ENTREVISTA | Apesar da pinta de galã Charlie Hunnam mostra que é gente como a gente

Acabei de tomar um café com esse homão da porra e preciso falar sobre Charlie Hunnam Sabe o Charlie Hunnam? O Jax do Sons of Anarchy, o Raleigh do...
Charlie Hunnam

Acabei de tomar um café com esse homão da porra
e preciso falar sobre Charlie Hunnam

Sabe o Charlie Hunnam? O Jax do Sons of Anarchy, o Raleigh do Pacific Rim e agora o Rei Arthur? Pois é, acabei de bater um papo com o rapaz. Muito simpático por sinal, sujeito daqueles que você vê que colocou muita farinha na mistura antes de poder pagar o filé mignon. Sabemos que muitas leitoras são meio gamadas no moço, mas também reconhecemos que o cara conquistou uma base fervorosa de fãs masculinos com suas sete temporadas sobre um motoqueiro que é filho do Hellboy. O que será que ele contou?

É só continuar lendo…

Charlie Hunnam chegou chegando com naipe de artista e pique de jogador. De cara entrou na sala e perguntou se o pessoal queria um café. Vai ver se Hugh Jackman faz isso. Claro que não. Feito isso, alguns jornalistas perguntaram sobre sua ida ao jogo do Palmeiras e sobre ele gostar de futebol. Após falar que ele realmente não curtia o esporte e era mais chegado em artes marciais, perguntaram se ele era fã do David Beckham. Brasileiros são obcecados por fazer gringos comentarem sobre coisas vagamente relevantes para o Brasil.

Sobre o jogador de futebol britânico, que fez uma aparição questionável em Rei Arthur, Charlie falou que não era familiar com sua trajetória apesar de saber quem era. Ficou admirado com a disposição e o esforço do rapaz para participar do projeto.

Preparos, preparos, preparos

Charlie comentou que Guy Ritchie falou que ele estava com uma “aparência de merda”, afinal havia acabado de gravar a sétima temporada de Sons of Anarchy onde seu personagem havia perdido bastante peso por causa da trama. Apesar do chiste, mostrou para o diretor que o rapaz é casca grossa e se ofereceu para sair na porrada com os outros candidatos. “Eu me ofereci para brigar com a concorrência, sabe o ‘casting couch’ de Hollywood? Eu queria inventar o ‘casting cage’. Sabe a preocupação com meu físico? Eu consigo me garantir, porque eu dou uma surra em todos eles.”

Em relação à literatura que acompanha a lenda Arthuriana, Charlie Hunnam acabou dando sorte: “Um dos benefícios de crescer inglês, é que isto tudo é leitura obrigatória. Eu li ‘O Único e Eterno Rei’, eu vi Excalibur do John Boorman, sem brincadeira e sendo conservador, umas 50 vezes na minha infância. Eu conhecia a lenda Arthuriana de cor e salteado…”

Claro que ter feito a lição de casa é só parte do processo, e o ator continuou falando sobre o que precisou ser feito para criar esta versão do Rei Arthur, “Era muito mais um processo de… é quase uma exigência, criar um ar de espetáculo para filmes desta escala. Precisamos de efeitos especiais, uma quantidade enorme de ação, o que é sempre divertido e dá ao filme uma energia vital. Mas no final do dia, […] o que realmente importa é explorar a natureza do relacionamento, do conflito entre medo e fé. E como vamos por esta jornada pela vida, se estamos na trajetória de atingir uma versão melhor de nós mesmos. E esta é a mensagem que eu tiro deste filme, que qualquer um pode conquistar qualquer coisa na vida, contudo que você cultive uma crença em si mesmo e marche sem medo para o seu objetivo, mesmo com os fracassos que fazem parte da jornada.”

Sobre o Guy Ritchie

Charlie Hunnam é um cara que se leva muito a sério. Guy Ritchie faz filmes de bandidos e tenta lançar carreiras de ator para jogadores de futebol que ele curte. Charlie ficou surpreso quando Ritchie chegou para ele e falou para ele se divertir mais, afinal iam trabalhar seis meses juntos e ele precisa relaxar.

Sobre ser ator

Quando perguntaram para ele como ele escolhia seus projetos, chegou a hora da verdade e o bonitão mostrou que era gente como a gente. “Vocês devem saber isso, mas o pessoal de casa não sabe. Um ator tem muito pouco a mandar sobre o processo, temos um pouco de autonomia para interpretar o personagem e trazer algo que queremos, mas mesmo o que fazemos no set é completamente manipulado e controlado pelo diretor, e aí é de onde vem a performance. Neste filme, por exemplo, tínhamos um filme de 7h30 e eu estou em quase todas as cenas, então imagine o quanto que cortam para chegar em duas horas. Eu tento tomar cuidado na hora de escolher o diretor e é claro, o roteiro.” E ainda acrescentou sobre o processo de escolher um roteiro, “não é tão luxuoso assim, até quando eu não estou gravando, eu estou fazendo a turnê de imprensa por causa dos dois filmes que estão saindo (o outro é a Cidade Perdida de Z), então estou na estrada faz umas 6 semanas, trabalhando umas 10 horas. Depois eu vou pra casa e leio uns cinco roteiros por semana. É legal, eu estou num lugar bacana com a minha carreira, mas a gente faz carreira rejeitando roteiro e buscando o projeto certo.”

Sobre o futuro da franquia e o filme

Para Charlie, o que importa é o que a audiência vai achar. O caso é óbvio, se o pessoal gostar e dar dinheiro, aí começa a correria para um novo filme. Apesar de circular por aí uma história que o estúdio pretende fazer uma série com cinco filmes, o ator confirmou que seu contrato é apenas para três filmes. Ele disse que não manda em nada do processo e não gosta de criar expectativas, mas gostaria de explorar em uma continuação o triângulo amoroso entre Arthur, Lancelot e Guinevere.

Mesmo assim, mantém o pé no chão, “Depois de 20 anos trabalhando com isso eu aprendi que não existe lucro em colocar a carroça antes dos bois, a gente termina com o coração partido”.

Sobre criar sua versão do Rei Arthur

É claro que o diretor é famoso por um tipo específico de personagem, na hora de criar o Rei Arthur para Guy Ritchie, “Tentamos criar algo que seria interessante explorar. Existe uma masculinidade e um senso de rebeldia que o Guy gosta em seus personagens e antes mesmo de ler o roteiro, eu já esperava e é algo que eu genuinamente curto em seus roteiros. Era importante fazer algo diferente com o Arthur. Nas lendas ele é um cara que geralmente não sabe de sua linhagem nobre, mas tem aspirações à nobreza. Imaginamos o que você faria se amanhã descobrisse que era o rei do Brasil? E foi assim que partimos da criação. O Guy tem um gosto por um tipo de dinâmica masculina que eu chamo de ‘homem das cavernas de chachemira’, que é um tipo de homem bruto com um certo ar de sofisticação. Eu chamo de ‘jiu jitsu com bermuda pool'”.

E para o pessoal que as vezes tem dificuldade em entender que dar chilique de crítico para esse tipo de filme é perda de tempo, “Eu espero que as pessoas curtam. No final do dia, você só espera que as pessoas achem divertido. Colocamos nossa essência e um pouco de coração, mas no final das contas, esperamos que as pessoas assistam e se divirtam. Levamos o processo a sério, mas queremos que a audiência se divirta por duas horas. É o que o Guy dizia no set, se a gente se divertir, a plateia vai se divertir e é isso que esperamos.”

No final, é isso mesmo, o ator se mostrou bastante pé no chão e sem querer dar um ar de arrogância ou prepotência. De forma descontraída era possível ver que é um cara que ralou muito para chegar onde chegou e só nos anos recentes começou a desfrutar algum tipo de estabilidade. Agora, vá comprar seu ingresso para Rei Arthur: A Lenda da Espada.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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