CRÍTICA | Um Limite Entre Nós – Uma análise sobre o fardo do ressentimento

Um Limite Entre Nós explora a dificuldade de se adaptar às mudanças do mundo Em Um Limite Entre Nós, Troy Maxson (Denzel Washington) é um catador de lixo em...

Um Limite Entre Nós explora a dificuldade de se adaptar às mudanças do mundo

Um Limite Entre NósEm Um Limite Entre Nós, Troy Maxson (Denzel Washington) é um catador de lixo em Pittsburgh nos anos 50. De origem humilde e analfabeto, ele sustenta sua família com seu trabalho sempre na expectativa de chegar sexta feira, onde sempre encontra com seu melhor amigo Jim Bono (Stephen Henderson) para beber um pouco e conversar. Apesar das dificuldades, Troy se orgulha de aceitar com dignidade o fardo da responsabilidade de cuidar de sua esposa Rose (Viola Davis) e seu filho Cory (Jovan Adepo). Aqui, acompanhamos a jornada de seu protagonista e seus arrependimentos ao longo de sua vida.

Antes da sua vida atual, Troy foi muitas coisas. Um ladrão, um presidiário e um jogador profissional de baseball na Negro Leagues, a liga profissional de atletas negros antes da dessegregação do esporte. Ele acredita não ter sido aceito para jogar na Major Leagues devido à sua cor, apesar de diversos personagens argumentarem que ele provavelmente fora rejeitado devido à sua idade. Este elemento de ressentimento racial criou um senso de desconfiança e apatia que permeia todas as decisões do personagem. Esta descrença cria uma relutância em Troy em aceitar que o mundo está mudando e isto o torna um antagonista para seus filhos. Cory pode conseguir uma bolsa para jogar futebol americano em uma universidade, e Lyons (Russell Hornsby), seu filho mais velho, sonha em ser músico.

Um Limite Entre Nós é um estudo fascinante sobre os fatores que moldam o indivíduo. Além, obviamente, das dificuldades em ser negro em um período sombrio da história americana, o longa explora o fardo da masculinidade. Troy se define como um homem e enfrenta todas as obrigações e responsabilidades que acompanham este papel. Um homem deve ser o provedor e o protetor. Um homem não deve mostrar fraqueza e vulnerabilidade. Um homem deve sempre priorizar suas responsabilidades antes de si próprio. Nesta temporada do Oscar, é o segundo filme que explora a dificuldade de um indivíduo atingir a autodescoberta devido às restrições impostas sob quem ele é.

Denzel Washington entrega um personagem assustador, mas não menos intrigante. Ao mesmo tempo que conhecemos um Troy afável, sempre pronto para contar boas histórias e divertir as pessoas ao seu redor, também temos um homem agressivo, temeroso das mudanças ao seu redor e capaz de tomar decisões erradas para manter as pessoas importantes a seu redor. Ao longo do filme, acompanhamos a construção de uma cerca ao redor de sua casa que, apesar do motivo nunca ser explicado, serve de metáfora para a sensação constante de precisar proteger seus entes queridos.

Viola Davis como sempre, dá um show. Em Rose vemos alguém que abriu mão de suas ambições para carregar o fardo da responsabilidade junto ao seu marido. Seu ressentimento vem da sensação de impotência de nunca ser devidamente reconhecida pelos seus sacrifícios e contribuições.

Um Limite Entre Nós marca a terceira vez que Washington assume a cadeira da direção. Originalmente uma peça de teatro vencedora do Pullitzer, sua edição de 2010 nos palcos teve Denzel Washington e Viola Davis no papel principal e o diretor incorpora um estilo que remete à versão dos palcos.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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