Confira nossa crítica de X-Men: Fênix Negra, a saga de Jean Grey ganha mais uma adaptação, desta vez fechando o universo dos mutantes da pior forma possível

CRÍTICA | X-Men: Fênix Negra - quem achou que um remake de X-Men 3 valia a pena?

Confira nossa crítica de X-Men: Fênix Negra, a saga de Jean Grey ganha mais uma adaptação, desta vez fechando o universo dos mutantes da pior forma possível...

X-Men: Fênix Negra simplesmente não agrega

Antes de mergulharmos no exercício de desespero corporativo que é X-Men: Fênix Negra, cabe um parágrafo para listar todas as forças que já estavam posicionadas para impedir que esse filme atingisse o mínimo de relevância ou impacto para audiências.

O longa estava em produção durante os processos de aquisição da Fox pela Disney. Ou seja, sabia-se que eventualmente todas as propriedades intelectuais da Marvel ainda não sob controle de Kevin Feige seriam incorporadas na máquina de fazer dinheiro que é o Universo Cinematográfico Marvel. Além disso, o longa teve que correr com refilmagens em parte pelo material não ter agradado audiências testadas e em parte pelo final original do filme ter sido extremamente parecido com o final de Capitã Marvel. E ainda, apesar de ser meramente especulativo, audiências nunca demonstraram muito interesse pelos filmes dos mutantes sem a presença do Wolverine, ou mais recente, do Deadpool.

Com tudo isso nadando contra, existe algum semblante de chance de X-Men: Fênix Negra ter dado certo? Não, mas vamos por partes.

X-Men: Fênix Negra

O longa se passa nos anos 90 onde os X-Men se tornaram um grupo de super heróis extremamente popular após seja lá o que fizeram em X-Men: Apocalipse (não adianta fingir que você lembra o que rolou naquele filme). O time é recrutado pelo presidente dos EUA para resgatar uma equipe de astronautas em um ônibus espacial que entrou em pane. O resgate é bem sucedido, mas Jean Grey (Sophie Turner) é bombardeada por uma energia cósmica misteriosa.

Esta energia, apesar de nunca receber o nome no filme é a Fênix, uma energia cósmica primordial fruto da origem do universo que destrói tudo por onde passa, exceto em Grey cuja força se acopla e torna a jovem mutante extremamente poderosa. Esses poderes acabam destruindo os bloqueios psíquicos inseridos pelo Professor Xavier (James McAvoy) que evitavam que Jean tivesse que lidar com os traumas de sua infância.

Para jogar ainda mais caldo no feijão, uma raça de alienígenas transmorfos invadem a Terra em busca da Fênix e sua líder, Vuk (Jessica Chastain) manipula Grey para seus próprios fins. Ah, e Magneto (Michael Fassbender) também está inserido no roteiro, mas nunca chega a convencer porque ele não precisa estar no filme além do fato de Fassbender provavelmente ter algum contrato pendente com a Fox.

É difícil se envolver

Se existe um defeito primordial no universo X-Men nos cinemas, especialmente comparado ao projeto muito mais bem sucedido da casa do camundongo é o desenvolvimento dos personagens. Com raras exceções, como o Wolverine ou o Deadpool, boa parte dos personagens são extremamente mal desenvolvidos ou simplesmente servem para ser um efeito especial em alguma cena. É muito difícil carregar o peso central de Fênix Negra no relacionamento entre o Ciclope e a Jean Grey criados em um longa onde você mal consegue se lembrar quais eram suas falas ou se sequer já tinham um relacionamento amoroso.

É o mesmo problema que outros heróis e vilões adaptados tiveram ao longo dos filmes. Psylocke, Arcanjo, Mercúrio apenas existem neste universo para fazer alguma coisa bacana em cena. O trunfo do Universo Cinematográfico Marvel foi criar, primeiramente, personagens icônicos e marcantes a partir de propriedades que não estavam tão vinculadas ao consciente afetivo do público. No final de Vingadores: Ultimato quando um personagem morre ou encerra sua jornada, o impacto emocional é genuíno. Acompanhamos a saga destes super heróis ao longo dos anos e criamos um vinculo afetivo.

Já X-Men, foi uma baderna. A Mística de Jennifer Lawrence não faz nada há pelo menos dois filmes, mas por ela ter se tornado uma das atrizes mais premiadas e populares de Hollywood, continuaram forçando a personagem na trama. O Magneto de Fassbender também não traz mais nada, mas ao invés de explorar uma das dúzias de antagonistas dos quadrinhos, insistem em inseri-lo na trama apenas por reconhecimento de imagem. Aqui parece que o nome do jogo é criar um fan service raso, apenas mostrando ocasionalmente um mutante que possa causar reconhecimento. Poderíamos falar isso de praticamente qualquer personagem das adaptações que vieram após X-Men: Primeira Classe, talvez o último sopro de originalidade e qualidade da saga central.

Vilões?

Os D’Bari são no mínimo uma nota de rodapé dos quadrinhos. X-Men: Fênix Negra é essencialmente um remake de segunda chance de X-Men 3. Uma das críticas feitas na época foi a falta dos Shi’ar, o império alienígena que teve uma participação significativa na saga da Fênix nos quadrinhos. Como Simon Kinberg, que dirige essa adaptação foi o roteirista aqui e na última tentativa, simplesmente forçou uns ETs genéricos porque sentiu que o público exigia isso. E nem assim funciona.

Primeiro, porque em praticamente uma dúzia de filmes dos mutantes nunca foi estabelecido nada fora da esfera do comentário socio-político sobre seres com superpoderes como uma alegoria para minorias oprimidas, então jogar alienígenas há esta altura do campeonato pareceu forçado. Segundo, que é nítido que muito provavelmente a personagem de Jessica Chastain ou era uma antagonista inteiramente diferente ou uma manifestação da Fênix que só Grey conseguia ver. Existem cenas que fica nítido que ninguém consegue ver a vilã além de Jean.

Os D’Bari nunca explicam exatamente seu propósito na história, seus poderes mudam de cena a cena, ora tem telecinese, ora tem super força e invulnerabilidade. E apenas servem como um antagonista para as cenas de ação, algo que pelo menos Kinberg consegue dirigir com mais competência do que Singer nas entradas anteriores da série.

No fim

X-Men: Fênix Negra é uma verdadeira colcha de retalhos movida mais pela complexidade do processo litigioso de direitos de personagens, sinergia corporativa e o crescente desespero de ainda trazer algum tipo de retorno de um projeto cujo reboot será inevitável ao ser incorporado pela massa gigantesca que é o Universo Cinematográfico Marvel.

A franquia mal conseguiu segurar o fôlego ao tentar inserir um elemento diferente como alienígenas, pelo menos agora os mutantes estarão em casa em um universo que conseguiu com muita maestria misturar mitologia nórdica, magia, alienígenas, viagem no tempo e com certeza terá espaço para um grupo de indivíduos super poderosos que tentam proteger uma humanidade que os teme e odeia.

Até a próxima!

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Nota
4
Nota
O bom
  • Sophie Turner consegue entregar uma Jean Grey interessante apesar do material não trazer muitas oportunidades.
  • Pelo menos tem uma aparição da Cristal com seu visual original? Para todos os "fã" da personagem.
O ruim
  • Jessica Chastain está desperdiçada como uma vilã praticamente inexistente.
  • Se começarmos a listar todos os problemas com as caracterizações, esse bloquinho de texto vai ficar grande.
  • Direção
    5
  • Roteiro
    4
  • Elenco
    4
  • Enredo
    3
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CriticasFilmes

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