Confira nossa crítica da primeira temporada de The Boys, a nova série da Amazon Prime Video baseada na HQ de Garth Ennis e Darick Robertson. Dica da semana!

CRÍTICA | The Boys - Temporada 01

Confira nossa crítica da primeira temporada de The Boys, a nova série da Amazon Prime Video baseada na HQ de Garth Ennis e Darick Robertson. Dica da semana!...

Deliciosamente obsceno, The Boys chega para dar um tapa na cara dos super-heróis

The Boys é sensacional. A crítica poderia terminar aqui, mas você não clicou na matéria para ver uma única fase né? Então vamos lá. A nova série da Amazon Prime Video é baseada no quadrinho ultra-violento de Garth Ennis e Darick Robertson. A ideia por trás da série era fazer duas coisas: colocar em panos limpos a opinião baixíssima que Ennis tem por quadrinhos de super-herói e criar algo que seria bem mais sujo que Preacher. Como HQ, é uma leitura bem recomendada. Não tem nenhuma grande mensagem ou filosofia por trás, mas é extremamente divertido explorar um mundo que apenas diz, “esses super-heróis são meio babacas né?”.

Enfim, vamos à série.

The Boys – Temporada 1

No mundo de The Boys super-heróis são reais. Não só são reais, como são um excelente negócio. Todos são gerenciados pela mega-corporação Vought que não só auxilia no combate ao crime como também fatura bilhões com produtos licenciados, filmes e contratos públicos para aloca-los em diferentes cidades dos EUA.

Enquanto isso, os super-heróis se comportam exatamente como você imaginaria, sendo não só as maiores celebridades do planeta, como também poderosos suficientes para serem invencíveis. Pervertidos, drogados, beberrões e inconsequentes, fazem tudo e mais um pouco com total liberdade. Contudo que façam em segredo para não destruir suas preciosas reputações.

Entra Billy Butcher (Karl Urban) e seu grupo, The Boys. Frenchie (Tomer Capon), Mother’s Milk (Laz Alonso), um bando de agentes clandestinos da CIA com a missão de derrubar a Vought e seus super-heróis. Eles recrutam Hughie (Jack Quaid), um pacato vendedor de eletrônicos cuja namorada é destroçada por A-Train (Jessie T. Usher), um super-herói velocista e membro dos Sete, o grupo de heróis mais famoso e poderoso da Terra.

Super-heróis são todos c#zões

Os heróis de The Boys são praticamente “supervilões”, agentes amorais tão violentos quanto seus alvos. Mas calma! Vamos dar uma olhada nos antagonistas. Primeiro temos o Homelander (Anthony Starr), o líder dos Sete. Steve Rogers por fora, Norman Bates por dentro com a atitude de um Brett Ratner em qualquer recinto com bom volume de cocaína e atrizes principiantes.

Neste mundo, esses FDPs são realmente perigosos. Anualmente, centenas de pessoas morrem e são apenas consideradas danos colaterais. A popularidade dos heróis é tão grande que não só o público ignora a destruição, como legalmente eles têm os mesmos direitos de um policial. Aos poucos, a primeira temporada vai revelando porque The Boys, especialmente Butcher, têm tanta vontade de aniquilar a Vought e sua principal fonte de renda.

Algo a dizer

É ação. É comédia. Tem momentos bizarros, violência desenfreada e aquele tipo de humor que você só encontra em um quadrinho de Ennis. Mas não é só isso. Como é meio esperado em outros projetos produzidos por Seth Rogen e Evan Goldberg, existem observações interessantes na mistura. É nítido que a série tira bastante sarro com a tsunami de popularidade de super-heróis da nossa cultura atual. É possível ver como a imagem manufaturada destes heróis, com visitas em hospitais para conhecer crianças e vídeos melosos e cheios de drama, remetem a um certo estúdio cinematográfico e seu universo compartilhado sob a batuta de uma certa megacorporação de entretenimento. E é claro, os assédios sexuais desenfreados e todo o maquinário feito para impedir que as vítimas venham à público também é um elemento familiar e perturbador.

Cutucadas a parte, ao adaptar a HQ diversos personagens ganharam uma profundidade de personalidade considerável. O Butcher dos quadrinhos nunca foi muito mais que um sociopata ultraviolento, já na série, não só ele tem motivações mais interessantes, mas o próprio carisma de Urban traz mais dimensão e substância para o personagem.

O próprio Homelander também que, no original, é o típico valentão metido a macho alfa que secretamente tem severos problemas de auto-confiança e aceitação da própria sexualidade. Na série, ele é verdadeiramente aterrador. Um serial killer que se julga superior à humanidade e com poderes suficientes para alimentar sua sociopatia. Porém, com aquela personalidade ensaiada de um Deus encarnado a la Superman que mal disfarça sua frieza reptiliana. É fascinante e um dos pontos altos da série.

No fim, com boas cenas de ação, um roteiro afiado e imprevisível e personagens verdadeiramente marcantes, The Boys é uma excelente aposta para um série que não só traz algo novo para o público, mas também cutuca em cheio o nervo do atual momento da nossa cultura pop.

The Boys já está disponível na plataforma de streaming Amazon Prime Video e a segunda temporada está confirmada.

Até a próxima!

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Nota
10
Nota
O bom
  • Você nunca mais ver o Aquaman ou golfinhos do mesmo jeito. Ou Gossip Girl...
  • Hughie na HQ foi desenhado para parecer o Simon Pegg, como já está mais velho, faz o pai do personagem na série!
O ruim
  • Argh! Maldito cliffhanger de final de temporada!
  • Direção
    10
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    10
  • Enredo
    10
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