Carros! Frases de efeito! Testosterona! Veja nossa crítica de Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw, o filme com tanta pancadaria que precisou de dois & no nome.

CRÍTICA | Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw – É tão absurdo quanto divertido

Carros! Frases de efeito! Testosterona! Veja nossa crítica de Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw, o filme com tanta pancadaria que precisou de dois & no nome....

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é a verdadeira definição de filme pipoca

Velozes & Furiosos é uma franquia estranha. Tudo começou lá atrás quando o diretor Rob Cohen decidiu refazer Caçadores de Emoção com carros tunados no lugar de surf e um nome diferente. Foi sucesso? Claro que foi. Foi o epítome do filme de ação do começo do século 21. Foi tão bem sucedido que ainda temos uma parcela da população extraordinariamente desinformada defendendo a “Lei Paul Walker” e o direito de rebaixar seus carros a ponto de inutiliza-los na rua. Depois veio a continuação que substituiu Vin Diesel por Tyrese Gibson. Depois disso? Desafio em Tóquio (2006), talvez o único filme desta franquia sobre corridas clandestinas cuja corrida clandestina seja a parte principal da trama.

Aí as coisas começaram a ficar estranhas. Justin Lin já havia dirigido Velozes 3, mas a partir do quarto filme, esta humilde franquia sobre pilotos radicais de carros modificados se transformou numa gigantesca franquia de filmes de ação envolvendo agentes secretos, missões clandestinas, uma mitologia cada vez mais complicada e cheia de personagens e vilões cada vez mais excêntricos. Lá atrás Vin Diesel roubava cargas de caminhões transportando aparelhos de DVD. De repente está sendo lançado de aviões de carga, atravessando prédios em Dubai e temporariamente se aliando com uma Charlize Theron com dreads. Ao longo da franquia, surgiram personagens como o gigantesco e durão Luke Hobbs interpretado por Dwayne Johnson e o vilão-eventualmente-transformado-em-anti-herói, Deckard Shaw, interpretado por Jason Statham. Dá pra ver onde essa história vai terminar né?

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw

É inevitável, quando uma franquia tão absurda quanto Velozes & Furiosos consegue juntar dois dos melhores atores para filmes absurdos (Statham contracena com tubarões pré-históricos, Johnson é praticamente um personagem de gibi na vida real), a combinação é mais mágica que queijo com goiabada ou Chitãozinho com Xororó. E como criar uma obra digno destes dois monumentos da sétima arte? Bom, vamos para a sinopse.

Hobbs e Shaw são recrutados pela CIA para recuperar um vírus apocalítico que foi injetado em uma agente rebelde da MI6. O problema é que a agente Hattie (Vanessa Kirby) é irmã de Shaw. Mas calma! Hattie injetou o vírus para impedir que Brixton (Idris Elba), um agente renegado transformado em super soldado / personagem de Metal Gear roube a arma para Eteon, uma dessas organizações terroristas high tech que tendem a aparecer em qualquer franquia quando chega num certo número de continuações (ver também: SPECTRE, HYDRA, O Sindicato etc).

Super soldados? Vírus apocalíticos? Aperte os cintos, tem mais coisa, mas aí já é spoiler.

Não deveria funcionar, mas

Se você tentar explicar a jornada pra chegar em Hobbs & Shaw, tintim por tintim, onde você começa falando sobre Vin Diesel gargarejando sobre família enquanto assalta um caminhão da Toshiba e terminando em, “essa seria a propaganda da Volkswagen proposta pelo Michael Bay”, a premissa do filme nunca teria feito sentido.

Aí é que entra o elenco.

O único jeito de você fazer este filme funcionar, com sua premissa de videogame e cenas de ação que só o psicopata que dirigiu John Wick conseguiria imaginar seria com protagonistas há altura. Luke Hobbs é o que acontece quando você mistura uma seringa de testosterona com um DVD de Comando para Matar e Deckard Shaw é um comercial da Heineken com uma arma de fogo oculta. Por sorte, os Deuses sorriram e trouxeram ao mundo Dwayne Johnson e Jason Statham, dois atores especializados em serem personagens de video game e quadrinhos na vida real. E funciona! O filme não se leva a sério e sabe que a missão aqui é divertir e ambos os protagonistas sabem misturar bem ação com comédia sem errar o tom.

É um equilíbrio delicado. Se o filme fica muito sério corre o risco de virar o mais recente erro do Zack Snyder, se fica pastelão demais, não fica memorável. Por sorte, funciona, e belamente.

E não vá pensando que o filme é só um clube do bolinha. Hattie Shaw não é só a donzela em apuros, Kirby interpreta uma agente competente que sabe descer porrada tão bem quanto os rapazes e traz uma boa dose de esperteza e sarcasmo no que seria um papel infeliz e sem graça em um filme menos impulsivo.

Diversão é o nome do jogo

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é o típico filmão pipoca feito para divertir. Personagens interessantes, efeitos especiais de ponta e alguns momentos verdadeiramente inusitados em termos de ação. Não é todo dia que você vê um batalhão de Samoanos fazendo haka antes de enfrentar um exército de mercenários e ciborgues, ou outras coisas que não estão no trailer e não vamos estragar a farra, certo?

Enfim, vá em frente, compre um belo balde de pipoca (David Leitch conseguiu fazer mais de duas hora de filme, é longuinho) e aproveite.

Até a próxima!

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Nota:
7.6
Nota:
O bom
  • Helen Mirren retorna no papel da mamãe Shaw, mas não é a única participação especial!
  • O filme tem tanta ação e explosão que precisou de dois & no título.
O ruim
  • Fica o leve medo que uma dupla sertaneja vai tentar se lançar como "Hobbs & Shaw". Não duvidem, Transformers transformou o Camaro Amarelo em um hit de rodeio.
  • David Leitch é ótimo em cenas de ação um a um, mas se perde um pouco em batalhas de grande escala.
  • Direção
    8
  • Roteiro
    7
  • Elenco
    8
  • Enredo
    7.5
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