CRÍTICA | Um Homem Comum é um filme sobre pavor e ódio

Filmão!

Em Um Homem Comum temos uma delicada relação de pavor e ódio

Há alguns anos, o diretor Bryan Singer trabalhou com Ian McKellan no filme O Aprendiz, antes de assumir o comando do primeiro filme dos X-Man. O filme apresentava um garoto que descobre que seu vizinho era um ex-militar de Adolph Hitler, um típico nazista que teve uma cota considerável de assassinatos genocidas em sua carreira no Terceiro Reich.

A relação entre os dois é estranha que beira a manipulação, tanto de um, que descobriu o segredo, quanto do outro, que vê a possibilidade de cooptar o adolescente para o seu lado. O resultado final é intenso, demonstrando que relações extremas tendem a ter uma catarse mais do que intensa. Isso poderia ter acontecido em Um Homem Comum, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, mas felizmente não.

O Homem Comum traz o vencedor do Oscar por Ghandi, Ben Kingsley, como um dos generais da antiga Iugoslávia, responsável pelos massacres genocidas durante a guerra civil que dividiu o país. Ele é protegido por um grupo de ex-camaradas de armas que o vigia constantemente, apesar de sua constante rebeldia de não querer essa reclusão voluntária. Afinal de contas, o velho general continua na lista dos genocidas caçados pelo Tribunal de Aia, órgão de justiça internacional que também prendeu nazistas e outros criminosos de guerra.

O problema para esse homem aparentemente comum é a chegada de uma nova empregada, interpretada por Hera Hilmar, atriz islandesa que trabalhou nas séries The Romanoffs e Da Vinci’s Demons e no filme Anna Karenina (2012). Ela tenta não tenta se aproximar do seu novo “patrão” por que seu primeiro encontro foi mais do que brutal. Tanja, contudo, sabe que para manter seu emprego terá que ser muito mais do que empregada, e muito menos do que uma ex-correligionária.

A relação entre o homem comum e sua empregada durante praticamente todo o filme beira a uma simples divisão: nenhum limite pode ser ultrapassado, caso contrário, alguém pode se ferir. Muito mais do que no sentido figurado, os dois personagens parecem andar em paralelo quando tentam demonstrar humanidade. Mas para o homem comum, isso é uma qualidade que ele não sabe se perdeu ou não no constante jogo de gato e rato que vem vivendo, desde que se transformou em fugitivo. E para Tanja, humanidade é algo que ela ainda não descobriu em si mesma.

Um Homem Comum foi produzido, escrito e produzido por Brad Silberling, aquele tipo de cineasta que embarca em produções como Desventuras em Séries (2004), e que nas “horas vagas” vai para a televisão faz dramas históricos como Reign e comédias românticas como Jane the Virgin. Esse filme mostra a qualidade com que ele mergulha num tema muito árido, mas consegue mostrar com calma e muito profissionalismo como opostos atraídos tendem a se transformar num violento conflito de interesses.

Não é um filme “papo cabeça” e não é o filme político. Um Homem Comum é mais como uma fantasia épica, onde o dragão depois de ter dizimado a aldeia da princesa, se recusa continuar sua própria vida. Mas simplesmente descobre que sempre foi um monstro assassino e só agora, percebeu isso.

Resumo: onde parece existir tensão sexual é, na realidade, a revelação que o ser humano que quando peca, não sabe quando parar.

Comente via Facebook!

Autor de dois livros, um sobre Série e outro sobre Desenhos Animados, Paulo Gustavo Pereira é jornalista há 34 anos, tem uma vasta experiência em reportagens, é editor-chefe do site BesTV e fã de carteirinha de Jornada nas Estrelas. Aqui na Freakpop, Gus – para os mais íntimos – dará muitas dicas bacanas sobre séries.

Nota:
8
Nota:
O bom
  • Bem Kingsley é um puta ator, hoje e sempre!
  • Quem diria que a Islândia tem gente tão talentosa como Hera Hilmar.
  • A realidade bate à nossa porta para mostrar uma pavorosa realidade mais do que atual.
O ruim
  • Não há!
  • Direção
    8
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    8
  • Enredo
    8
Categorias
CriticasFilmes

Ver também