[CRÍTICA] Trumbo: Lista Negra – Uma Hollywood antiética?

Em Trumbo: Lista Negra conhecemos um lado não tão amigável de Hollywood Voltamos à Segunda Guerra Mundial, o auge dos anos 1940, que abriram espaço para ideologias políticas divergentes....

Em Trumbo: Lista Negra conhecemos um lado
não tão amigável de Hollywood

trumbo-lista-negra-freakpop-04Voltamos à Segunda Guerra Mundial, o auge dos anos 1940, que abriram espaço para ideologias políticas divergentes. Na Califórnia, em meio aos glamourosos estúdios de cinema, o meio artístico começa a tomar partidos. De um lado: os pacifistas e isolacionistas. De outro: os comunistas. Um grupo de roteiristas americanos defendia o não envolvimento dos Estados Unidos no conflito dos Aliados, que eram a favor do Pacto Nazi-Soviético não ser assinado, uma vez que o mesmo firmava, à véspera da guerra, a não agressão entre Alemanha NazistaUnião Soviética. É nesse momento incerto de posições políticas que o roteirista mais bem pago da época, Trumbo Dalton (Bryan Cranston), se afiliou ao Partido Comunista dos Estados Unidos fomentando uma nova guerra, agora dentro de Hollywood

Batendo de frente com o Comitê de Atividades Antiamericanas e após tomar decisões erráticas sobre delatar comunistas que estariam infiltrados na indústria do cinema, Dalton foi condenado a 11 meses de prisão e passou a integrar a primeira Lista Negra de Hollywood. Proibido de trabalhar, o roteirista e mais nove nomes do meio tiveram que dar um jeito de voltar a ativa para pagar suas contas. Deixando a trama política mais de lado, acompanhamos sua jornada para conseguir vender seus roteiros e sustentar sua família. 

Claramente obcecado por seus ideais, Danton não era uma pessoa fácil de lidar. Sempre bem articulado e com opiniões ambíguas, ele não deixou de lado sua crença esquerdista contra o Macartismo, movimento pós guerra, que visava acusar as pessoas de traição e atividades socialistas sem respeitar as evidências, e escreveu 30 roteiros usando pseudônimos, chegando a ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Original por The Brave One (1956) que não foi recebido por seu autor “Robert Rich”. 

Com muito bom humor e inquietude, Cranston dá vida ao elétrico roteirista, que faz jus ao que realmente julgava correto, mesmo que isso lhe resultasse em desavenças com a família e os amigos mais próximos. Não só imersamos por trás dos problemas políticos entre as décadas de 40 e 60, mas também pela fascinante mente criativa de Trumbo Dalton, um homem capaz de criar histórias envolventes e marcantes. Entre suas obras mais conhecidas estão A Princesa e o Pebleu (1953), também vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original e sua “carta de alforria” Exodus (1960), que com a ajuda do ator Kirk Douglas (Dean O’Gorman) teve seus roteiros creditados e voltou a integrar o sindicado dos roteiristas (Writers Guild of America – West). 

Em Trumbo: Lista Negra, acompanhamos toda essa bagunça de Hollywood de forma didática, divertida e com uma produção impecável. Dirigido por Jay Roach (Um Jantar para Idiotas), o longa oferta um conhecimento mais peculiar da época, sendo um projeto de grande afronta aos deslizes de Hollywood. Com uma atuação impecável, Cranston divide a tela com Hellen Mirren, que dá vida à Hedda Hopper, uma jornalista influente capaz de desconstruir qualquer imagem à favor dos Aliados. Mirren, com toda sua classe inglesa, é uma antagonista marcante e inescrupulosa que tem a língua afiada para despejar afrontas e opiniões polêmicas, que no filme funciona não só como a “vilã”, mas também como uma crítica à postura da imprensa em geral com os reais problemas da época. É…. A academia fez apenas uma indicação ao Oscar ® Trumbo: Lista Negra e nós entendemos muito bem o motivo. 

Não espere reviravoltas. O filme é biográfico, faz um belo resumo dos reais acontecimentos e ainda assim entretêm simplesmente porque…é um filme! Trumbo: A Lista Negra é frenético, tem um visual e figurinos respeitáveis e um Bryan Cranston como você nunca viu. Sorry, Breaking Bad. É uma pena que o longa não tenha tido mais destaque, mas vamos lá, os apaixonados por cinema certamente se envolverão com essa cativante história e a galerinha que não torce para o Leonardo DiCaprio (O Regresso), certamente vai ficar satisfeita de ver Cranston com a estatueta dourada na mão. E sim, ele merece mais que o DiCaprio…que comece a guerra!

O longa estreia dia 28 de janeiro nos cinemas e merece toda a sua atenção. 

Küsses, 

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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