Velvet Buzzsaw netflix critica

CRÍTICA | Velvet Buzzsaw (Netflix) - Intenso, cru e perturbador

Um filme para poucos....

A arte de criticar a arte é tema em Velvet Buzzsaw, o novo longa de suspense com um pitada de terror da Netflix

Não existe nada mais fútil do que você ser “crítico”. Sim, e aqui é uma crítica, pois sabemos que, independentemente do que dissermos, a sua percepção sobre uma arte, filme, música, persona pública, pode ser diferente da nossa e a opinião aqui exposta apenas apresenta um argumento e provoca uma reflexão, mas jamais será uma verdade absoluta ou capaz de mudar a opinião geral.

A base de Velvet Buzzsaw

Com isso em mente chegamos em Velvet Buzzsaw, o novo intrigante longa do diretor e roteirista Dan Gilroy, do magnífico O Abutre, que faz uma sátira dos bastidores de galerias de artes de Los Angeles e do quão sujo é esse mercado quando o assunto é faturar 6 ou 8 dígitos com uma única peça de “arte”. E o papel de Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal) é de um crítico que consegue alavancar e destruir qualquer artista, tudo vai depender do que ele achar das peças e do que as galerias estão dispostas a fazer em troca de uma excelente crítica dele quando lançarem uma coleção nova.

A problemática

Um belo dia, a assistente Josephina (Zawe Ashton) encontra um vizinho morto em seu prédio. Recluso e enigmático, o falecido Ventril Dease (Alan Mandell) era um pintor e suas obras, extremamente perturbadoras, refletem seu passado. Josephina fica fascinada, rouba as peças e mostra para Rhodora (Rene Russo) – dona de uma prestigiada galeria e sua chefe –  e Morf. Os dois se encantam e resolvem criar toda uma história para que consigam lançar uma mostra do Dease pós mortem.

O sucesso é estrondoso e todos começam a comprar as peças do falecido. Porém acontecimentos sobrenaturais levam aqueles que se beneficiaram com as obras à morte, já que Dease, antes de morrer, deixou claro que todas as suas peças deveriam ser destruídas e nunca reveladas. Começamos a entender a relação do pintor com os quadros, e que a perturbação e fascínio que as obras causam nas pessoas na verdade revelam algo sobre o seus futuros.

Surge uma linha tênue entre as peças de Dease a forma como as galerias de artes são gerenciadas. Cada obra dele causa uma percepção e essa percepção pode ser atribuída às atitudes dos agentes, críticos e galeristas. Ao longo do filme, a audiência é impactada com as mudanças comportamentais de cada personagem e o véu bem sucedido de quem sabe trabalhar e manipular arte cai sob o efeito das obras de Ventril Dease, uma alegoria intrigante e perturbadora para explorar o lado sombrio de quem se julga conhecedor de algo que é tão subjetivo e fútil, no real sentido da palavra.

Como Rhodora  mesma diz em um momento do filme: “Nós não vendemos arte e sim percepções”.

Velvet Buzzsaw é um filme que mistura o sobrenatural com o real para criticar quem trabalha com informação e valor agregado. Uma ferramenta já utilizada pelo diretor e roteirista em O Abutre, onde temos Jake Gyllenhaal como um jornalista de “furos” que sabe construir a narrativa em torno de um assassinato para que o jornal venda a matéria da forma mais sensacionalista possível. Existe uma crítica ferrada em torno da imprensa e dos envolvidos e o jogo de poder e interesses é revelado ao longo do filme conforme o protagonista fica cada vez mais ambicioso e louco por sua profissão e poder.

Morf segue a mesma estrutura. Ele sabe que é desejado pelos galeristas e artistas, ele sabe como vender ou destruir coleções inteiras e sujar a reputação dos demais envolvidos. Ele sabe que ELE é poderoso neste sentido, mas conforme se envolve com o sucesso das peças de Dease, esse mundo por trás dele se destrói e a audiência fica com aquele gosto azedo na boca de ter mais um universo artístico sendo hostilizado.

Intenso, cru, perturbador, Velvet Buzzsaw é um longa necessário para quem curte essas desconstruções e gosta de refletir sobre um filme quando o mesmo chega ao fim. É uma arte que critica a arte.

Küsses,

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Nota:
8.8
Nota:
O bom
  • Reparem na relação dos artistas com as suas obras que aparecem além de Dease.
  • O personagem do John Malkovich
  • A direção é bem boa em alguns momentos
  • Como O Abutre, a passagem entre atos é sutil.
O ruim
  • Muitos personagens aparecem, são importantes, mas alguns precisavam de mais espaço para entrar na trama, entende? Mas funciona, nada absurdo.
  • Direção
    8
  • Elenco
    10
  • Roteiro
    9
  • Produção / Fotografia
    8
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CriticasFilmes

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