[CRÍTICA] Zé do Caixão – Episódios 1 e 2 – Série do Canal SPACE

Zé do Caixão é uma série que leva o público a uma imersão na cabeça de José Mojica Marins Conferimos os dois primeiros episódios da nova série produzida pelo...

Zé do Caixão é uma série que leva o público a
uma imersão na cabeça de José Mojica Marins

ze-do-caixa-serie-space-critica-03Conferimos os dois primeiros episódios da nova série produzida pelo Canal Space: Zé do Caixão. A temporada estreia dia 13 de novembro às 22h30 e estrela Matheus Nachtergaele como o protagonista José Mojica Marins, o aclamado diretor de filmes de terror nacional que é considerado um dos mais importantes nomes no gênero. 

A trama inicia em 1958, na capital Paulista. Mojica é dono da Apolo Produções e professor de teatro. Com seu jeito icônico de falar – pronunciando corretamente as letras R e L – José está à procura de atores para sua nova fita, ou filme, chamado Sina de um Aventureiro (1958), um “bang bang” nacional que foi filmado em uma cidade do interior de São Paulo. Ainda com um estilo pornochanchada, a produção bateu de frente com os conservadores da cidade com suas cenas quentes de sedução e do possível interesse carnal do padre da cidade pela caliente protagonista do longa. A ‘fita’, infelizmente, não foi um sucesso e Mojica passou os anos seguintes em busca de uma nova inspiração e projeto que o levasse ao reconhecimento. Chegamos então em 1963, ano que Marins está devendo até os tubos na capital, sem alunos e muito bem envolvido com longas noites de bebedeiras. Em uma noite, José tem um sonho para lá de sinistro, onde um vulto preto o arrasta pelo chão de seu escritório. Isso, somado à uma recente experiência com um ritual religioso africano, resulta na criação do personagem que todos nós conhecemos: o Zé do Caixão, um agente funerário amoral e niilista que cativa sua audiência com cenas de pancadaria, sexo e  frases explícitas sobre vida e morte. 

O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência!

Sádico e com um visual inspirado no clássico personagem do Drácula e com as unhas do Nosferatu, Zé do Caixão procura a mulher perfeita cuja intelectualidade seja superior à média para que ele tenha um filho com ela. A ideia de ser pai de uma criança perfeita cultiva sua obsessão por sangue por meio do horror. Sem dúvida uma estrutura de personagem que não poderia resultar em nada diferente do que o sucesso. 

Matheus Nachtergaele, mais uma vez, está impecável. O ator encarna as figuras José Mojica Maris e Zé do Caixão com uma proeza inenarrável. Sua capacidade de imersão na vida de uma persona real supera sua atuação como o sonhador e batalhador Joãozinho Trinta no longa Trinta (2014), e proporciona um realismo em cena que certamente encantará os fãs do Marins e do Zé do Caixão.

A produção do Canal Space é surpreendente e de nível internacional. Atentos à recriação das ambientações das décadas de 1950 e 1960, os cenários embasam de forma detalhista a vida pessoal do cineasta e de seu personagem, garantindo à audiência uma experiência profunda nas duas personalidades do diretor. De forma irreverente e, em muitos momentos divertida, a série proporciona conhecermos como os efeitos práticos foram idealizados pela equipe de produção de Marins e o funcionamento dos bastidores de seus filmes. Já em 1963, todo cenário por trás do longa À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963) é apresentado para levar o público a uma imersão intensa pela mente visionária e criativa de José. Vivenciar esta fase do cineasta, visualmente falando, superará as expectativas dos fãs e tem muito potencial para atrair os olhos daqueles que não conhecem a trajetória de vida de José Mojica Marins

Hoje, aos 79 anos, Mojica é reconhecido mundialmente e tem todo respeito por quem atua e gosta do gênero. Por ter se mantido no ramo do cinema em fases como a ditadura e décadas de repreensão ao “politicamente incorreto”, o cineasta deixa um legado sobre a arte da atuação e como dar vida ao gênero terror com um baixíssimo orçamento. Algo muito bem visionado e observado pela equipe de produção da série Zé do Caixão

Ao lado do produtor Mário Lima (Felipe Solari) e Dirce Morais (Maria Helena Chira), a série conta um elenco entrosado sob direção e roteiro de Vitor Mafra. A biografia Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Maris, de Ivan Finotti e André Barcinski, serviu como inspiração para a série e acaba de ganhar uma nova edição com 666 páginas de material, 200 a mais da edição original de 1998, que será publicada pela editora Darkside

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Zé Do Caixão estreia dia 15 de Novembro às 22h30 no Canal SPACE e merece TODA a sua atenção. 

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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