crítica de Vidro - Samuel L. Jackson, Bruce Willis e James McAvoy

CRÍTICA | Vidro é de tirar o fôlego

Que trilogia é essa?

Vidro conclui a trilogia de Corpo Fechado com uma trama fenomenal

É meio bizarro de pensar que para um público mais jovem, M. Night Shyamalan é visto mais como um Michael Bay do que um Alfred Hitchcock. No final dos anos 90, o diretor havia se tornado um fenômeno após  mega-sucesso de O Sexto Sentido. Seu próximo filme foi Corpo Fechado, um longa de super-herói disfarçado de thriller porque na época esse gênero ainda não tinha se tornado a máquina de fazer dinheiro que é hoje. Foi um sucesso modesto, mas nada comparado com seu antecessor.

Depois veio aquela enxurrada de filmes que transformaram o novo menino prodígio de Hollywood numa bomba. Até chegarmos em Fragmentado em 2016, que não só trouxe Shyamalan de volta às boas graças do público, mas também trouxe uma revelação bomba: o filme de terror que você havia acabado de ver se passava no mesmo universo de Corpo Fechado. E, finalmente, este ano sai Vidro, o terceiro filme, concluindo uma trilogia fascinante e totalmente diferente de qualquer outro filme de super-herói. Antes de falarmos de Vidro (e prometemos não entrar muito no detalhe), vamos lembrar um pouco a história dos demais filmes.

Corpo Fechado

David Dunn (Bruce Willis) é o único sobrevivente de um acidente de trem. Ele é abordado por Elijah Price (Samuel L. Jackson), um colecionador de quadrinhos que acredita que nas páginas dos gibis existem relatos exagerados de seres que de fato existem. Ele sofre de uma condição rara que torna seus ossos completamente frágeis e acredita que deva existir indivíduos no extremo oposto do espectro.

Aos poucos, David começa a perceber que jamais ficou doente na vida, tem uma força super humana, nunca se machuca e tem uma habilidade intuitiva que permite identificar se a pessoa que ele toca cometeu algum tipo de maldade. Com exceção de uma fraqueza por água, ele é de fato super humano.

No final, ele descobre que Elijah foi responsável pelo acidente de trem e diversos outros atos de terrorismo. Apesar do corpo frágil, ele tem um intelecto super humano e uma obsessão por encontrar outros seres excepcionais. Ele assume a alcunha de Mr. Glass (Sr. Vidro), se declara um vilão e busca um herói para ser seu antagonista. David descobre seus planos e Elijah é internado em uma instituição psiquiátrica.

Fragmentado

Muitos anos depois, um grupo de garotas é sequestrado por um homem estranho (James McAvoy) e levadas para um local misterioso. O homem sofre de personalidade múltipla e possui 23 personalidades. Algumas delas, como Dennis, Hedwig e Ms. Patricia, acreditam que através de um ritual trarão à tona A Besta, uma 24ª poderosa. Para isso, eles precisam sacrificar as vítimas e deixa-las para a A Besta devora-las.

Eventualmente, a Besta surge e devora duas das meninas. A terceira, Casey (Anya Taylor-Joy), foi molestada pelo seu tio na infância e possui severos traumas. A Besta a poupa por considera-la pura. Todas as personalidades surgiram como uma forma de proteger Kevin, o nome real do rapaz, que passou por uma infância traumática e se refugia dentro de seu cérebro permitindo que cada persona cuide dele. A Besta é a versão extrema disso, e acredita que somente “os puros”, aqueles que sofreram, devem herdar a Terra.

Kevin, agora denominado A Horda pela imprensa, foge. Na cena final do filme, em uma lanchonete David Dunn assiste o noticiário e relembra do Sr. Vidro.

Vidro

Alguns anos depois, David tem uma loja de segurança com seu filho, Joseph (Spencer Treat Clark). Quando não está trabalhando, ele patrulha as ruas da Philadelphia caçando criminosos e procurando A Horda. Apesar das boas ações, a imprensa o batiza de O Vigilante e ele é procurado pelas autoridades.

David e Kevin se enfrentam, mas ambos são capturados pelos policiais e enviados sob o cuidado de uma psicoterapeuta, a Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson), que se especializa em tratar indivíduos que acreditam ser super humanos. Ambos são trancafiados, com as devidas medidas de segurança, em uma instituição psiquiátrica. A mesma que Elijah Price foi enviado tantos anos atrás…

Uma trilogia de origem

O que é fascinante nesta trilogia é o elemento da origem. Tipicamente, em quase todas as adaptações de quadrinhos e filmes de super-herói, a história de origem é o elemento mais cansativo. Shyamalan nessa trilogia cria três histórias de origem distintas, e todas são fascinantes. Ao trazer os elementos esperados de uma mitologia de super-herói e subverte-los, analisa-los e, sutilmente, critica-los, mesclando com elementos de mistério policial e terror, e gradualmente transformando a revelação do herói, não em clímax, mas em final de filme. A experiência em cada uma das obras é fascinante e imprevisível.

Dos três protagonistas, James McAvoy continua um show, alternando entre diferentes personas, as vezes na mesma sequencia sem cortes, e introduzindo novos “alters” que não apareceram em Fragmentado. É refrescante ver Bruce Willis se entregando num papel e investindo num filme de qualidade. Sua atuação em Corpo Fechado é considerada por muitos a melhor de sua carreira e, apesar de não ter tantas oportunidades aqui, ele ainda traz uma interpretação bastante humana para responder a questão “e se o Superman fosse real”.

Já o próprio Elijah Price, o personagem cujo nome titula o filme, é o que menos aparece. Até que funciona, num jeito meio bicho papão que espreita nas sombras, mas seria interessante passar um pouco mais de tempo com um vilão tão fascinante.

Já a direção de M. Night vai na contramão do que se esperaria de um filme de herói. Os cenários não são fantasiosos, as lutas não são belamente coreografadas ou cheias de efeitos especiais, mas são cruas, animalescas, os poucos embates que surgem ao longo da trama não são entre figuras mitológicas tiradas das páginas coloridas de DC e Marvel, mas de pessoas reais que caíram de cara em uma situação fantástica. Tudo isso vem de um autor que reconhece os clichês esperados e vai na direção oposta para pegar a audiência de surpresa.

Falar mais sobre Vidro seria entrar em território de spoilers. Aqui na Freakpop, não ligamos muito para o drama que as pessoas fazem para esse tipo de coisa, mas uma trama como esta merece ser assistida sem saber muito além de um conhecimentos dos filmes anteriores.

Vidro estreia dia 17 de Janeiro no Brasil.

Até a próxima!

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Nota
9.8
Nota
O bom
  • Mais um belo adendo à discussão "filmes de super-herói são filmes de criança"
O ruim
  • O final é levemente piegas
  • Direção
    10
  • Roteiro
    9
  • Enredo
    10
  • Elenco
    10
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