The Dirt: Confissões do Mötley Crüe conta a história de uma das bandas mais malucas da história do rock, sem disfarçar os estragos e consequencias. Confira

CRÍTICA | The Dirt: Confissões do Mötley Crüe

The Dirt: Confissões do Mötley Crüe conta a história de uma das bandas mais malucas da história do rock, sem disfarçar os estragos e consequencias. Confira...

The Dirt: Confissões do Mötley Crüe conta a história de uma das bandas mais notórias do rock n’roll

Bohemian Rhapsody abriu as comportas para biografias de roqueiros e bandas. Teremos Rocketman contando a história de Elton John, Stardust contando a história de David Bowie – sem contar Ray, Johnny & June entre tantos outros. Todas estas adaptações trazem a mesma receita de bolo, gênio atormentado por um passado sombrio (geralmente problemas familiares ou um interesse amoroso) insere toda sua energia para se tornar um deus da música, ele/a passa por algum tipo de processo auto-destrutivo antes de encontrar a redenção no terceiro ato. Geralmente são histórias bonitinhas, mas extremamente romantizadas e um pouco repetitivas. Para refrescar um pouco o gênero antes que fique industrializado demais, entra The Dirt: Confissões do Mötley Crüe.

The Dirt

Baseado na autobiografia assinada pela banda, The Dirt conta as origens do Mötley Crüe em Los Angeles. Nikki Sixx (Douglas Booth) teve uma infância horrível a ponto de mandar sua mãe para a cadeia e trocar de nome. Ele larga sua banda London para formar uma banda que seja mais exagerada, pesada e agressiva que qualquer outra coisa na cena de Los Angeles. Ele faz amizade com Tommy Lee (Machine Gun Kelly), um baterista com personalidade de golden retriever. Logo, entra para a banda Mick Mars (Iwan Rheon), um guitarrista agressivo e mal humorado com problema de coluna e Vince Neil (Daniel Webber), um vocalista de banda cover que só pensa em sexo.

Não existe firula, a premissa deixa bem clara que estes quatro loucos se reuniram para fazer barulho, transar com o maior número possível de mulheres e usar drogas suficientes a ponto de sustentar a economia da Colômbia sozinhos. A cena hair metal dos anos 80 era notória pelo hedonismo das bandas, mas nenhuma chegava no nível de Mötley Crüe. Acompanhamos a ascensão meteórica da banda, as festas desenfreadas e as consequências mórbidas.

Nada é romantizado e a própria banda, que atuou como produtores do projeto, não tentam criar um arco de redenção. Os momentos mais pesados da trajetória estão aí. Dá morte de Razzle (Max Milner), baterista do Hanoi Rocks em acidente de carro com Vince Neil, à overdose e quase morte de Nikki Sixx devido ao uso de heroína, à morte da filha de Neil aos inúmeros erros, destruições e vícios da banda. Eles deixam bem claro, que após a reabilitação, a banda não consegue manter o pique ou a criatividade porque a vida ficou chata demais.

Nada é sagrado

A locução do filme é bem interessante. Ela vai se alternando entre os membros da banda para descrever o que está rolando no momento e as vezes até mesmo tirar sarro dizendo que na vida real não foi bem assim. Outros personagens como produtores e agentes também tem seu momento, olhando diretamente para a audiência e comentando exaustos sobre como é lidar com a baderna do Crüe e os traumas que gerenciar a banda deixaram em suas vidas.

É refrescante ver uma biografia de música que não tenta romantizar a vida dos músicos. A vida da banda foi de fato uma festa sem fim, com inúmeras consequências trágicas, mas existe algo estranhamente louvável em seu compromisso de ser a banda mais notória da história do rock. Talvez não tenha uma grande lição aí, mas é uma exibição fascinante sobre os limites do excesso humano.

The Dirt: Confissões do Mötley Crüe já está disponível na Netflix.

Até a próxima!

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Nota
8.5
Nota
O bom
  • A cena do Ozzy Osbourne é digna de ser lembrada.
O ruim
  • Apesar da inovação, o filme ainda tem muitos clichês de biografia de músicos.
  • Direção
    9
  • Elenco
    9
  • Roteiro
    8
  • Enredo
    8
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CriticasFilmes

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