Jay Hernandez, o Diablo, fala sobre como foi atuar em Esquadrão Suicida

Jay Hernandez, o incendiário El Diablo, fala sobre a experiência de atuar em Esquadrão Suicida e revela qual momento da filmagem foi o mais assustador Foi uma grande surpresa...

Jay Hernandez, o incendiário El Diablo, fala sobre a experiência de atuar em Esquadrão Suicida e revela qual momento da filmagem foi o mais assustador

Foi uma grande surpresa descobrir em Esquadrão Suicida que o perigoso El Diablo é o coração e a alma do grupo. Talvez o único personagem atormentado pelo seu passado e em busca pela redenção. Abaixo, Jay Hernandez, que interpretou o personagem no longa, conta um pouco sobre como foi a experiência. 

[divider]Esquadrão Suicida já está em exibição nos cinemas.[/divider]

Quando o roteirista / diretor David Ayer te contatou sobre Esquadrão Suicida, o que te atraiu e fez você querer fazer parte do projeto? 

JAY HERNANDEZ: No começo quando eu me envolvi, eles mantiveram o enredo confidencial, então eu não sabia muita coisa sobre o personagem. Eu só sabia que era um programa secreto chamado Esquadrão Suicida. Haviam sussurros sobre a história que me deram uma ideia geral, mas era tudo muito secreto.

Então, eu me encontrei com o David. Trabalhamos em algumas coisas, e eu saí sem saber se havia sido bom ou ruim ou onde eu me encontrava no projeto. Aí, ele me ligou em um Domingo. Era um número que eu não reconheci, o que geralmente eu não atendo, mas algo me disse que eu deveria atender e era o David. Se você conhece ele ou já passou algum tempo com ele, você sabe que ele vai direto ao ponto. Ele disse ‘E aí, Jay. Beleza? Quer fazer um filme?’ [Risos.] Eu fiquei bastante chocado – parecia quase uma piada. Eu não sabia o que dizer, então eu só disse, ‘Sim, obrigado.’ Foi empolgante.

David trabalha de Los Angeles, que é a sua cidade natal. Você já trabalhou com ele antes ou seus caminhos já se cruzaram? 

JAY HERNANDEZ: Eu nunca trabalhei com o David ou até conheci ele profissionalmente até mais ou menos dois anos antes de Esquadrão Suicida. Mas depois de passar um tempo com ele neste filme e conversando sobre onde estávamos em LA durante certos períodos, eu fiquei surpreso que nunca havíamos cruzado caminhos. De certa forma, eu sinto que provavelmente já nos cruzamos, mas nunca percebemos.

Quando você descobriu que interpretaria El Diablo, como você se enxergou no personagem? Você deu uma olhada nos quadrinhos ou trabalhou com o David para moldar uma nova versão do personagem? 

JAY HERNANDEZ: Eu queria saber o máximo da história desse personagem, só para basear minhas decisões sobre ele e porque eu sabia que o David e eu iríamos criar algo único – e eu acho que conseguimos completamente. Mas eu queria saber quem Diablo era nos quadrinhos e como era seu mundo, então eu fui para algumas lojas de quadrinhos e peguei um monde de edições do Os Novos 52, que tinham a Arlequina, Diablo e vários outros personagens.

Eu tinha ouvido falar sobre Esquadrão Suicida e obviamente já conhecia o Coringa e Arlequina, mas eu não sabia nada sobre Diablo. Ele é um dos personagens menos conhecidos, o que, por sinal, deu a David e eu mais liberdade para criar algo único. Com o Coringa, todo mundo tem uma opinião sobre o que deveria acontecer com ele criativamente – mas a realidade é que existem milhões de versões disso, e todos acham que a deles é a certa. Nós não tínhamos esta pressão – o que foi bom para ter licença criativa para fazer o que queríamos com Diablo – obviamente se mantendo dentro dos limites – e construir um mundo em torno deste cara que não era completamente explorado pelos quadrinhos.

Como você vê El Diablo individualmente, e como ele se enquadra no Esquadrão Suicida como um todo? 

JAY HERNANDEZ: Individualmente, eu acho que ele é um dos membros mais atormentados do Esquadrão. Ele foi dado a habilidade de controlar fogo, mas a usou para propósitos maléficos. Ele usou isto para ferir pessoas –para matar, mutilar, fazer dinheiro, dominar as ruas e virar o rei do submundo – enquanto tentava balancear isso com uma vida legítima com sua família.

Aí um dia ele perde o controle, e este é o ponto em sua vida que ele decide não ser mais Diablo. Ele experimenta o verdadeiro custo deste incrível poder e ele decide desistir. Ele desiste da luta, da vida de gangues, da vida nas ruas, do dinheiro – tudo isso. Ele se entrega para a polícia e se coloca em um buraco. Ele não é capturado por ninguém – ele se permite ser levado em custódia. Ele fez algo realmente horrível, e a dor, a realidade do que ele fez forçam ele para fora da sociedade, para fora da equação.

Os poderes pirotécnicos são algo que ele consegue controlar? 

JAY HERNANDEZ:  Bom, parte de sua jornada é aceitar eles e ver se existe uma forma de manipular seus poderes para serem usados para o bem, aí ele é um ser humano com uma chance de redenção. Ele tem todas estas perguntas que ele enfrenta, e ele carrega elas durante todo o filme.

Tem um momento crucial no filme onde ele decide lutar, mas pela primeira parte inteira do filme – quando Diablo é trazido para o Esquadrão e eles partem para a missão – ele não quer lutar. Ele não quer se envolver. Ele não quer usar seus poderes de forma alguma. De certa forma, o Esquadrão acaba virando sua família – o que aconteceria se ele perdesse o controle novamente e matasse todo mundo?

Então, ele enfrenta este dilema e é realmente interessante quando o Esquadrão enfrenta o inimigo pela primeira vez, todos estão fazendo o que fazem. Todos estão lutando e atirando, e o Diablo é como uma rocha na correnteza. A água flui em uma única direção, mas ele é um objeto estático.

O rosto do Diablo é marcado com uma tatuagem de caveira e seu corpo inteiro é coberto de tinta. Como foi o processo de maquiagem para você e como você se sentiu ao olhar para o espelho e ver o personagem olhando de volta para você? 

JAY HERNANDEZ: Quando estávamos passando pelo processo de criação do personagem e decidindo na maquiagem, eu estava de acordo com a direção que fomos no final. Eu queria mais tatuagens, cabeça raspada, e eu estava pronto para tirar minhas sobrancelhas. Eu estava bastante empolgado com isso. Eu adorei o visual, então eu queria levar o mais longe possível – mas aí isso se tornou mais ou menos cinco horas de maquiagem.

Durante a filmagem, tínhamos dias de 16 horas de trabalho, e eu ainda tinha horas por cima disso para aplicar e tirar a maquiagem. Com o passar do tempo, nós aperfeiçoamos a técnica e o processo todo começou a durar só três horas, mas era uma agenda bastante cansativa. Trabalhamos durante a noite por muitos meses, e estas horas extras na cadeira eram tortura [risos].

Mas eu realmente curti me ver no espelho. Foi uma experiência legal criar este personagem que não se parece ou soa como eu. Eu acho que as pessoas vão ficar surpresas que na verdade sou eu, o que é uma coisa boa.

Que tipo de reações você ganha quando as pessoas veem você com o seu look Diablo completo? 

JAY HERNANDEZ: É engraçado. Eu me lembro de uma vez que estávamos filmando em uma rua em Toronto e eu esqueci quem eu era por um minute. Esta mulher estava sentada na guia com o seu cachorro –  ele era bonitinho –  eu perguntei para ela, ‘Oh, eu posso fazer carinho nele?’ Ela olhou para mim e ficou branca. Ela estava paralisada de medo, então eu disse, ‘Não, não! É maquiagem.’ Ela não fazia ideia do que eu estava falando – provavelmente pensou que eu era louco – ela lentamente se levantou e foi andando de costas para casa. Eu pensei, ‘Okay, eu preciso ficar atento em público. [risos].

Você pode falar um pouco sobre o campo de treinamento e período de ensaio de cinco semanas que o David levou todos vocês antes de gravar? Como foi a experiência para você e qual efeito isto teve no elenco como um todo? 

JAY HERNANDEZ: Nós treinamos, fizemos artes marciais, levantamento de peso, aeróbica, este tipo de coisa. Nós também tivemos muitas sessões de ensaios, que funcionaram como terapia para todos. Todo mundo foi muito sincero e aberto; foi bastante pessoal e revelador. Foi um processo semelhante ao que fazem em treinamento de exército – eles meio que desmontam você e reconstroem você, e no final deste processo, você faz parte de uma unidade. Foi isso que eu passei – fisicamente em treinamento e, emocionalmente nos ensaios – e, no final disso, éramos parte do Esquadrão.

Todo mundo é muito próximo, e este foi o processo do David para nos levar até lá. Este tipo de coisa vem de cima para baixo, e quando o diretor tem uma certa disposição e certas diretrizes para brincarmos, ele cria um espaço com um senso real de união entre nós.

Este filme tem um elenco incrível e vocês tem esta camaradagem incrível quando estão juntos, com muitas brincadeiras. Tem alguém em particular que brincou mais com você ou foi bagunça o tempo todo? 

JAY HERNANDEZ: Eu acho que todos tem seus próprios momentos, e foram medidas iguais de cutucadas e amor. Como eu disse, era uma agenda brutal. Todos nós amamos que estávamos fazendo; estávamos investidos em nossos personagens; e estávamos nos divertindo. E aí tínhamos estas sequências de ação malucas com milhões de pessoas envolvidas, e era demais. Foi uma experiência maravilhosa.

Quanto das chamas do Diablo foram feitas com fogo real pelo time de efeitos especiais no set e quanto foi criado digitalmente? 

JAY HERNANDEZ: Foi uma combinação dos dois. Fizemos efeitos práticos, e depois obviamente, adicionamos uma camada de efeitos visuais. Eles construíram estes lança-chamas, e haviam algumas cenas onde, estas bolas de fogo de 10 metros saiam deles e tínhamos que fingir que estavam saindo de mim. Foi muito legal poder ver isso acontecer, filmando nos sets ao invés de usar tela verde. Te dá uma sensação do mundo, do espaço e qual é o tamanho do que você tem para trabalhar, como o caso das chamas do Diablo e outras características dos personagens. Realmente os ajudou a visualizar corretamente o que está acontecendo.

Você não tem nenhuma fobia de fogo, eu espero? 

JAY HERNANDEZ: Não [risos]. Eu preferiria não ter que ter entrado no tanque de água que usam para aprisionar Diablo. É nesta cena onde a Amanda Waller está tirando o Esquadrão de suas celas da Penitenciária Belle Reve, então eles molham ele para tira-lo com segurança – caso os fogos de artifício lancem.

Eu tive que entrar neste gigantesco, enferrujado, meio industrial – totalmente nojento – tanque e eles ligavam um botão e milhares de litros de água inundavam e me empurravam para fora. Provavelmente a cena mais assustadora para mim foi o tanque enchendo com 2 mil litros de água em questão de segundos e completamente me afogando. Eles abriam a escotilha e toda a água vazava – mas eu tinha que prender minha respiração neste buraco gigante e escuro pelo que parecia muito mais tempo que alguns segundos. Então, sim, esta cena não foi muito divertida [risos].

Quais qualidades você acha que David traz par o filme, e o que você espera que seja a experiência da audiência quando eles verem Esquadrão Suicida no cinema? 

JAY HERNANDEZ: O David é um contador de histórias que acredita nos personagens. Se você ver os caras em Corações de Ferro, Marcados para Morrer, ou qualquer outro filme que ele dirigiu ou escreveu, você pode ver que ele realmente se importa com os personagens. A ação é quase secundária no sentido que se você não se importa com quem estas pessoas são, e você não está investido na história, perde todo o significado, é que nem chiclete – parece satisfatório, mas se você não se importa com os personagens, é vazio.

Eu acho que este filme vai surpreender muitas pessoas. Eu fiz uma pesquisa em antemão para ter um senso de o que eu poderia fazer neste projeto assistindo praticamente todos os filmes de super herói que já existem. Mas a realidade é que nada se aplicou ao que estávamos fazendo em Esquadrão Suicida. O David conseguiu pegar estes anti-heróis gigantescos e torna-los humanos. Então, de muitas formas, parece um próximo passo na evolução deste gênero. Eu honestamente mal posso esperar para ver o filme. Eu estou tão empolgado quanto qualquer um.

Confira aqui a crítica da Freakpop. 

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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