CRÍTICA | This Is Us - Temporada 2

Tudo gira em torno da morte de Jack...E isso não foi tão legal

Na segunda temporada de This Is Us, descobrimos como a morte de Jack separou a família Pearson

This Is Us é uma série que machuca a audiência. Antes de Jack (Milo Ventimiglia) morrer, nos apaixonamos por pais dedicados e capazes de fazer qualquer coisa para seus filhos não sofrerem com o amadurecimento. Uma realidade talvez inexistente para quem assiste. Mas a segunda temporada explora temas plausíveis como alcoolismo, depressão e adoção e conhecemos um lado da Familia Pearson não tão perfeitinho.

A base da segunda temporada

No primeiro episódio descobrimos que Jack morreu em um incêndio. A partir daí, os flashbacks e momento atual dos personagens revelam as doloridas marcas desta perda. Kate (Chrissy Metz) não consegue superar a dor de ter um cachorrinho de estimação. Kevin (Justin Hartley) não consegue se prender a um relacionamento e começa a beber. Randall (Sterling K. Brown) tenta se manter equilibrado para não ter novos momentos onde ele trava. Uma espécie de crise do pânico. Além disso, Becca (Mandy Moore) está ainda mais distante de seus filhos, tentando reentrar na vida de cada um sem, o tempo todo, trazer a perda de Jack à tona.

Mas a Kate não esquece…

Kate e Toby (Chris Sullivan) passam por um arco interessante e irritante nesta segunda temporada de This Is Us. Enquanto a aspirante cantora engravida do noivo e tenta lidar com os riscos de perder o bebê, Toby briga pelo relacionamento dos dois fazendo com que Kate entenda que eles dividem uma vida juntos e que Kevin não precisa fazer parte dela o tempo todo.

Além disso, temos um Toby exaustivo que a todo momento precisa fazer com que Kate enxergue o lado bom das coisas, forçando a companheira a “superar” seus traumas do passado…Que não são poucos. Além de termos uma Kate constantemente traumatizada, Toby se torna um bobo da corte.

Sem muitas “cartas na mesa”, o roteiro justifica o comportamento pentelho da Kate por meio do trauma da noite da morte do Jack. Não que seja algo inaceitável, mas considerando que 20 anos se passaram, Kate, de todos os integrantes da família Pearson, é a que menos superou ou lidou com o trauma da morte do pai.

Se ela não consegue cantar, é por que inveja a mãe. Se ela não consegue ter um cachorro novo, é por que o bicho tem alguma conexão com a morte do pai. Se ela não cabe num vestido, é por que algum momento da sua infância ela também não conseguiu entrar num vestido e foi Jack que conversou com ela, se ela não consegue emagrecer é por que ela se sente culpada pela morte do pai. Para tudo ela tem uma muleta, para tudo ela tem um argumento, mas vamos combinar…VINTE anos se passaram.

Os roteiristas poderiam ter pesado um pouco menos no arco dela, tentando reinventar uma Kate apaixonada e menos egocêntrica. E, como falamos, Toby vira o bobo da corte tentando fazer sua noiva enxergar que tudo isso são coisas do passado e que ela já tem capacidade de reescrever o futuro…Aos 37 anos.

Falando em futuro…

Kevin está perdido! Depois de demitido do seriado que lhe rendeu milhões, Kevin tenta manter seu relacionamento com Sophie à distância, já que o garanhão está gravando um filme de guerra com Sylvester Stallone dirigido por Ron Howard. Mas quando um acidente em set acontece, Kevin encontra o conforto da cachaça. Nessas, a “caixa de Pandora” se abre e ele revive sofrimentos da adolescência, incluindo…a perda do pai.

No alcoolismo surge a dor e a necessidade de enfrentar sentimentos enterrados. Ele termina com Sophie (Alexandra Breckenridge), de uma forma terrível, e resolve ficar um tempo na casa da mãe – com o padrasto ex-melhor amigo de Jack – para… superar a perda do pai.

Kevin tem uma evolução interessante nessa temporada. Primeiro que, por causa do álcool, ele passa a não dar muita atenção para Kate, vira alvo da nova filha de Randall e finalmente entendemos o que houve com ele no dia do incêndio. É caótico.

Falando em nova filha…

Randall e Beth (Susan Kelechi Watson) oferecem cuidado adotivo para uma nova menina. Chega em suas vidas a traumatizada Deja (Lyric Ross), uma menina de 12 anos cuja mãe está presa. Deja viveu em condições precárias e tem um passado atordoado pela morte da carinhosa e zelosa avó. Sua mãe tentou manter a relação e a vida das duas em ordem, mas das necessidades surge o desespero, e Deja assiste sua mãe tomando péssimas decisões.

Ao chegar na família de Randall, o contato físico, gritos e o excesso de carinho a assustam. Com o tempo, ela se afeiçoa pelas meninas mais novas, um pouco por Randall e muito por Kevin versão alcoólatra. Deja entende e passa a gostar da vida de conforto, mas sua mãe sai da cadeia e a menina é levada.

Randall tenta honrar sua adoção por Jack e Becca adotando Deja, também tenta reaver algum tipo de sentimento brando com a perda de seu pai biológico, mas nessa confusão de “nobreza” pelos que partiram, é Beth que precisa colocar o marido na linha.

Uma emocionante reviravolta com Deja aquece a segunda temporada, tira algumas lágrimas e nos leva a conhecer mais um lado de Randall. Ele é o coração da segunda temporada de This Is Us, deixando as demais tramas sem sal.

Reflexões

This Is Us não perdeu a mão, muito pelo contrário, esta temporada trouxe novos horizontes para as temáticas em torno da família Pearson. Mas algumas coisas poderiam ter menos destaque. A jornada da Kate entre ser cantora, a maternidade e o casamento, deu destaque demais para a sua dificuldade de lidar com a perda de Jack.

O fato dela ter a urna com as cinzas de Jack em casa e não ter um bom relacionamento com a mãe foram além do limite. Seu sentimento de culpa reflete em seu comportamento arredio e depressivo. Todas as vezes em que ela é confrontada, automaticamente ela se posiciona como vítima, levando Toby Bobo da Corte a levantar seu ego sem necessidade e com discursos pedantes.

O ponto da gravidez geriátrica em caso de mulheres obesas é uma temática interessante, mas logo passa e Kate retorna para o redemoinho de culpa. Um potencial assunto foi deixado de lado para a audiência simpatizar com suas fobias e falta de culhões pra se cuidar.

Enquanto isso, Kevin rende marcantes momentos. O filho perfeito, o nº 1 – por ter nascido primeiro – e queridinho dos papais, carrega uma máscara que esconde sua verdadeira melancolia. A bebida apenas faz a carapuça cair mais rápido, dando espaço para diálogos fortíssimos sobre a competição entre irmãos, filhos favoritos, edução mimada e a falta que um pai lhe faz.

E Randall, bem…prepare a caixa de lenço, pois todo destaque é ele. Sua história com Deja é ponte para retornamos em momentos importantes da família quando as crianças eram adolescentes. Os primeiros namorinhos, as escolhas de faculdade, as dificuldades de interação social. Tudo isso ganha espaço, trazendo para a audiência estranhos sentimentos de nostalgia. This Is Us tem vozes poderosas que teçam uma trama de fácil identificação pessoal.

Essa segunda temporada veio para firmar que nenhuma edução é perfeita, toda família pode passar por alguma tragédia e nenhuma mágoa é incurável. Ah, e que ser uma família independe de genética, são seus valores e força de vontade de forjam uma estrutura familiar rígida. E, por fim, descobrimos que com a perda de Jack, Becca “perdeu” a mão e que os irmãos tiveram que seguir suas vidas com uma mãe que optou por não viver o luto. E isso resultou em consequências.

Pra fechar, algumas cenas da segunda temporada são flash forwards, deixando cliffhanger intrigantes para a terceira temporada de This Is Us que estreia ainda este ano.

A primeira e segunda temporadas você assiste quando quiser no app da FOX. Boa maratona!

Küsses,

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“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

2ª temporada de This Is Us
9.5
2ª temporada de This Is Us
O bom
  • Milo Ventimiglia dá vida a um tipo de Pai que não deve existir na vida real...É muito apaixonante!
  • Randall é o centro desta trama e a atuação de Sterling K. Brown é marcante.
  • Mandy Moore consegue ser sincera em sua atuação em qualquer situação. Sofremos junto!
O ruim
  • Kate e Toby Bobo da Corte realmente não rolou!
  • Faltou algo no arco da Sophie, mas tudo bem!
  • Direção
    10
  • Elenco
    10
  • Produção / Fotografia
    10
  • Roteiro
    8
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