X-Men: Apocalipse – Uma coletânea das melhores cenas dos demais filmes da saga

X-Men: Apocalipse tenta ser continuação e reboot, mas acaba virando um “Best Of” da franquia X-Men: Apocalipse. Quem diria que uma das franquias que transformou filmes de super-heróis na coisa...

X-Men: Apocalipse tenta ser continuação e reboot,
mas acaba virando um “Best Of” da franquia

x-men-apocalipse-poster-vilao-X-Men: Apocalipse. Quem diria que uma das franquias que transformou filmes de super-heróis na coisa mais rentável da temporada de blockbusters ainda está aí produzindo novos filmes? Pois é, entre meio altos e grandes baixos, temos aqui mais uma adaptação da franquia que colocou Hugh Jackman no mapa, ainda com os mesmos problemas, ainda com as mesmas dificuldades.

En Sabbah Nur (Oscar Isaac) é um mutante milenar que tem o poder de transferir sua consciência para corpos de outro filhos do átomo adquirindo suas habilidades. Ao longo das eras acumulou um leque impressionante de poderes, entre eles a habilidade de alterar o cabelo de personagens, para explicar porque a Tempestade (Alexandra Shipp) tem cabelo branco e o Professor Xavier (James McAvoy) é careca. Após anos reinando e/ou destruindo a humanidade, Apocalipse desperta na década de 80 para fazer tudo de novo. Nesta época a Escola Xavier para Jovens Superdotados é um refúgio para mutantes que desejam aprender a controlar seus poderes e não serem perseguidos pela humanidade que os teme e odeia. O braço “militarizado” da escola, os X-Men, são uma memória distante e nossos heróis desfrutam de um período de relativa paz. Magneto (Michael Fassbender) vive com uma nova família na Polônia, Mística (Jennifer Lawrence) se tornou um símbolo da revolução mutante ao salvar o presidente Nixon durante os eventos de Dias de um Futuro Esquecido e passa seu tempo resgatando mutantes que não tem conseguem se proteger.

O resto, bom, o resto são cenas “inspiradas” nos momentos mais marcantes da franquia tornando X-Men: Apocalipse uma verdadeira coletânea de momentos dos filmes antecessores. O X-Men original de 2000, foi fruto de uma época que ainda tinha inseguranças sobre como adaptar filmes baseados em quadrinhos, com os mutantes abandonando seus uniformes coloridos por roupas de couro ou Bruce Wayne explicando minuciosamente o processo de terceirização de empresas chinesas que irão produzir sua máscara sem deixar rastros financeiros. O mundo cresceu e hoje aceitamos que um kriptoniano encontrará seu traje dentro de uma nave espacial ou que um Deus nórdico e um super soldado da Segunda Guerra Mundial vão unir forçar para lutar contra um robô maligno. Infelizmente, Bryan Singer não recebeu o memorando e ainda gasta preciosas horas do filme explicando, novamente, origens de personagens que todos já estão carecas de saber. O longa gasta tanto fôlego explicando a filosofia por trás de Apocalipse, a insegurança dos jovens Ciclope (Tye Sheridan) e Jean Grey (Sophie Turner), que ainda não controlam seus poderes, e pela enésima vez a diferença de pontos de vista de Xavier e Magneto que não sobra tempo para minimamente explorar quais são as motivações ou personalidade de novos entrantes como Tempestade, Psylocke (Olivia Munn), Noturno (Kodi Smit-McPhee), Arcanjo (Ben Hardy) e Caliban. Como sempre, os mutantes aparecem para preencher o coro de personagens do catálogo e não para contribuir para algo além das cenas de ação.

Singer como diretor já foi uma figura promissora, mas seu senso artístico por trás das câmeras ainda é limitado e, com exceção das cenas totalmente dominadas por computação gráfica, seu olhar não captura momentos que dão dimensão aos personagens, algo que fãs já estão acostumados a ver em projetos semelhantes de qualidade superior. Em uma tentativa de revitalizar a franquia, o diretor se preocupou mais em tentar oferecer um espetáculo visual do que qualquer senso de desenvolvimento de personagem. Errou feio! São poucas cenas que realmente impressionam e os diálogos que levam ao extremo a necessidade de explicação, as vezes quebrando qualquer pouca caracterização, nos fazem sentir saudades da trama mais simples com enfase nos personagens de X-Men: Primeira Classe.

Vale a pena? Até mesmo os fãs mais ferrenhos dos mutantes de Stan Lee não deverão se empolgar com as versões rasas de seus personagens favoritos que X-Men: Apocalipse traz para as telas. Uma verdadeira pena considerando o que outros estúdios já fizeram com propriedades da Marvel que nunca tiveram o privilégio de serem tão famosos quanto Wolverine, Ciclope e Tempestade.

Ah sim, para os curiosos. Existe uma cena pós-créditos no filme, tudo indica que haverão repercussões Sinistras para os X-Men no futuro.

X-Men: Apocalipse estreia dia 19 de maio nos cinemas. Assista em 2D, 3D, IMAX em versões dublada e legenda.

Até a próxima!

SPOILER ALERT! Abaixo, listamos rapidamente todas as cenas que são reutilizadas de outros filmes do X-Men.

[toggler title=”Clique aqui para ver” ]

1. Ciclope desperta seus poderes dentro do colégio (X-Men Origens: Wolverine).

2. A Arma X invade a escola de Xavier para capturar mutantes específicos (X-Men 2)

3. Wolverine desperta no complexo da Arma X sem memórias e mata todo mundo (X-Men Origens: Wolverine)

4. Magneto se vinga de pessoas que mataram um ente querido usando um objeto comum (X-Men: Primeira Classe)

5. Jean Grey não consegue controlar a fênix (X-Men 3)

6. Mercúrio corre ao redor de uma cena estática tocando uma música pop da época (X-Men: Dias de um Futuro Esquecido)

7. Magneto muda de lado no ato final (X-Men 2, X-Men: Primeira Classe, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido)

8. O vilão recruta mutantes sem falar ou fazer muita coisa (X-Men 3)

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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