CRÍTICA | Westworld – T01E04 – “Dissonance Theory”

Westworld prepara mais mistérios Confesso que errei quanto a Westworld. Os primeiros episódios indicavam que, apesar da premissa complexa e futurista, ainda seria uma narrativa direta. Talvez uma trama...

Westworld prepara mais mistérios

Confesso que errei quanto a Westworld. Os primeiros episódios indicavam que, apesar da premissa complexa e futurista, ainda seria uma narrativa direta. Talvez uma trama um pouco meditativa semelhante a The Leftovers. Nope, é mais uma série estilo “caixa misteriosa”, no melhor estilo de Lost e Battlestar Galactica, onde o desenrolar do enredo sofre com o peso de pequenos segredos que aos poucos roubam a atenção da trama e viram protagonistas de infindáveis discussões dos fãs destas séries. Este tipo de produção tende a ficar marcada pelos incansáveis mistérios e seus desfechos pouco satisfatórios. Vide Lost, que entuchou símbolos, números misteriosos, monstros de névoa para dar um ar mais interessante para o que era essencialmente um reboot sério de A Ilha dos Birutas.

Infelizmente, Westworld caminha para a mesma direção.

No fundo, a premissa aqui é simples. Um parque de diversões com autômatos extremamente avançados que começam a despertar e rejeitar sua programação. Para dar um ar moderno, o roteiro faz questão de explorar a interação entre os anfitriões e convidados sob uma ótica de vídeo game estilo sandbox, com os robôs fazendo papel de NPCs e oferecendo missões e oportunidades de interação.

Agora jogue várias caixas misteriosas. Coloque mapas gravados em crânios de anfitriões. Coloque o Anthony Hopkins para encarnar um Dr. Ford que exala intenções ocultas. Junte algumas imagens arbitrárias de constelações e uma leve pitada de despertar da consciência via sonhos e imagética pseudo-religiosa e BOOM – Westworld surge. Não necessariamente como uma coisa ruim, mas o roteiro da série está virando cambalhotas para manter o mistério. Como por exemplo, descobrimos que o Homem de Preto aparentemente é um bilionário em férias que, fora de suas fantasias de cowboy, também gerencia uma fundação de caridade. Sua obsessão para revelar os mistérios do parque, com direito a mais menções ao misterioso Arnold, é apenas uma forma de garantir que ele já vivenciou todas as oportunidades do parque. O porquê de ele manter sua identidade secreta soa cada vez mais desnecessária (até ser revelado que ele foi o investidor inicial do parque).

Mesma coisa para o Dr. Ford, que acaba se tornando um personagem sinistro, porque a trilha sonora ominosa toca sempre que ele faz algum monólogo vago sobre a natureza dos anfitriões. Seu plano agora consiste em criar uma nova aventura e parte disso envolve modificar o campo com uma gigantesca escavadeira. Como já é obrigatório de qualquer cientista louco, ele faz vagas referências sobre brincar de Deus enquanto inúmeros anfitriões permanecem inertes ao seu redor.

De resto, Dolores e Maeve, em tramas próprias, começam a desvendar o que está por trás de suas realidades. Dolores está solta pelo parque em uma aventura com William e Logan e, por ora, passa dias afastada de seu roteiro padrão processando a morte de seus pais. É um pouco estranho, visto que o parque monitora minuciosamente todos os anfitriões e sempre reiniciam seus roteiros para o dia seguinte.

Maeve começa a ter devaneios lembrando de passados onde ela morre. Ela desenha em um papel um dos organizadores do parque em seu traje de proteção. Em uma tábua solta em seu quarto, ela descobre inúmeras ilustrações mostrando a mesma criatura. E também descobre que os anfitriões indígenas cultuam a criatura e a associam com o “criador”. Com a ajuda de Hector, consegue arrancar uma bala cravada em seu abdômen confirmando que já “morreu” antes.

Em geral, o quarto episódio de Westworld é muito semelhante ao anterior, com alguns novos mistérios que com certeza só estão aí para colocar água no feijão. Esperamos sinceramente que não percam o foco de ficção científica para criar mais uma ladainha pseudo-filosófica a la Lost.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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