CRÍTICA | Yesterday - Uma carta de amor aos The Beatles

CRÍTICA | Yesterday – Uma carta de amor aos The Beatles

Na-na-na-na x 11

Pessoal, vamos fazer um exercício hoje: parem e se lembrem qual e quando uma música dos The Beatles fez parte da sua vida.

Eu, por exemplo, não consigo ouvir “Let it Be” sem chorar, ainda me lembro de ouvir “Hello, Goodbye” na minha primeira aula de inglês da minha vida e anos mais tarde, depois de uma atividade que uma professora muito querida passou pra gente em que precisávamos ouvir a música e completar a letra (lembra disso, Tati?), eu e minha melhor amiga falávamos uma pra outra nos momentos desesperos dos trabalhos e provas da escola, “We can work it out/Nós podemos dar um jeito“.

Agora… Lá vem um desafio pra você que é fã dos The Beatles: o que você faria se um dia você acordasse e descobrisse que “Hey Jude“, “Eleonor Rigby“, “Something“, “Love Me Do“, “Drive My Car” e “Yellow Submarine“, por exemplo, nunca foram escritas? Que Paul, John, George e Ringo nunca se juntaram e criaram um dos maiores fenômenos musicais do mundo?

É exatamente essa a premissa de Yesterday, o novo filme de Danny Boyle (o diretor de Transpotting, Quem Quer ser um Milionário e 127 Horas) e do roteirista Richard Curtis, responsável pelos sucessos britânicos Quatro Casamentos e um Funeral, Simplesmente Amor, Bridget Jones e Mr. Bean. No longa, o músico Jack Malik (Himesh Patel) sofre um acidente e quando recobra a consciência, ninguém se quer ouviu falar de The Beatles (e de Coca-cola, Oasis e Harry Potter).

Com sua carreira musical indo barranco a baixo, Malik resolve lançar as canções da banda como se fossem suas e o mundo embarca em uma Jackmania. Também participam do elenco Lily James (Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo), Kate McKinnon (Saturday Night Live) e Ed Sheeran (preciso admitir que gostei dele atuando, ele tem um tino bom pra comédia inglesa).

Em meio a tantos lançamentos no cinema que envolvem a história de artistas consagrados como Rocketman e Bohemian Rhapsody (dois sucessos também da terra da Rainha), Yesterday não é mais do mesmo e passa longe das cinebiografias. Ele é uma carta de amor ao fab four de Liverpool, focando em tudo aquilo que The Beatles representa: amizade, paixão e, é claro, música.

É interessante ver o quão diferente o público receberia a Beatlemania hoje em dia, na era do streaming, e arrisco dizer que Boyle foi até perfeitamente ousado em usar um ator de origem indiana e africana interpretando as músicas de um dos grandes símbolos da Inglaterra. Será uma crítica as questões imigratórias do país?

Aliás, acho fofo e curioso dizer que a canção favorita da mãe de Patel é justamente “Imagine“, de John Lennon, porque foi lançada na época em que ela e o pai dele chegaram no Reino Unido.

Outro ponto válido e discutível (viu, Tatá e Bruno, falei discutível hahah) levantado pelo filme é que o mundo precisa de um novo ícone musical tão grande e quanto os The Beatles, e que desde o surgimento deles, não se vê nada igual. É uma boa discussão pra se ter, né?

Para quem curte as obras de Boyle, o filme pode ser surpreendente, acredito que esse trabalho de diferencie bastante dos outros, principalmente por conta da parceira com o roteirista. O filme é leve, daqueles que é delicioso de assistir, ao contrário dos conhecidos dramas densos do diretor.

Apesar de Paul, Ringo e Yoko Ono (que detém os direitos autorais em nome do falecido marido) não participarem do longa metragem, eles deram seus selos de aprovação. Curtis contou que mandou uma carta para McCartney para pedir a autorização para o uso do título e o músico não só autorizou como complementou que que ‘Scrambled Eggs‘ (“ovos mexidos, na tradução), o nome original de Yesterday, era melhor. Para quem não sabe a história da canção, sugiro que assista o Carpoool Karaoke do Sir com o James Corden.

Uma coisa é fato, se você é fã dos The Beatles, você com certeza vai gostar do longa e vai gostar de uma certa homenagem/surpresa no filme, e se não for, pelo menos lembre-se de que “Love is all you need“.

Yesterday entra em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira, dia 29 de agosto.

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Nota:
7.8
Nota:
O bom
  • É leve e descontraído
  • Prato cheio pra quem gosta de Beatles
  • Diria até que tem um final surpreendente
O ruim
  • Não foi feito para quem não gosta de Beatles
  • Não tem uma atuação muito marcante
  • Pra quem está acostumado com o trabalho de Danny Boyle, pode se decepcionar
  • Direção
    7.5
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    7.5
  • Produção/Fotografia
    8
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CriticasFilmes

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