M. Night Shyamalan entrevistado sobre Vidro, Corpo Fechado, Bruce Willis, entrevista com M. Night Shyamalan

ENTREVISTA | M. Night Shyamalan fala sobre Vidro

Confira nossa entrevista com M. Night Shyamalan, diretor de Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro, o filme que conclui sua trilogia de super heróis. Confira!...

M. Night Shyamalan fala sobre a criação do filme VIDRO

Janeiro marca a estreia de Vidro, o terceiro filme da trilogia Eastrail 177 que começou em 2000 com o filme Corpo Fechado. Este havia sido o filme que M. Night Shyamalan lançou após o bem sucedido O Sexto Sentido. Apesar do fenômeno do filme onde Bruce Willis tenta ajudar um jovem Haley Joel Osment com seus poderes paranormais, Corpo Fechado não foi tão bem sucedido. Foi uma mistura de fatores. Na época, filmes de super heróis não eram o sucesso garantido de hoje, fazendo com que o longa fosse divulgado como um thriller policial. Apesar disso, o filme virou cult, e hoje tem uma legião de fãs que apreciam a seriedade e maturidade que o diretor aborda a mitologia das histórias em quadrinhos.

Em 2016, veio Fragmentado. Um filme de terror onde Shyamalan começa com um filme de sequestro que, em em seus últimos minutos, é revelado como uma continuação surpresa de Corpo Fechado; e o filme na verdade era a história de origem de um dos vilões que viria a habitar este universo.

Este ano, com Vidro, M. Night conclui sua trilogia trazendo as duas tramas em rota de colisão em um filme de super heróis bem diferente do que costumamos ver da concorrência.

Abaixo, o diretor conversa um pouco sobre o processo de criação, roteirização e direção de Vidro.

Entrevista com M. Night Shyamalan

FREAKPOP: Você chocou fãs no final de Fragmentado em 2016, revelando na cena final que David Dunn, o personagem de Bruce Willis em Corpo Fechado, vivia no mesmo universo narrativo do filme, e estava assistindo o noticiário em uma lanchonete. Como foi a reação dos fãs?

M. NIGHT SHYAMALAN: Alguns dos adolescentes falaram coisas como “Quem é aquele velhote na lanchonete?” [Risos] Mas aí eles foram e assistiram Corpo Fechado, e se apaixonaram pela história e trama onde tudo começou.

FP: Essa trilogia é diferente de todas as outras. Primeiro, porque existe uma distância de quase duas décadas entre Corpo Fechado e Vidro. Mas as conexões narrativas não são tão óbvias ou descaradas como boa parte das franquias. O que guiou sua mente para produzir essa trilogia?

M. NIGHT: Eu quero que cada filme sozinho tenha seu poder, sua linguagem, sua originalidade, e para o todo artístico da trilogia exceder a soma de suas partes. Os três filmes honram uns aos outros como irmãos e irmãs. Esta seria a esperança.

FP: Todos os três filmes lidam, de alguma forma, com o poder da mente para moldar nossas realidades, e com as aflições físicas e mentais que moldam as vidas dos personagens. O que mais te interessa neste tema?

M. NIGHT: Eu me interesso por psicologia, e a psicologia da terapia, desde a faculdade, então estes temas sempre foram muito orgânicos. Com o tempo, a pesquisa e a história começaram a uma alimentar a outra. Com Fragmentado, eu estava lendo sobre transtorno dissociativo de identidade, e aí pensava, “Oh, isso seria um momento incrível.” Corpo Fechado começou da mesma forma. Eu havia rompido os ligamentos nos meus joelhos jogando basquete e passei muito tempo em reabilitação e fisioterapia. Aquilo inspirou todo o filme.

FP: Como foi para você, como cineasta, revisitar Corpo Fechado, um filme que você fez no começo da sua carreira, e ressuscitou para o mundo agora?

M. NIGHT: Eu nunca fiz nada como isso, então foi bastante nostálgico. Representou uma seção grande da minha carreira, então eu senti muitas emoções e uma sensação de urgência de fazer tudo da forma certa. As pessoas estavam empolgadas com este filme por causa de sua conexão com os demais filmes da franquia, e é uma relação estranha com a audiência que eu nunca tive antes. Geralmente as pessoas vão para um filme meu porque estou contando uma história que parece ser intrigante para eles e eles não sabem nada sobre a premissa. Mas desta vez, a audiência tem propriedade. Eles tem expectativas. É um processo diferente e eu levo isso a sério.

FP: Você teve a oportunidade de usar filmagem que foi cortada de Corpo Fechado, trechos que ninguém havia visto, e colocou nas sequencias de flashback em Vidro. Como que isso surgiu?

M. NIGHT: Foi incrível. Porque estas cenas cortadas de Corpo Fechado sempre estiveram na minha cabeça, e eu pensava que elas poderiam funcionar no filme se eu escrevesse elas do jeito certo. Nós estávamos bem empolgados na hora de coloca-las no filme, e a plateia não consegue acreditar no que eles estão vendo. Em uma cena, tem o garoto, Spencer Treat Clark, e depois vemos ele com 25 anos de idade na próxima cena. Não tem computação gráfica. Realmente é só ele. E é a mesma coisa com Bruce Willis. Ver alguém envelhecer 18 anos na sua frente é uma coisa poderosa.

FP: O personagem mais central e novo do filme é a Dra. Ellie Staple, interpretada por Sarah Paulson. Por que ela era a atriz certa para o papel?

M. NIGHT: Eu queria alguém que conseguisse se equiparar com aqueles três homens, Bruce Willis, Samuel L. Jackson e James McAvoy, tanto na atuação, quanto no dinamismo e entretenimento. Eu também precisava de alguém que pudesse enfrenta-los de forma inteligente e tomar controle nas telas contra estas três superestrelas. Sarah foi escolhida para lutar a luta, e rapaz, ela entregou.

FP: O personagem titular deste filme, Vidro, é o vilão de Corpo Fechado: Elijah Price, também conhecido como Senhor Vidro, interpretado por Samuel L. Jackson. Por que você escolheu centrar o filme entorno dele?

M. NIGHT: A ideia de ter um personagem marginalizado como seu herói, que é o personagem titular, é muito satisfatório para a plateia. Você realmente quer ver Elijah vencer, mesmo que ele faça coisas erradas.

FP: Ao contrário da maioria dos grandes filmes de estúdio agora, o seus filmes não usam grandes efeitos visuais. E quando você os usa, é quase impossível diferenciar o que é prático e quais são gerados por computador. Por que você gosta de trabalhar desta forma?

M. NIGHT: Com Vidro, estamos fazendo um filme de quadrinhos com um décimo do orçamento de qualquer outro filme do gênero. Eu faço assim por muitos, muitos motivos, mas artisticamente, eu acredito no minimalismo e eu acredito em limitações. Eu acredito que nós fazemos nosso melhor trabalho quando enfrentamos parâmetros: você tem estes quatro giz de cera, o que você consegue pintar com isso?

Nós queríamos que o filme tivesse uma sensação real, e mesmo assim competir com o nível de espetáculo que as audiências esperam de, por exemplo, um filme da Marvel. Agora, a plateia sabe explicitamente, quando eles vão ao cinema, não é isso que eles vão ver. Eles vão ver um thriller psicológico. Isto nos dá uma vantagem. Se você está indo a 40 km por hora e de repente pula para 60, a sensação é 80. Nós contamos com esta ilusão. Você está assistindo um drama, e aí, de repente, surge algo extraordinário. É isso que a computação gráfica faz por nós em Vidro.

Vidro estreia dia 17 de Janeiro no Brasil.

Até a próxima!

Comente via Facebook!
Categorias
EntrevistasFilmes

Ver também