Cheio de humor negro, o novo filme de Liam Neeson, Vingança a Sangue Frio, dirigido por Hans Petter Moland é sensacional. Confira nossa crítica sem spoilers

CRÍTICA | Vingança a Sangue Frio - Uma boa dose de humor e violência

Cheio de humor negro, o novo filme de Liam Neeson, Vingança a Sangue Frio, dirigido por Hans Petter Moland é sensacional. Confira nossa crítica sem spoilers...

Liam Neeson estrela Vingança a Sangue Frio, um drama de ação com um humor negro e cínico

Vingança a Sangue Frio é uma daquelas gratas surpresas que surgem no cinema de surpresa. Ao ver o pôster de Liam Neeson com uma arma, é fácil imaginar que este é o próximo na começando a ficar cansada lista de filmes de ação estrelados pelo ator. Nada mais longe disso, trata-se de um filme cínico, repleto de humor negro e com uma percepção bastante inteligente sobre filmes genéricos de vingança. Mas antes, o básico.

Vingança a Sangue Frio

Nels Coxman (Neeson) é um respeitado membro da comunidade em sua pequena cidade. Ele opera uma empresa de limpeza de neve e mantém as estradas limpas durante as pesadas nevascas que assolam o estado norte-americano. Um dia, a vida desse sujeito reservado e pacato vira do avesso quando seu filho Kyle (Micheál Richardson) morre de uma aparente overdose de heroína. Ele não aceita os fatos e, eventualmente, isto afasta sua esposa Grace (Laura Dern).

Felizmente ou infelizmente, Nels estava certo. A morte de seu filho não foi um trágico acidente, mas sim um assassinato organizado por traficantes locais. Aos poucos, ele começa a sistematicamente caçar e exterminar os criminosos que vão revelando o próximo alvo. Por ser um “zé ninguém” no mundo do crime, os chefões da região começam a suspeitar uns aos outros e a violência sai de controle. A pacata cidade começa a virar um campo de guerra entre facções criminosas rivais, policiais despreparados e o próprio Coxman no olho do furacão.

Vingança, doce vingança

A trama facilmente poderia servir um desses filmes genéricos que vai direto para home video. Desses filmados na Bulgária com Steven Seagal ou Jean Claude Van Damme no papel principal. O que muda aqui é a abordagem do material. O diretor, Hans Petter Moland, está mais interessado em mostrar como estes homens bravos e durões no final são incapazes de lidar com a situação de uma forma que não envolve tiro, porrada e bomba. A única voz de razão que se manifesta ao longo da trama é do policial Gip Gipsky (John Doman), cujas sensibilidades mais humanistas contrasta com a brutalidade dos assassinatos e a própria fome de violência de sua parceira mais jovem, Kim (Emmy Rossum).

Cada capanga que morre, o longa corta para uma tela preta apresentando o nome do personagem e sua religião. Este tipo de enquadramento traz à tona uma certa futilidade para as motivações de todos os personagens envolvidos. Parece algo profundo, ou triste, mas assim como Martin McDonagh, que fez Sete Psicopatas e um Shih Tzu e Três Anúncios para um Crime, o diretor aqui consegue arrancar risadas da situação. Existe algo inerentemente hilário sobre raiva descontrolada e as consequências cada vez mais absurdas de alguém indisposto a parar, respirar e refletir.

Não é a primeira vez que Moland adapta o material. Na verdade, Vingança a Sangue Frio é uma versão americana do longa norueguês O Cidadão do Ano (Kraftidioten). No original, a rixa causada pelo protagonista, interpretado por Stellan Skarsgård, leva uma gangue de veganos e de sérvios para a guerra. Na versão de Neeson, é entre mafiosos e indígenas. A ideia é interessante, mas o diretor faz pouco com isso.

Vale a pena?

Como falamos acima, o longa não é um simples filme de ação, apesar da aparência nos pôsteres. É um drama cínico, com humor negro e uma pegada bastante diferente do convencional. O ritmo lento e ponderado contrasta bastante com as cenas absurdas que surgem do nada e te pegam de surpresa. Como filme de ação existem inúmeras opções melhores, mas como drama, como experiência, vale totalmente investir.

Estreia dia 14 de fevereiro nos cinemas.

Até a próxima!

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Nota
7.6
Nota
O bom
  • No norueguês o nome era Dickman, aqui é Coxman. Insira risada de quarta série aqui.
  • Vários atores principiantes, mas marcantes no elenco.
O ruim
  • O terceiro ato fica um pouco zoneado, mas ainda vale pela experiência.
  • Direção
    8
  • Elenco
    7
  • Roteiro
    8
  • Enredo
    7.5
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