e Kelsey Grammer têm uma ótima química e ambos sabem carregar emoções com muito talento. Tal Pai, Tal Filha talvez incomode aqueles que esperam por algo mais engraçado, mas certamente tem seu peso e importância ao retratar uma relação neste formato quase nunca explorado no cinema.

É interessante ter um roteiro tão feminino e sensível com uma estrutura bacana para trazer uma abordagem contemporânea do relacionamento pai e filha sem que a protagonista seja uma criança ou uma adolescente prestes a ir pra faculdade. Ponto positivo pra Netflix.

Küsses,

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“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

7.3
O bom
  • Kristen Bell se mostra cada vez mais versátil
  • O longa tem carisma do começo ao fim
O ruim
  • Já entendemos que a Royal Caribbean bancou o filme, Netflix! Tá tudo bem!
  • Direção
    8
  • Roteiro
    7
  • Elenco
    8
  • Produção/ Fotografia
    6
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