Darren Aronofsky reescreve o sentido da vida em Mãe!

Para ver Mãe! você precisa ter a mente aberta Mãe! chega aos cinemas brasileiros no dia 21 de setembro. Dirigido e roteirizado por Darren Aronofsky (Cisne Negro), o cineasta...

Para ver Mãe! você precisa ter a mente aberta

Mãe! chega aos cinemas brasileiros no dia 21 de setembro. Dirigido e roteirizado por Darren Aronofsky (Cisne Negro), o cineasta entrega uma produção claustrofóbica, intensa e cheia de metáforas. Dando um novo sentido para o significado da vida, acompanhamos uma devastadora história de uma mulher que só queria viver feliz ao lado do seu marido poeta. Poeta este, que é cego por ser idolatrado e precisa, custe o que custar, ser reconhecido por suas palavras capazes de mudar a vida de qualquer pessoa. Inclusive de sua esposa.

A história

Uma casa no meio do nada. Este é o cenário de Mãe!. A jovem (Jennifer Lawrence) reconstruiu cada pedaço deste lar para que seu marido voltasse a ter inspiração. Um poeta isolado do mundo que procura um novo sentido em suas obras. A casa, que passou por uma destruição total após um incêndio, tem uma conexão muito forte com ela. Por meio da reforma e dos cômodos cada vez mais ajeitados, ela se esforça para que ele sinta-se bem e capaz de voltar a escrever. Um belo dia um homem (Ed Harris) chega ao local disfarçado de médico.

A problemática

Após uma turbulenta noite, ele se declara ao poeta como um grande fã. Fã de suas obras e apaixonado por suas palavras que mudaram a sua vida. Eis que surge a esposa (Michelle Pfeiffer) e os dois filhos. Uma tragédia na casa acontece e acorda sentimentos avassaladores em todos que ali estão. Surgem então a necessidade de viver e a tão aguardada inspiração do poeta. Ele volta a escrever, sua vida entra nos eixos, mas a jovem não consegue se livrar das circunstâncias angustiantes de uma possível perda de seu marido para uma vaidade disfarçada de sucesso. O poeta escreve sobre a vida e volta a ser reconhecido, mas sua esposa já sabe que o está perdendo para morte.

Aronofsky e sua visão da vida

Aronofsky recria, por meio do longa, uma nova forma de enxergar a vida. Com elementos da maternidade, da morte, do pós-morte, Mãe! é um longa sobre sentimentos não expressados. O amor, a desilusão, o sexo, as crenças, os anseios materiais, tudo ganha espaço no filme. Como pode um poeta que, com suas palavras muda a vida das pessoas,  se enterrar por uma fama envaidecida colocando a sua própria vida em risco? Como pode um amor, até então sereno e tranquilo, ser destruído pela ausência de privacidade em uma casa isolada? Como pode a inveja aniquilar a arte pessoal de emendar palavras em formato de poema destituir o autor o tornando apenas uma memória de algo que agora… É de todos?

A arte é um dom pessoal que, quando divulgado, passa a não ter uma só interpretação e um só autor

Um poema da vida às piores consequências que o artista pode sofrer: ser idolatrado. A metáfora de autodestruição por meio de um dom, apresentado aqui por Aronofsky, é a mais bela representação sobre as pessoas que precisam fazer algo que afete alguém, que marque a vida de alguém. Mesmo que isso lhe custe algo irreversível.

Mãe! não é um filme fácil. Mãe! é um filme aterrorizante. Suas cenas fortes e explícitas tiram o fôlego. Mas para tal, é necessário entrar no clima. É necessário entender que as palavras são ferramentas poderosas e que elas precisam ser bem escolhidas antes de sair por aí falando. “Falar” é a questão. É a decisão mais sensata que se pode ter para evitar uma tragédia. O que não é dito fica descompreendido e abre espaço para o pior. Inclusive a morte.

Custe o que custar

Viver perde o sentido em Mãe! e faz com que a audiência seja provocada sobre o poder de mudar a vida. Sobre o poder de ser um anjo – ou demônio – em terra, apto de interferir na missão da humanidade por aqui. Como um conto de terror, Mãe! é o retrato mais sórdido da podridão do egocentrismo que consome grande parte da humanidade. Um chute no estômago para poucos e uma obra totalmente sem sentido para aqueles que não conhecem o poder das palavras.

Mãe! é um filme necessário, estarrecedor e único na história do cinema. Estreia dia 21 de setembro nos cinemas.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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