The Umbrella Academy crítica primeira temporada

CRÍTICA | The Umbrella Academy (Netflix)

Senta que lá vem mais heróis na Netflix....

Depois de se despedir das séries da Marvel, a plataforma de streaming parece acertar o passo com a nova produção

Apenas uma semana depois de seu lançamento, a nova aposta da Netflix “The Umbrella Academy” parece ter ganhado o público. De acordo com a empresa de análise de dados Parrot Analytics, a série é o atual líder de audiência do streaming.

The Umbrella Academy – Base da história

Baseada nos quadrinhos de Gerard Way e do brasileiro Gabriel Bá, desenvolvida pela Dark Horse Comics, a série mostra uma família de super-heróis bem desajustada, formada por Luther (Tom Hopper), Diego (David Castañeda), Allison (Emmy Raver-Lampman), Klaus (Robert Sheehan) e Vanya (Ellen Page), todos adotados pelo bilionário Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore) e criados com a ajuda de uma androide e de um chimpanzé. Nada de normal, né?

Após a morte do patriarca, eles são obrigados a encarar uns aos outros depois de anos distanciados, revelando adultos solitários e com claros problemas de socialização em decorrência de uma criação nada convencional. A história se complica ainda mais quando um dos irmãos, Número Cinco (Aidan Gallagher) — que desapareceu há mais de 10 anos graças à sua capacidade de viajar no tempo — reaparece como um homem de 58 anos preso no corpo de um adolescente de 13 anos, trazendo com ele o eminente fim do mundo.

E desenrola bem?

O roteiro, apesar de um pouco previsível, é bem amarrado, seguido a fórmula adotada pela Netflix de apresentar a premissa e ao longo da temporada vai destrinchando os personagens, levando o público a entender o porque dos rumos da trama. Mesmo assim, os escritores deixam espaço e expectativa para o futuro da série.

No quesito visual, a série tem recebido diversos elogios, principalmente por aqueles que já conheciam os quadrinhos, já que mantém a pegada de ficção científica das antigas, meio anos 1950. As cores com poucas variações ajudam o público a perceber o clima de luto e que a Academia deixou de ser um lar para os irmãos, e se tornou apenas uma casa carregada de lembranças de uma infância disfuncional.

Apesar de parecer uma narrativa mais dramática, o humor não fica de fora, na verdade Klaus e Número Cinco brilham tanto nesse quesito quanto na atuação em geral. Robert Sheehan é excêntrico na medida certa, enquanto Aidan Gallagher, com seus 15 anos, trabalha páreo aos demais atores e realmente parece ser um homem ranzinza beirando seus 60 anos no corpo de um garoto na puberdade.

Os assassinos profissionais Hazel (Cameron Britton) e Cha Cha (Mary J. Blige) também trazem risos pra quem assiste, principalmente quando protagonizam algumas das sequências mais divertidas e nonsenses da temporada.

Falando nos personagens, é interessante ver que apesar de possuírem habilidades incomuns, o foco não está nisso, mas no seu lado humano, em suas personalidades e como isso afeta seus relacionamentos.

Talvez isso ocorra pelo grande destaque que Vanya recebe na narrativa, já que ela é a única da família sem poderes, vista como a garota comum e excluída. Ellen Page — que volta a se aventurar no universo de super-heróis depois sua atuação como Kitty Pryde na franquia X-Men — apesar de ser o grande nome do elenco, parece um pouco entediante e só ganha mais força nos episódios finais.

Aumente o som!

Um dos pontos altos com certeza é a trilha sonora. É contagiante e divertida, além de que parece ter sido escolhida a dedo, não está só de “enfeite”. Algumas pessoas até acharam que fazem as sequências parecerem videoclipes. Não é a toa que o próprio streaming já até preparou uma playlist no Spotify.

Vale a pena?

Para os preocupados com os recentes cancelamentos de Jessica Jones, Justiceiro e das demais séries da Marvel e o que isso significaria para o futuro da Netflix, fiquem tranquilos, porque The Umbrella Academy tá aí pra mostrar que a plataforma não precisa da MCU para trazer super-heróis á vida.

Comente via Facebook!
Nota:
8.8
Nota:
O bom
  • The Umbrella Academy não é mais do mesmo. São super-heróis, mas os poderes não são muito explorados na narrativa, e sim as relações entre os personagens e seu lado humano.
  • A trilha sonora é ótima! Como um dos escritores das HQ Gerard Way é ex-vocalista da banda My Chemical Romance, as músicas devem ter sido bem pensadas. Elas dão uma característica única para as sequencias de ação como na cena do incêndio no laboratório ao som de “Shingaling” - Tom Swoon. Vale prestar a atenção na letra de algumas e reparar como tem tudo a ver com a história, “I Think We Are Alone Now” – Tiffany e “One” – Three Dog Night são bons exemplos disso.
  • A atuação de Robert Sheehan (Klaus) e Aidan Gallagher (Número Cinco) é com certeza um dos pontos altos da série. Enquanto um é excêntrico e cria uma empatia com o público, o outro parece realmente ser um idoso preso no corpo de um garoto na puberdade. Além de que é impossível não rir dos dois.
  • Se tiver precisando de um colírio novo para os olhos, lhe apresento Tom Hopper (Luther). O britânico, que também participou de Game of Thrones, consegue ficar bem até com um corpo absurdamente grande e é um fofo dançando.
  • Ainda se tem bastante história pra contar, já que a primeira temporada terminou com um mega cliffhanger. Além de que tem várias narrativas que foram introduzidas e que podem ser exploradas no futuro como a morte do irmão Número 6/Ben.
O ruim
  • O roteiro é um pouco previsível, então depois de assistir alguns episódios dá pra ter uma ideia da direção que algumas coisas vão tomar.
  • Mesmo sendo o maior nome no elenco, Ellen Page (Vanya) parace um pouco sem sal. Talvez a personagem peça justamente uma atuação mais down, mas mesmo assim era de se esperar mais. Ainda bem que melhora nos episódios finais. Mas o pior está nas mãos de John Magaro (Leonard), ele simplesmente não convence.
  • Alguns podem achar a série meio parada e demorada para se desenvolver. Mas acho que isso mostra o quanto os irmãos estão deslocados entre si e tentando a se adaptar depois de anos sem contato.
  • Se realmente querem um vilão, ele só chega no final. Teoricamente os assassinos profissionais Cha-Cha (Mary J. Blige) e Hazel (Cameron Britton) deveriam cumprir esse papel desde o início, mas o lado cômico deles se destaca mais do que a vilania.
  • Umbrella ainda não foi renovada para a segunda temporada, apesar de ser praticamente certa devido ao seu tamanho sucesso. Mas, mesmo assim, significa que não teremos material novo por no mínimo um ano, para o desespero dos fãs.
  • Direção
    9
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    8
  • Produção / Fotografia
    10
Categorias
CríticasSéries

Ver também